Especial

Os príncipes das ruas

Eles circulam livremente com veículos em péssimas condições

Por: Silas Colombo

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Caminhonete do autônomo Edson Roberto Monteiro (Foto: Fernando Moraes)

TREM DESGOVERNADO

A caminhonete Ford F100 1963 do autônomo Edson Roberto Monteiro é pau para toda obra. Quando não está carregando entulho ou guinchando outros veículos, perambula pelas ruas da Mooca vendendo sacos de laranja e abacaxis. “Evito sempreas vias principais”, conta Monteiro. A precaução é para não topar com a fiscalização e tem justifcativa: quatro anos de licenciamento atrasado. Outra preocupação do motorista é ter sempre uma área de escape caso falte freio, motivo responsável pela ausência do para-choque dianteiro, deixado em um poste após uma falha.

+ Trânsito livre para a lata-velha

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Fusca do eletricista Daniel Benatti (Foto: Fernando Moraes)

CONFORTO EM PRIMEIRO LUGAR

Por 700 reais, o eletricista Daniel Benatti deixou de usar o transporte público para percorrer os 3 quilômetros de casa ao trabalho, em São Mateus, na Zona Leste, ao volante de um Fusca 1986. Sem registro e exigindo algumas vezes um empurrãozinho para funcionar, ele transita pela região sem ser abordado. “O carro é cheio de macetes, tem até uma chave improvisada para ligar a parte elétrica”, revela. Para rondas mais agradáveis com o possante, Benatti instalou um novo carburador e desembolsou 3 000 reais em equipamentos de som. “Para levar só pagando 6 000 reais”, avisa.

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A Kombi do funileiro aposentado Cândido Moutinho (Foto: Fernando Moraes)

EXPRESSO FERRUGEM

Todo dia, às 6 da manhã, o funileiro aposentado Cândido Moutinho dá partida em sua Kombi 1979 e roda a cidade à procura de materiais recicláveis. Ao fm da jornada, costuma reunir 600 quilos de produto coletado. A ausência de faróis e bancos ajuda a compensar o excesso de peso, mas nem sempre. Na semana passada, o motor fundiu, produzindo uma fila de carros na Avenida Salim Farah Maluf e uma conta de 500 reais na ofcina — 100 reais a menos que o preço pago pelo veículo. “Enquanto ela aguentar, vai continuar na rua”, afirma o funileiro.

Fonte: VEJA SÃO PAULO