Exposições

Três mostras com olhares fotográficos sobre a cidade

São Paulo pelas lentes de Mauro Restiffe, José Yalenti e Tatewaki Nio

Por: Laura Ming - Atualizado em

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Fotógrafos de diferentes épocas e nacionalidades imprimem sua visão de São Paulo em seus trabalhos.

  • Há três décadas reunindo as principais novidades do universo audiovisual, o festival Videobrasil aporta no Sesc Pompeia com números de respeito na edição 2013. Duas exposições integram o evento. 30 Anos é uma megainstalação retrospectiva com 234 monitores que transmitem trabalhos ao mesmo tempo, com resultado caótico. Já Panoramas do Sul exibe 106 obras assinadas por 94 artistas provenientes de 32 países. Tanta amplitude deu espaço à irregularidade. Gênero complicado por natureza, devido à difculdade de atrair por inteiro a atenção do público, a videoarte predomina. Há um excesso dela e de alguns de seus piores vícios, como a doutrinação política contra os males do capitalismo (observe Conversation Piece, da argentina Gabriela Golder) e as performances corporais de estilo datado (The End of Time, do libanês Akram Zaatari). Dá, contudo, para achar pérolas. Caso dos curtas da série Motherland, do malaio Sherman Ong, formado por depoimentos de imigrantes em Singapura em estilo confessional não muito distante do praticado pelo documentarista Eduardo Coutinho. De resto, melhor ficar nos outros suportes. Sobressaem os objetos de Nazareno, as fotos de Tatewaki Nio e as pinturas de Ana Prata, Rodrigo Bivar e Rafael Carneiro. De 6/11/2013 a 2/2/2014.
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  • Sempre dedicado a discutir a relação entre fotografia e arquitetura, algo notável na recente mostra San Marco, sobre afrescos de Fra Angelico em um mosteiro florentino, o paulista de São José do Rio Pardo Mauro Restiffe retoma o debate em Interseção. As quinze imagens reunidas na exposição do Centro Universitário Maria Antonia se dividem em duas séries. Vertigem traz registros da Casa Serralves, localizada no Porto, em Portugal, cujas colunas típicas do período art déco criam impressões perturbadoras no espectador ao aparecer em enquadramentos verticalizados. O outro conjunto traz o Edifício Cícero Prado, um marco do modernismo arquitetônico paulistano, na Avenida Rio Branco, no bairro de Campos Elíseos. Projetado pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik — homenageado, aliás, em outra sala do Maria Antonia com desenhos e fotografias de projetos —, o prédio possui geometrias inusitadas encontradas pela câmera de Restiffe a partir das amplas sacadas e dos pilotis do térreo. Até 23/2/2014.
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  • Eles eram amadores, mas transformaram a fotografia no Brasil, em uma época em que se acreditava que sua função era apenas documentar fatos. Em 1939, um grupo de engenheiros, empresários, advogados e outros aficionados das câmeras se reuniu para experimentar e descobrir diferentes ângulos para clicar. Fundaram, então, o Foto Cine Clube Bandeirante na cidade. Dali surgiu o movimento modernista no país. “Eles achavam que a técnica não deveria se sobrepor à arte”, diz Iatã Cannabrava, o curador da coleção de imagens modernistas do Itaú Cultural, a maior do país. Para essa exposição, Cannabrava escolheu 118 obras, algumas recém-adquiridas, de dezoito nomes do calibre de Marcel Giró, José Yalenti e German Lorca. Um bom exemplo do que essa turma estava fazendo é Telhas (1947), de Thomaz Farkas, que acabou recusada pelo júri de um salão competitivo devido ao alto grau de abstração: os semicírculos em branco e preto foram considerados uma provocação. Em tempos distantes do Photoshop, eles conseguiam enganar espectadores desatentos e confundir fotos com desenhos, como em Estudo Abstrato Nº 1, de Paulo Pires. Outra característica era trazer novos olhares sobre as paisagens, caso de Homem Guarda- Chuva, de German Lorca. Lindo de ver. De 25/1/2014 a 9/3/2014. Na Rua Augusta: o Foto Cine Clube Bandeirante ainda está em operação e promove cursos e palestras para interessados em fotografia.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO