Teatro

Confira seis peças para assistir no feriado

A Toca do Coelho com Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido está entre as opções

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

A Toca do Coelho - Ed. 2347
A Toca do Coelho: Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido dividem o palco (Foto: Jairo Goldflus)

Veja abaixo seis peças em diferentes horários que você pode conferir na sexta (15):

  • Com direção de Marco Antônio Braz, o drama Bola de Ouro vai além de apresentar a obra do autor francês Jean - Pierre Sarrazac, até então inédito no Brasil. Em monólogos ou diálogos, Celso Frateschi, Walter Breda, Marlene Fortuna e Luiz Amorim interpretam personagens que, na década de 60, tentaram mudar o mundo. Hoje, percebem que suas ideias envelheceram e pouco restou do idealismo. E pior: fica visível a adequação de cada um ao sistema. A comprovação do fracasso se dá diante da relação deles com uma estagiária de jornalismo (a atriz Carolina Gonzalez), que pouco se importa com as causas coletivas. Em uma encenação limpa, o texto é valorizado ao extremo e transmite sua mensagem com qualidade. Mesmo que abra mão de tornar o espetáculo mais palatável, Braz dispensa o óbvio e concentra as forças nas palavras. Frateschi e Breda mostram firmeza no discurso, mas algumas vezes a verborragia aproxima a montagem de um recital. Estreou em 14/11/2013. Até 7/3/2014.
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  • Realizada em outubro de 2013, a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, homenageou o Brasil. Em contrapartida, artistas e escritores convidados exibiram um país pouco divulgado no exterior. Concebido e dirigido por Felipe Hirsch, Puzzle representou o teatro no evento. A dramaturgia foca escritores contemporâneos. Como um quebra-cabeça, a montagem é dividida em três partes independentes que, ao todo, beiram sete horas de duração. Mas acredite, você se esquecerá do relógio tamanha a contundência das situações. As cenas trazem quase a íntegra dos originais literários e traduzem o inconformismo com a realidade em tons que vão do trágico ao cômico e quase sempre com um toque surreal. O público fica atônito com a crueza de algumas delas, mas rende-se à forma com que são interpretadas, principalmente pela força dos atores Felipe Rocha, Georgette Fadel, Isabel Teixeira, Luna Martinelli, Magali Biff, Marat Descartes e Rodrigo Bolzan. Puzzle A (130min), o melhor exemplo de encenação e aproveitamento do elenco, ganha o palco na quinta, às 21 horas. Prepare-se para um incômodo. Você provavelmente ouvirá coisas desagradáveis, mas que cumprem um dos papéis fundamentais do teatro, o da provocação. No melhor dos quadros, Rodrigo Bolzan personifica o policial militar do conto A Lei, de André Sant’Anna, em um exemplo de técnica que vale por mil gestos e expressões. Com a mesma contenção, o ator choca ao falar dos seus hábitos literários e da violência cometida durante as rondas. Mais leve e não menos polêmico é o inspirado monólogo de Magali Biff a respeito do conservadorismo, baseado no conto Na Fila do Correio, de Nelson de Oliveira. Puzzle B (180min), o mais surpreendente da trilogia, é cartaz na sexta e no sábado, às 20 horas. À primeira vista, parece uma leitura dramatizada do romance Sexo, de Sant’Anna. De costas, os atores instigam a imaginação da plateia em uma ácida crítica cheia de repetições de tipos e situações sobre a sociedade consumista e fútil. Puzzle C (100min) tem vez no domingo, às 18 horas, e promove um mergulho sensorial entre escritores e espectadores. Felipe Rocha e Isabel Teixeira abrem com o irônico texto No Teatro, de Veronica Stigger, que mostra o pânico de uma mulher ao entrar em um espetáculo. O poder de encenação de Hirsch atinge o auge em Vista do Rio, de Rodrigo Lacerda, e, coerente, afunda na melancolia no quadro O Puzzle, de Amilcar Bettega Barbosa. Quase nunca os espetáculos do conjunto são mera diversão. Mas o teatro, de vez em quando, deve romper os limites e fazer pensar. Estreou em 7/11/2013. Até 22/12/2013.
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  • Esqueça. O melodrama escrito por Marcos Barbosa está longe de ser apenas mais uma evocação à volta do filho pródigo. Logo, você não está diante de uma trama óbvia, inspirada em um argumento surrado e sem conexão com os dias atuais. Sob a direção de Bruno Guida, a montagem é centrada em Alzira e Antero (interpretados por Bete Dorgam e Roberto Arduin), um humilde casal que vive soterrado pelo sofrimento em uma cidade interiorana. Os dias são iguais e muito tristes. Há quase duas décadas, o único filho deles, um rapaz chamado Moacir, desapareceu de casa e jamais mandou notícias. Alzira buscou conforto na igreja, e Antero recorreu ao jogo e à bebida. Cada um deles, do seu jeito, alimenta a esperança de rever o rebento. Pois esse dia chega, e o reencontro não é exatamente como pai e mãe esperavam. A figura de Moacir (representado por Dagoberto Feliz) frustra as expectativas de ambos e, no inesperado exercício de tolerância, entra em discussão os limites do amor, da fé e da solidariedade. Diante de uma história abrangente, o diretor Bruno Guida mergulhou na raiz sentimental do tema ao reforçar as caraterísticas melodramáticas. O acordeonista Fernando Proença costura alguns diálogos com solos musicais, e a canção Mamãe, de Herivelto Martins e David Nasser, é interpretada por Bete e Lilian Blanc, que dá vida para Noélia, a madrinha de Moacir. A atuação marcada de Bete, algumas vezes associada à pantomina, também reforça esse caminho do melodrama. Mais realistas, Dagoberto Feliz e Roberto Arduin se destacam pelas emoções respectivamente contidas e extravasadas dos personagens, enquanto Lilian é um eficiente suporte para o trio. Estreou em 4/10/2013.
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  • Sob a direção de Dan Stulbach, o drama do americano David Lindsay-Abaire foi visto na cidade com os atores Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido nos papéis principais. O texto volta com o elenco reformulado. Bianca Rinaldi e Anderson Di Rizzi defendem os protagonistas, um casal que luta para refazer a vida depois de um fato inesperado: a perda do filho. Com Neusa Maria Faro, Simone Zucato e Rafael de Bona. Estreou em 21/9/2013. Até 14/6/2015.
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  • Escrita e dirigida por Antonio Rocco, a comédia dramática é ambientada na véspera do Natal de 1989. Maria (a atriz Jacqueline Obrigon) tenta convencer o marido, Miguel (papel de Antonio Destro), a fechar seu bar e passar a meia-noite na casa da irmã. Ele resiste ao convite, mas não fica só: diversos fregueses passam pelo botequim. A trama é frágil e tem um excesso de personagens, mas se beneficia com a ambientação no próprio N.Ex.T. e pode agradar, principalmente por transformar o público em figurantes, que bebem e petiscam durante a montagem. Com Javert Monteiro, Celso Melez e outros. Estreou em 25/11/2010. Até 14/12/2013.
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  • Também protagonista, Cléo De Páris concebeu a dramaturgia da montagem, dirigida por Fabio Mazzoni. No drama, uma mulher contaminada pela mordida de um vampiro delira sobre o amor. Com Eric Lenate. Estreou em 19/9/2013. Até 14/12/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO