Pós-Carnaval

Programas para a Quarta-Feira de Cinzas: cinema

Sete filmes para relaxar depois da maratona de folia

Por: Catarina Cicarelli

A Invenção de Hugo Cabret - Asa Butterfield
Asa Butterfield em 'A Invenção de Hugo Cabret': atuação brilhante (Foto: Divulgação)

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  • Ao ser lançado nos Estados Unidos, no fim de 1991, este desenho provocou um certo frenesi. Além de ter sido um dos pioneiros na utilização de computadores, que deram efeito tridimensional à cena do baile, foi a primeira animação da história a concorrer ao Oscar de melhor filme — perdeu para O Silêncio dos Inocentes, mas saiu da cerimônia com os troféus de melhor trilha sonora e melhor canção. Vinte e cinco anos depois, a fita retorna aos cinemas, agora em cópias em 3D. A história trata de um príncipe arrogante que ganha aparência monstruosa por causa de um feitiço. Para voltar a ser o belo moço de antes, terá de conquistar o amor de uma mulher. Feita prisioneira no castelo da Fera, a jovem Bela esbanja charme e simpatia para dobrar o durão. Os traços à moda antiga de A Bela e a Fera podem parecer ultrapassados diante de trabalhos novos tecnicamente mais impressionantes. Contudo, a graça dos personagens secundários, o clima de fábula e fantasia e o romance dos protagonistas continuam encantadores. Reestreou em 3/2/2012.
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  • Nas duas categorias em que concorria no Oscar 2012, este drama foi merecidamente premiado. Meryl Streep, em sua 17ª indicação (mais um recorde!), Finalmente conquistou sua terceira estatueta — a segunda de melhor atriz. E a maquiagem, tão importante na composição da personagem, foi igualmente laureada. Além da magnífica atuação da estrela na pele de Margaret Thatcher (1925-2013), se mostram surpreendentes a direção da inglesa Phyllida Lloyd (do decepcionante musical Mamma Mia!) e o roteiro de Abi Morgan (de Shame). Nele, Abi não se deteve numa biografia convencional: preferiu recorrer às lembranças da ex-primeira-ministra britânica sob o ponto de vista dela. A trama alterna passado e presente. Flagra Thatcher ainda na juventude (vivida por Alexandra Roach) como uma impulsiva estudante que, em 1959, se elege parlamentar. Em sua escalada política, vira líder do Partido Conservador em 1975 e, quatro anos depois, tornase primeira-ministra, a única mulher nesse cargo na Inglaterra. Suas polêmicas ações no poder também são rememoradas no vaivém da narrativa. No tempo atual, a protagonista, já envergada pela idade, é tomada por lapsos de memória. Tanto na maturidade quanto na velhice da personagem, Meryl mostra uma interpretação extraordinária. Estreou em 17/02/2012.
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  • Assim como a comédia francesa “O Artista”, esta aventura juvenil também faz uma bela homenagem ao cinema mudo. O longa-metragem, adaptado do livro homônimo de Brian Selznick, prima por um visual de época esplêndido. Depois de uma magnífica abertura sem diálogos, a história demora um pouco a chegar ao tema central. Na trama, Hugo Cabret (Asa Butterfield), um menino órfão, mora numa estação de trem na Paris da década de 30. Vivendo de furtos e dormindo no pavimento dos grandes relógios do local, sempre consegue escapar de um inspetor (Sacha Baron Cohen). Seu pai (Jude Law) deixou-lhe um caderninho com instruções para fazer um robô funcionar. Mas, ao ser capturado pelo velho Georges (Ben Kinsley), dono de uma loja de brinquedos, Hugo tem o objeto confiscado. Contando com a ajuda da sobrinha de Georges (papel de Chloë Grace Moretz), o protagonista embarca numa missão para desvendar alguns mistérios. Scorsese faz aflorar seu lado cinéfilo e, além de imagens dos filmes de Buster Keaton, Charles Chaplin, Harold Lloyd e até dos irmãos Lumière, precursores do cinema, o realizador traz à tona de forma tocante o fim da vida (ficcional) do diretor Georges Mèliés (1861-1938). Usar a técnica 3D em clássicos de Mèliés, como o ousadíssimo "Viagem à Lua" (1902), é algo tão genial que só poucos cineastas, como este inquieto realizador, poderiam imaginar e pôr em prática. Estreou em 17/02/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A Academia de Hollywood soube reconhecer: a maior atração do drama é a atuação de suas atrizes. Viola Davis ganhou o prêmio do sindicato, mas perdeu o Oscar de melhor atriz para Meryl Streep ("A Dama de Ferro"). Na categoria de coadjuvante, entre a negra Octavia Spencer e a branca Jessica Chastain, a primeira foi vencedora. Adaptado do livro "A Resposta", de Kathryn Stockett, o longa-metragem traz à tona um registro humano da convivência entre brancos e negros no racista estado do Mississippi da década de 60. A jovem repórter Skeeter (Emma Stone) deseja tornar-se escritora e arranja um assunto bombástico para seu primeiro livro. Às escondidas, ela quer entrevistar domésticas e babás negras para relatar algumas das desagradáveis experiências vividas por elas junto aos patrões. A primeira a ajudá-la é Aibileen (Viola). Em seguida, Skeeter consegue o depoimento da explosiva Minny (Octavia). Além de as histórias delas ficarem aquém do esperado, o enredo enfoca a vida fútil das dondocas brancas recorrendo a clichês. Estreou em 03/02/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A trilogia de livros do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004) já havia sido adaptada pelo cinema de seu país. No Brasil, só foi lançado em 2010 o primeiro longa-metragem, que deu origem a esta refilmagem americana dirigida por David Fincher ("A Rede Social"). Quem viu o original vai notar pequenas alterações, sobretudo no desfecho. Contudo, a estrutura narrativa do drama policial está intacta. Embora o filme tenha um epílogo esticado e uma resolução mais morna do que a da fita sueca, Fincher tem timing e faro para envolver a plateia. Sabe-se lá o motivo, mas a história continua ambientada na Suécia e com atores falando inglês. Daniel Craig vive Mikael Blomkvist, um repórter que caiu em desgraça após ter sido processado por um empresário, difamado por ele na revista Millennium. A fim de sair de cena por um tempo, ele aceita uma missão investigativa: contratado pelo rico industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), o jornalista deverá descobrir o paradeiro de Harriet, uma sobrinha dele, desaparecida quando tinha 16 anos na década de 60. Tateando em terreno misterioso e inseguro, cercado por dissimulados familiares de Vanger, Blomkvist vai precisar de ajuda. Quem deve socorrê-lo é Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma hacker tatuada, lésbica e de comportamento inconstante. Indicado a cinco prêmios no Oscar, ficou com o de melhor montagem. Estreou em 27/01/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A trajetória de prêmios desta comédia dramática começou no Festival de Cannes em 2011, onde Jean Dujardin levou o troféu de melhor ator. As grandes consagrações ocorreram com o César (o principal prêmio francês) de melhor filme e melhor direção, a fita faturou as estatuetas nas mesmas categorias no Oscar, além de também ter sido laureada em melhor figurino, trilha sonora e, novamente, ator. O feito vai entrar para a história como o primeiro filme de língua não inglesa a ganhar os principais prêmios. Motivo: trata-se de uma produção franco-belga, sem diálogos e em preto e branco numa época em que a barulheira, a ação e o cinema 3D dominam o cenário. Mas o que pode parecer monótono ganha interesse a cada minuto. Um roteiro muito simples, com alguns intertítulos e conduzido apenas pela bela música de Ludovic Bource, é desfiado com delicadeza. Nele, enfoca-se a trajetória de George Valentin (Dujardin). Astro de filmes mudos na Hollywood de 1927, Valentin, embora casado, se vê atraído pela dançarina e aspirante a atriz Peppy Miller (a graciosa Bérénice Bejo). A chegada do cinema falado, porém, trará um revés ao destino dos dois. Sem grandes pretensões nem voos altos, o diretor e roteirista Hazanavicius faz uma encantadora homenagem ao cinema, usando referências (talvez a maior delas seja ao clássico “Cantando na Chuva”) e desprezando firulas visuais e artifícios narrativos. Estreou em 10/02/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Espécie de continuação de “Viagem ao Centro da Terra” (2008), esta aventura infanto-juvenil tem menos efeitos saltando da tela (nas cópias em 3D), mas mantém o clima de matinê do filme anterior. Na trama, Josh Hutcherson (o garoto de “ABC do Amor”), crescido e candidato a galã das adolescentes, interpreta Sean Anderson, um rapazote fascinado por literatura graças ao incentivo de seu avô desaparecido (Michael Caine). Às voltas com um pedido de ajuda cifrado, Sean ganha o apoio do padrasto (Dwayne Johnson) para decodificá-lo. Sobrepondo os mapas encontrados nos romances “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift, “A Ilha Misteriosa”, de Julio Verne, e “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson, a dupla localiza o enigmático pedaço de terra no meio do Pacífico Sul. Eles se mandam para lá e, acompanhados de um piloto destrambelhado (Luis Guzmán) e da filha gatinha dele (papel de Vanessa Hudgens), são tragados dentro de um helicóptero para o olho de um furacão. O grupo acaba em uma ilha habitada por minielefantes, abelhas e lagartos gigantes. Esquemático, o roteiro se vale de frases feitas e soluções simplistas. Mas será que a criançada se liga em diálogos quando a fantasia rola solta na tela? Forrada de efeitos visuais atraentes, a história indica: ler livros dá asas à imaginação, um bom conselho para a meninada da era do videogame e da internet. Estreou em 03/02/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO