Mobilidade

Primeira "ciclopassarela", na Casa Verde, começa com bom funcionamento

Convivência é razoável entre ciclistas, pedestres e motoristas nos horários de pico da manhã e da tarde, com ou sem ajuda de agentes da CET

Por: Juliana Deodoro e Luisa Coelho - Atualizado em

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Lombofaixa auxilia travessia de pedestres e ciclistas em alça de acesso na Ponte da Casa Verde (Foto: Fábio Vieira/Folhapress)

As pontes sobre os rios Tietê e Pinheiros são a mais nova fronteira a ser rompida na expansão de ciclovias na capital. A prefeitura pretende instalar os corredores especiais para bikes em doze das 28 pontes da cidade.

Com 600 metros de extensão, a chamada "ciclopassarela" de mão dupla inaugurada no dia 4 de novembro na Ponte Jornalista Walter Abraão, mais conhecida como Ponte da Casa Verde, é a primeira da lista.

Nesta semana, VEJA SÃO PAULO esteve no lugar em dois horários diferentes para aferir o funcionamento: no pico de trânsito do início da noite de quinta (13), durante uma hora, e na manhã de sexta (14), por duas horas. A conclusão é que o sistema está funcionando bem.

Colabora para isso o fato de o movimento dos ciclistas ainda não ser muito grande. Se em alguns momentos chegam a passar três ou quatro seguidos, há períodos de alguns minutos sem qualquer bicicleta na área.

As faixas para ciclistas (em vermelho) e pedestres (em azul) foram pintadas em paralelo à passagem dos carros. Ambos cruzam a via em apenas um momento, em alça de acesso à Marginal Tietê, por meio de uma "lombofaixa" (trecho elevado).

Não há semáforo - ou seja, é preciso atenção para fazer o cruzamento. Mas existe umo facilitador: agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foram recrutados para monitorar presencialmente esse trecho, em determinadas horas do dia, especialmente pela manhã.

Ciclovia em lombofaixa, na Ponte da Casa Verde
O Secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, na ciclopassarela da Ponte da Casa Verde (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)

A Ponte da Casa Verde é a segunda mais movimentada da cidade (atrás apenas da Ponte das Bandeiras). Na visita noturna da reportagem, mesmo sem os marronzinhos, o fluxo era organizado - nesse horário, o trânsito ali é bem mais leve.

Opinião de quem frequenta

Os ciclistas e pedestres ouvidos atestam que a ciclopassarela funciona bem.

O ator Adriano Carmona, de 39 anos, que há vinte anos faz de bicicleta a travessia da ponte, comemorou: "Sempre levei muitas fechadas por parte dos carros. Estou me sentindo mais seguro."

A costureira Maucilena Figueiredo, de 53 anos, tem impressão semelhante: “Os carros param assim que a gente chega na faixa. Ficou ótimo.”

A percepção não é unânime. Entre os motoristas, há os que reclamam. Uma nota do jornal Agora São Paulo, sob o título "Ciclovia da ponte da Casa Verde congestiona Marginal", mostrou outro ponto de vista: o dos carros que precisam parar para a travessia.

Ciclovia Ponte da Casa Verde
Marronzinho faz o controle do trânsito na alça de acesso da via: serão doze ciclopassarelas em pontes da cidade (Foto: Juliana Deodoro)

Meta de 400 quilômetros de ciclovias

Com a novidade, a cidade passou a contabilizar 106,5 quilômetros de ciclovias implantadas pela atual gestão. Até o fim de 2015, a prefeitura quer elevar esse número para 400 quilômetros. 

Na quinta (13), em Higienópolis, a ciclovia da Praça Vilaboim começou a ser apagada após pressão de comerciantes locais. A CET admitiu que o traçado da região era falho e decidiu refazê-lo na parte esquerda, no curso da Rua Aracaju.

Fonte: VEJA SÃO PAULO