Religião

Padre conhecido como Elvis atrai mais de 1 000 fiéis por missa

Carismático e com um visual que lembra o rei do rock, o sacerdote é o novo fenômeno católico da cidade; ele acaba de lançar um CD para terminar a construção de igreja no Butantã

Por: Jussara Soares

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 Toda quinta-feira, a empresária Silvia Cristina Souza Lima, de 42 anos, sai de casa, na Freguesia do Ó, pontualmente às 17 horas e percorre 17 quilômetros até o Rio Pequeno, no Butantã. A missa da Paróquia Santíssima Trindade só começa às 20 horas, mas é preciso chegar com bastante antecedência. “Quem se atrasa fica em pé ou nem entra”, explica. Ela frequenta o local desde 2011 e afirma ter sido libertada das dores da alma causadas pela depressão. Nas celebrações na Zona Oeste dedicadas à cura e à libertação, mais de 1 000 pessoas se espremem na igreja, com espaço para 650 fiéis sentados. Muitos ficam de pé nos corredores e há quem acompanhe  tudo da rua. O responsável por esse novo sucesso  católico de público na capital é Marcos Roberto Pires, de 45 anos, mais conhecido por seu rebanho como o padre “Elvis”. A razão para o apelido é o estilo do religioso, com direito a topete, sem um fio grisalho fora do lugar, costeleta e vozeirão e desenvoltura para cantar louvores dignos do rei do rock.

Durante aproximadamente duas horas, Marcos Roberto parece uma versão mais agitada do padre Marcelo, referência por aqui na arte de incrementar a missa com músicas e danças agitadas. O sacerdote do Butantã, de microfone na mão, abre os trabalhos apresentando cerca de seis músicas, com a multidão reproduzindo os gestos das suas coreografias. “Se é para louvar, eu fico louco”, diz ele, em um dos hinos. Na frente, um grupo de jovens pula abraçado durante o louvor. A performance do sacerdote é digna da alcunha que recebeu. O “Elvis” de batina não para um minuto. Ergue as mãos ao céu, remexe-se e faz caras e bocas como se encarnasse mesmo uma versão católica do ídolo americano. “Cantar é rezar duas vezes”, justifica o padre, citando Santo Agostinho. Um de seus ajudantes nessa hora é o vendedor Fábio Menegato, de 39 anos. “Ele é acolhedor e revestido do Espírito Santo”, elogia.

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Quando termina o repertório musical, o padre dá início à liturgia. O momento é sério e Marcos Roberto muda radicalmente o comportamento. Na homilia, aborda temas como os transtornos da   vida na grande metrópole, sempre no tom coloquial (há duas semanas, por exemplo, recorreu à palavra “porrada” como sinônimo de provações). Em determinado momento, concentra forças para expulsar dali o Satanás. De semblante fechado, percorre o ambiente com a cruz em mãos. Algumas pessoas passam mal e caem sobre bancos. Uma mulher precisa ser segurada por seis pessoas. Aos domingos, quando reza três missas (às 8h, 10h e 18h30), só que seguindo um padrão mais tradicional, o clima costuma ser mais tranquilo e o público, menor. Ao término da última delas, coloca-se à porta da paróquia para atender os que formam fila no local. Abraça os fiéis e abençoa as fotos levadas por eles. “O papa Francisco diz que o pastor precisa ter o cheiro de suas ovelhas. Também gosto de estar perto do povo”, afirma.

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Santíssima Trindade
A paróquia, na Zona Oeste: a nova igreja foi construída para abrigar público do padre (Foto: Mário Rodrigues)

Quando assumiu a Santíssima Trindade, há quatro anos, a paróquia comportava 220 pessoas. Na base da propaganda boca a boca, o público foi crescendo de forma rápida. Logo o espaço se tornou pequeno e acabou sendo desativado. Ao lado, foi erguida a atual igreja, cuja inauguração ocorreu há pouco mais de um ano. Na última quarta (10), o padre lançou no lugar seu primeiro CD. Com o título Eu Vou por Amor, foi gravado de forma independente, com canções católicas  clássicas e apenas duas músicas inéditas. O disco começou a ser vendido na igreja por 23 reais, e o dinheiro será usado para finalizar a obra do templo,  que ainda carece de acabamento na parte externa e na decoração. No interior, tirando a cruz no altar, não há outras imagens sacras. Ao avisar aos fiéis que o álbum estava quase pronto, Marcos Roberto brincou: “Em um só CD vocês vão levar um misto de Elvis Presley, Fábio Junior e Sidney Magal”. Do meio do público, a aposentada Maria Raimundo, de 60 anos, gritou: “Eu quero um DVD. O senhor tem de ir para a televisão”.

Fiel Silvia Lima
A fiel Silvia Lima, que chega com duas horas de antecedência à celebração: "Quem se atrasa não consegue entrar" (Foto: Mario Rodrigues)

 

Embora não fique muito confortável em ser conhecido dessa forma, padre “Elvis” confessa ter realmente uma queda pelo cantor americano. Sua lembrança mais antiga remonta aos 8 anos de idade, quando ouviu pela TV a notícia da morte do astro, em 16 de agosto de 1977. Ainda na infância, começou a colecionar discos e a ver filmes estrelados pelo rei do rock. Mais tarde, o interesse cresceu ao tomar contato com as gravações gospel do músico.  Mas Marcos Roberto diz que a admiração para por aí. “Não sou um imitador dele e não entendo o porquê de tanta comparação”, jura. O cabelo volumoso seria uma graça divina a serviço da evangelização. Não precisa ser penteado estrategicamente para parecer com o do ídolo.

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Como os fios são grossos, basta passar a mão para ajeitá-los. Garante que não faz escova nem passa creme. “Deus dá dons para atrair os fiéis. Se minha estética ajuda, que as pessoas venham e encontrem a  espiritualidade e a fé. Mas não é um show do Elvis”, avisa. De acordo com os especialistas no assunto, gente como Marcos Roberto ajuda a Igreja Católica a combater a perda de fiéis  para os evangélicos e a indiferença religiosa na metrópole. “Ter padres que consigam atrair multidões sem ser celebridades é uma dádiva”, diz o teólogo Jorge Claudio Ribeiro, da PUC-SP.

Filho de um tapeceiro e de uma dona de casa, Marcos Roberto é um paulistano criado no bairro da Vila Santa Maria, na Zona Norte. Aos 22 anos, frequentava o grupo de jovens da igreja da região, mas não pensava em virar padre. “Eu sonhava em transmitir a palavra de Deus, mas como um pai de família”, conta. A vocação religiosa apareceu muito tempo depois. Essa mudança ocorreu em 2001, após romper um relacionamento de cinco anos com uma garota. Ao começar os estudos no seminário, avisou aos superiores que nunca tinha roubado, matado ou usado drogas, mas havia sido muito namorador. “Tive experiência com várias mocinhas. Então sei a questão do afeto, do namoro e das tentações”, confessa.

O desejo de vestir a batina veio justamente quando começou a se preparar para o casamento, ao ficar noivo diante de 40 000 pessoas no palco de um acampamento da comunidade católica da Canção Nova, em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba. A decisão, maturada ao longo de dois anos, foi tomada com a ajuda do padre Alex Hernan Bodero Coelho (morto em 2013) e do monsenhor Vicente Ancona, vigário regional da prelazia do Opus Dei no Brasil. “Eu sabia que não a estava fazendo feliz. Nem eu estava feliz, apesar de gostar muito dela”, lembra Marcos Roberto. Depois disso, ele nunca mais teve contato com a ex.

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Para abraçar o sacerdócio, o padre abdicou também da carreira de professor. Antes havia trabalhado como motoboy, office-boy e analista de fotolito. Formado em geografia pelas Faculdades Integradas Teresa Martin e pós-graduado pela PUC-SP, lecionou por sete anos em escolas particulares e públicas da Zona Norte. No Colégio Centenário, na Casa Verde, onde deu aula no fim dos anos 90 para estudantes do ensino médio do período noturno, era respeitado pela turma e pelos colegas. “Ele era bonitão, mas não era uma pessoa que queria chamar atenção”, lembra a diretora da escola Rosina D’Asti Ventura. Ao descobrir, recentemente, que Marcos Roberto havia se tornado sacerdote, ela não ficou surpresa. “Marcos já era muito certinho.” O dom da palavra, no entanto, surpreendeu a mãe do padre, a dona de casa Almerinda de Jesus Quintal Pires, de 67 anos. “Ele era tímido e gago”, revela.

Arquivo Padre
Antes de abraçar o sacerdócio, Marcos Roberto foi professor de geografia por sete anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar do sucesso recente e do lançamento de um CD, Marcos Roberto quer continuar levando sua vida pacata, dividindo-se entre o trabalho na paróquia e as visitas aos doentes no bairro do Butantã.   Para conseguir fôlego para as nove celebrações semanais que realiza, ele frequenta a academia quatro  vezes por semana; lá, corre e faz musculação. Só não revela onde é. “Até Jesus precisava de um momento sozinho”, desconversa. Nas horas vagas, torce pelo Palmeiras. Queixa-se de que Deus não andou ouvindo suas orações nessa área e sofreu até a última rodada do Campeonato Brasileiro para ver o alviverde escapar do rebaixamento. Mas nunca perdeu a fé. Aos torcedores que andavam aflitos com a situação, costumava dizer, parafraseando Jesus: “Não tenha medo, eu venci o mundo”.

Padre Marcos
O carismático padre Marcos Roberto Pires lançou o primeiro CD "Eu vou por Amor" no dia 10 de dezembro. Venda será revertida para terminar construção da igreja (Foto: Fernando Moraes)

Fé, Palmeiras e musculação

Alguns dados pessoais e curiosidades sobre o sacerdote

Nome: Marcos Roberto Pires

Idade: 45 anos

Naturalidade: nasceu na capital e cresceu na Vila Santa Maria, na Zona Norte

Família: o pai, morto em 2005, era tapeceiro e a mãe é dona de casa. Tem três irmãos (é o segundo mais velho; nenhum deles entrou para a vida religiosa)

Sacerdócio: entrou para o seminário em 2003 e foi ordenado padre em 2007

Paróquia: Santíssima Trindade, na Avenida Marechal Fiúza de Castro, 861, no Butantã

Fiéis: mais de 1 000 pessoas nas missas de cura e libertação, às quintas-feiras. Aos domingos, celebra três missas com cerca de 800 pessoas em cada uma

Hábito: visitar doentes da região do Butantã e abraçar fiéis após as missas de domingo

Música: acaba de lançar o primeiro CD, Eu Vou por Amor (23 reais). A verba será usada para finalizar a construção da paróquia

Mentores espirituais: padre Alex Hernan Bodero Coelho (morto em 2013) e monsenhor Vicente Ancona, vigário regional da prelazia do Opus Dei no Brasil

Antes da igreja: perdeu a conta de quantas namoradas teve e foi noivo por dois anos e meio. Terminou o relacionamento para virar padre

Profissões: foi professor de geografia em escolas particulares e em colégio público por sete anos, motoboy, office-boy e analista de fotolito

Hobbies: futebol, ouvir música e ver filmes clássicos

Time: Palmeiras

 Atividades físicas: corre e faz musculação quatro vezes por semana

Elvis e ele: tornou-se fã do rei do rock aos 8 anos, quando ouviu Cid Moreira noticiar a morte do cantor pela televisão. Passou a ver seus filmes e colecionar discos. Sua música preferida do astro é Suspicious Minds

Vaidade: diz ser privilegiado com o cabelo farto e grosso. Uma ajeitadinha, segundo ele, é suficiente para deixá-lo com topete

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    Marcel

    Rua Da Consolação, 3555, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3064 3089

    VejaSP
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    De uma maneira mais moderna, o chef Raphael Durand Despirite segue a tradição de cozinha iniciada por seu avô, o chef e confeiteiro Jean Durand (1912-1994), que comprou o Marcel em 1969. Além de fazer suflê de queijo gruyère (R$ 51,00) e da porção de escargot (R$ 49,00), que se eternizaram no cardápio, o titular lançou o ravióli fresco de alho-poró ao molho de cogumelo seco (R$ 58,00) e o cordeiro desfiado e crocante por fora sobre feijão- branco com linguiça (R$ 65,00). Clássicos e ótimos profiteroles (R$ 23,00) arrematam. No jantar, há um menu completo a preço fixo por R$ 85,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Noname Boteco

    Rua dos Pinheiros, 585, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 2329

    VejaSP
    5 avaliações

    A aparência desleixada, com paredes pichadas, faz parte da identidade do bar. Tocado pelos primos sul-coreanos Ryan e JaeKim, também donos da hamburgueria Butcher’s Market, o lugar é frequentado por uma galera que muitas vezes prefere a calçada ao salão na hora de beber. O acervo etílico se apoia em drinques tradicionais feitos no capricho, como apple martíni (R$27,00), negroni (R$ 27,00) ou mesmo um prosaico rabo de galo (R$ 25,00), mas hátambém o leve chope Amstel (R$ 9,00). Quando a fome bate, recorre-se ao escondidinho de carne-seca com mandioquinha (R$ 29,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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    Original

    Rua Graúna, 137, Moema

    Tel: (11) 5093 9486

    VejaSP
    5 avaliações

    Um dos grupos gastronômicos mais importantes do país, a Cia. Tradicional de Comércio abriu o primeiro negócio há exatos vinte anos em Moema. Nascia o Original, um bar que homenageia diversos endereços boêmios da capital e foi muito copiado por aí. É famoso pelo ótimo chopinho Brahma (R$7,90), tirado com os regulamentares três dedos de colarinho cremoso. Na hora de comer, peça o sanduba de pernil desfiado no pão macio de mandioquinha com cebola, pimentão, queijo provolone e um ovo de gema mole (R$ 32,00). Uma saladinha de repolho e um montão de batatas chips são os acompanhamentos.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Criado em 2002, o grupo paulistano Nhambuzim explora o universo musical e cultural do Brasil em suas canções. O mais recente disco, Bichos de Cá (2015), é a versão do livro homônimo escrito por Edson Penha (voz) e Xavier Bartaburu (piano), também integrantes da companhia. Ao lado deles se apresentam outros cinco músicos: André Oliveira (percussão), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz e violão), Rafael Mota (percussão) e Sarah Abreu (voz). A banda chega com roupas coloridas feitas a partir de retalhos e demonstra uma ótima sincronia. Ao vivo, seus integrantes dão vida à fauna e aos ritmos brasileiros, o que faz do show um evento divertido e igualmente didático. No compasso do maracatu, a primeira canção do álbum, Jabuti no Jatobá, narra a história do réptil terrestre que descansa embaixo da sombra de uma árvore. A dança coco, típica do Norte e Nordeste, embala a letra de O Buraco do Tatu. Numa pegada parecida com a do sertanejo de raiz, a faixa Ta-ta-tamanduá é tocada com uma viola. São apresentados ainda carimbó, lundu, jongo, folia de reis, congada e outros. À vontade com as crianças, Sarah Abreu utiliza sua potente voz para contar pequenos relatos antes de cada número. No caso de O que É, o que É?, a cantora faz charadas para a atenta plateia, que responde rapidamente às perguntas, num dinâmico e saboroso jogo. Até 31/1/2015.
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  • Em uma pequena sala escondida no andar reservado ao acervo da Pinacoteca do Estado, estão reunidas as primeiras fotografias a integrar a coleção do museu. Feitas por Cristiano Mascaro na década de 70 a pedido da então diretora da instituição, Aracy Amaral, elas compõem a mostra Cristiano Mascaro e a Série Bom Retiro e Luz. São 48 ampliações em branco e preto que trazem o entorno do museu para dentro do espaço expositivo. Trata-se de um dos primeiros ensaios produzidos pelo arquiteto de formação, que iniciou a carreira como fotojornalista e tornou-se conhecido por clicar cenas cotidianas e paisagens urbanas, muitas delas paulistanas. Personagens e estabelecimentos que ainda fazem parte da região, como as comunidades judaicas, as lojas de noivas e a estação de trem, aparecem nas imagens. A espontaneidade com que o artista capta os retratados é um dos pontos altos do conjunto, assim como as evidentes composições geométricas de alguns ambientes. Uma seleção que vale tanto  pela beleza das obras quanto pelo registro histórico. Até 22/2/2015. 
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  • Museus

    Masp

    Avenida Paulista, 1578, Bela Vista

    Tel: (11) 3149 5959

    VejaSP
    16 avaliações

    O mais importante museu da América Latina reúne 8000 obras em seu acervo, a maior coleção de arte europeia fora do continente e dos Estados Unidos. Quadros emblemáticos de Van Gogh, Renoir, Rembrandt, Monet, Manet, Picasso, Modigliani impressionam qualquer pessoa que passa por lá. A coleção, porém, vai muito além disso: tem núcleos dedicados à arte brasileira, moda, arqueologia, fotografia, entre outros. Desde o segundo semestre de 2014, a instituição tem como presidente o empresário Heitor Martins, que convidou Adriano Pedrosa para ser o diretor artístico da instituição. Atualmente, o Masp tem passado por uma fase de grandes mudanças em sua programação, conselho, café, loja e estrutura.

    Sua mais importante mudança é a volta dos cavaletes de vidro a partir de dezembro de 2015. Eles foram criados pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, também autora do projeto do atual prédio da instituição, na Avenida Paulista, inaugurado em 1969. Por si só, a construção de vidro e concreto aparente, é um desenho único; e seu vão-livre, uma referência para todo o mundo. Para expor os quadros que estavam sendo, então, garimpados pelo empresário Assis Chateaubriand e crítico Pietro Maria Bardi, Lina criou cavaletes presos a blocos de concreto, de maneira que, dependurados, os quadros "flutuam". Em 1996, durante a gestão de Julio Neves, a expografia foi derrubada, e substituída por paredes tradicionais.

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  • Escrita e dirigida por Evill Rebouças, a tragicomédia O Desvio do Peixe no Fluxo Contínuo do Aquário foi elaborada em um ano de pesquisas e ensaios. Tamanha dedicação é visível na montagem da Cia. Artehúmus de Teatro em vários acertos, mas principalmente no conjunto de ousadias narrativas. O tema é duro, mas quase nunca pesa. São cinco personagens que, sem se dar conta, enfrentam uma solidão imensa. O casal João Paulo (papel de Edu Silva) e Dalva (Solange Moreno) troca juras de amor o tempo inteiro, mas não consegue concluir uma conversa. Nem mesmo o filho Téo (o ótimo Daniel Ortega), um garoto que começa a enxergar as dificuldades da vida, centraliza a atenção deles. A outra filha, Anamélia (Natália Guimarães), ficou noiva de um colombiano pela internet, mas ninguém o conhece. O porteiro do prédio (Cristiano Sales) completa a lista de personagens. Para aproximá-los do público, o diretor promove um diálogo direto dos atores com a plateia. Téo é o narrador e todos fazem interações sutis sem perturbar o espectador. Um intervalo para um café, por exemplo, em que os intérpretes mostram fotos pessoais e da peça é feito sem quebrar o ritmo da ação. Nesse constante vaivém entre o real e a ficção, o denso final resulta carregado de lirismo e incentiva uma reflexão sobre o individualismo na sociedade. Estreou em 29/9/2014. Até 18/12/2014.
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  • Em outubro de 2001, a atriz e diretora Grace Gianoukas idealizou um projeto humorístico composto de solos de diversos comediantes. Em poucas semanas, a Terça Insana gerou um entusiasmado boca a boca — e, desde lá, foram mais de 2 200 apresentações em palcos paulistanos e do restante do país, 400 espetáculos diferentes, dois registros em DVD e 500 personagens. Disposta a investir em novos formatos, a encenadora decretou o fim da Terça Insana e preparou uma turnê de despedida, Adiós, Amigos, que ocupa o Teatro Bradesco de sexta (19/12) a domingo (21/12/2014). Dez atores que já passaram pelo projeto, como Luis Miranda, Marco Luque, Arthur Kohl e Roberto Camargo, foram convidados para participações. Tipos memoráveis para os fãs da montagem marcarão presença no roteiro, entre eles a mal-humorada Mulher-Limão e a diva viciada em Lexotan Aline Dorel, duas impagáveis criações de Grace.   Leia entrevista com Grace Gianoukas sobre o fim da "Terça Insana".
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  • Pelo terceiro ano consecutivo, o Sesc Santana realiza o bem sacado projeto Rotações, com releituras de discos quarentões. Depois de abrigar tributos a Neil Young, Miles Davis, Bill Withers e Caetano Veloso em 2012 e Secos & Molhados, Pink Floyd, Bob Marley e Nelson Cavaquinho no ano passado, o espaço recebe quatro versões na íntegra de álbuns lançados em 1974. Na quinta (18), Emicida aproxima o rap do samba interpretando Cartola, estreia do carioca lançada quando ele já tinha 66 anos. Águas de Março, Corcovado e Inútil Paisagem estão no roteiro da cantora paulistana Luciana Alves, que dá roupagem diferente às canções de Elis & Tom junto do Marco Pereira Trio na sexta (19). O Terno ocupa o terceiro dia da programação e mostra um dos discos brasileiros mais cultuados daquele ano: Lóki?, de Arnaldo Baptista. No dia seguinte, a banda Los Sebosos Postizos, formada por quatro integrantes do Nação Zumbi, relembra A Tábua de Esmeralda, obra-prima de Jorge Ben Jor (da época em que ele era ainda apenas Jorge Ben). Vale o alerta: as entradas para as exibições de Emicida e Los Sebosos Postizos são as mais disputadas. Dias 18, 19, 20 e 21/12/2014.
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  • As boas ideias de A Desolação de Smaug (2013), a segunda parte da trilogia, se dissolvem no desfecho da saga. O início da aventura, indicada ao Oscar de melhor edição de som, é bastante promissor, ágil e eletrizante. Expulso da montanha de Erebor, o dragão Smaug espalha o ódio em labaredas pela Cidade do Lago. Os moradores fogem de suas casas incendiadas e ficam desalojados. Mas um deles, Bard (Luke Evans), consegue derrotar o inimigo, torna-se líder do grupo e vai exigir do rei Thorin (Richard Armitage) parte de seu tesouro para ajudar o povo a se reerguer. Ao lado dos outros anões, Thorin retomou o reino e mostrou a face da ambição desmedida. Caberá ao hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) fazer justiça. Para preencher mais de duas horas de duração, o realizador usa um recurso manjado: pouco diálogo e muitas cenas de batalha. Há alguns conflitos interessantes (sobretudo a mudança de caráter do rei) e um momento final capaz de emocionar os fãs de O Senhor dos Anéis, também inspirado em livro de J.R.R. Tolkien. Até lá, contudo, dá-lhe sequências dispensáveis, só para, como se diz vulgarmente, encher linguiça. Estreou em 11/12/2014.
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  • Em 1996, cai no colo de Gary Webb (Jeremy Renner), repórter do pequeno jornal San Jose Mercury News, uma notícia-bomba: na década de 80, a CIA teria ajudado traficantes da Nicarágua a entrar com drogas nos Estados Unidos e disseminar o crack por uma das regiões mais pobres de Los Angeles. O bom profissional vai fundo na investigação sem temer as consequências e, apoiado pelo editor, publica o artigo. Essa história virou um longa-metragem cuja denúncia, até hoje, é alarmante. Levada em clima de tensão crescente, a trama ainda traz imagens daquela época, incluindo, nos créditos finais, cenas reais do protagonista, que teve um desfecho de vida infeliz. Estreou em 11/12/2014.
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  • Em meados da década de 30, Aracy Moebius de Carvalho saiu do Brasil com um filho pequeno a fim de morar na Alemanha. Encontrou o país tomado pelo nazismo e, em Hamburgo, passou a trabalhar no setor de passaportes do consulado brasileiro, onde conheceu seu futuro marido, Guimarães Rosa. Não se sabe ao certo quantos judeus Aracy ajudou a fugir de lá. Infringindo ordens e leis (o governo de Getúlio Vargas vetou a eles o visto de permanência) e de uma coragem extrema, essa mulher virou tema do documentário dirigido pelo ator Caco Ciocler. A pesquisa durou dois anos e foram feitas locações no exterior, incluindo Jerusalém e Sydney. De origem judaica, Ciocler acerta na simplicidade, no afeto e na tonalidade emocional ao narrar, literalmente, a trajetória de Aracy, que morreu em 2011, aos 102 anos. Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas, é, sim, citado em várias passagens. Mas a esposa, sem viver à sombra do marido, teve também uma importância histórica, conforme demonstram os registros. O filme presta homenagem nos créditos ao político Plínio de Arruda Sampaio, um dos entrevistados, morto em julho deste ano. Estreou em 11/12/2014.
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  • Prodígio, o diretor canadense Xavier Dolan tem 25 anos e já contabiliza cinco longas-metragens no currículo. Seu mais recente trabalho, Mommy, ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2014 e tornou-se o candidato do Canadá a uma vaga ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. Dolan possui domínio técnico e cênico invejável, além de um ouvido sensível para misturar, na trilha sonora, Céline Dion, Oasis e Lana Del Rey. Bastante ousado, o realizador faz aqui algo incomum: na maior parte do tempo, o filme é projetado em formato de tela vertical. Há um sentido para isso: mostrar o sufocante convívio de mãe e filho. Hiperativo, o adolescente Steve (Antoine-Olivier Pilon) saiu de uma instituição pública por agredir um interno. Volta, assim, a morar com Diane (Anne Dorval), uma mulher que, a duras penas, tenta fazer dele uma pessoa menos agitada, embora ela própria tenha uma natureza histérica. A intensa relação de amor e ódio ganha certa trégua com a chegada de Kyla (Suzanne Clément). Essa vizinha gaga, recém-saída de uma tragédia pessoal, entra na vida deles e, de mansinho, consegue trazer harmonia ao caos afetivo. Estreou em 11/12/2014.
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  • Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) era merecedor de um filme sobre sua trajetória artística e pessoal. O longa-metragem em questão, dirigido por Geraldo Motta Filho, não consegue, porém, transmitir nem uma coisa nem outra. A ambição de abarcar cinquenta anos de história usando os mesmos atores também é um equívoco porque traz à tona uma maquiagem de envelhecimento medonha. Em 1938, o sergipano Rosário (Flávio Bauraqui) chega à Colônia Psiquiátrica Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, com diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Ele se considera Jesus e, como filho de Deus, começa a produzir mantos bordados e estandartes, sempre contando com a colaboração e o respeito do segurança Wanderley (Irandhir Santos). Embora a reprodução das obras faça jus ao trabalho do artista, o roteiro vai, aos trancos e barrancos, narrando sua biografia. Sempre bons intérpretes, Bauraqui e Irandhir tentam contornar os diálogos pobres, mas, na velhice dos personagens, nem eles convencem. Estreou em 11/12/2014.
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  • Desde crianças, as amigas Debbie e Laine gostavam de passar o tempo com um jogo chamado Ouija (algo parecido com a “brincadeira do copo”). Debbie (Shelley Hennig) permaneceu com o tabuleiro maldito na juventude e, ao invocar os espíritos, cometeu suicídio. Inconformada, Laine (Olivia Cooke) pretende, agora, voltar ao lugar da morte e tentar entender o que se passou, buscando respostas no além por meio do Ouija. Ela convoca seu namorado, o parceiro da colega e uma garçonete para ajudá-la na empreitada sobrenatural. Reunir um time de moças e rapazes em torno de um enredo de terror já rendeu centenas de filmes muito mais eletrizantes — de A Hora do Pesadelo a Premonição. Esse genérico insosso, além dos sustos previsíveis, traz uma conclusão confusa. Estreou em 11/12/2014.
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  • Indulto de Natal

    Atualizado em: 12.Dez.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO