Cinema

Thriller "O Pacto" é um novo fiasco na carreira de Nicolas Cage

Canastrão, o ator interpreta um professor de literatura cuja esposa foi brutalmente violentada

Por: Miguel Barbieri Jr.

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O astro na pele do professor Will: envolvido em um assassinato (Foto: Divulgação)

Desde que ganhou o Oscar de melhor ator, em 1996, por “Despedida em Las Vegas”, Nicolas Cage trabalhou em 32 longas-metragens, uma média de dois filmes por ano. Atuou sob a direção de grandes mestres, como Martin Scorsese (“Vivendo no Limite”), Brian De Palma (“Olhos de Serpente”), Werner Herzog (“Vício Frenético”) e Ridley Scott (“Os Vigaristas”) e se deu bem nos tipos excêntricos de “Adaptação" e "O Sol de Cada Manhã”.

Sobretudo nos últimos tempos, sua coleção de pontos baixos tem aumentado. Incluem-se aí fitas horrendas, a exemplo de “Perigo em Bangkok” e “Fúria sobre Rodas”. Filmando freneticamente e sem nenhum critério, Cage rodou cinco produções em 2011. Entre elas, “Reféns”, lançada em novembro, “Motoqueiro Fantasma — Espírito de Vingança” e “O Pacto”, ambas em cartaz.

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A continuação de “Motoqueiro Fantasma”, mesmo inferior ao original, já alcançou 2 milhões de espectadores. Em comparação, “A Invenção de Hugo Cabret”, vencedor de cinco prêmios no Oscar, foi visto por 800.000 pessoas. Ou seja: Cage ainda rende boas bilheterias por aqui. De premissa instigante, mas inverossímil, “O Pacto” traz Cage na pele de Will, um professor de literatura cuja esposa (January Jones) foi brutalmente violentada. No hospital, o protagonista recebe o apoio moral e uma proposta indecente do misterioso Simon (Guy Pearce). O estranho faz parte de um esquadrão da morte secreto cujo objetivo é eliminar criminosos. Basta o marido concordar e, horas depois, o cara que espancou sua mulher estará morto.

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A fatura chega seis meses depois: Will passa a ser importunado por Simon para cumprir o trato e matar um pedófilo. Se o início da trama aponta para um drama de suspense estrelado por um homem comum, da metade em diante o canastrão Cage assume o posto de herói. Antes, um professor declamando Shakespeare; agora, um brucutu metido a investigador policial. Cineasta experiente, Roger Donaldson (de “O Inferno de Dante” e “Efeito Dominó”) até mantém o clima de tensão. Contudo, fica difícil engolir um roteiro de tantos absurdos.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO