Negócios

Lojas pop-up invadem a cidade

A onda dos estabelecimentos criados para durar poucas semanas

Por: Ricky Hiraoka - Atualizado em

Pop Up Restaurant - pop up stores - ed. 2297
Pop Up Restaurant, na Oscar Freire: aberto até 15 de dezembro (Foto: Decapital)

Virou rotina para a empresária Caroline Schamall visitar mensalmente a butique de sapatos da marca gaúcha Louloux, na Vila Madalena, e sair de lá carregada de sacolas. “Sou judia e pão-duro, mas já levei vinte pares de uma vez”, relata. “Compro muito porque eles só abrem alguns dias no mês e nunca sei se o produto que eu quero estará lá novamente.” O estabelecimento faz parte de uma onda que ganha força no varejo da cidade: as pop-up stores, ou, em bom português, lojas temporárias.

Caroline Schamall - pop up store - ed. 2297
Caroline Schamall, cliente da Louloux: até vinte pares em uma única visita (Foto: MARIO RODRIGUES)

O segmento surge em diversas modalidades. Enquanto na Louloux a proposta é não ter dia certo para abrir as portas (a notícia é divulgada no site da grife), na maioria dos casos a inauguração acompanha a previsão de encerramento definitivo das atividades. Nessa linha, o exemplo mais recente é o Pop Up Restaurant, que estreou no último dia 8 na Rua Oscar Freire, nos Jardins, e servirá a refeição derradeira em 15 de dezembro.

Idealizado pelo agitador cultural Alex Tessitore, o empreendimento tem opções elaboradas por chefs como Carlos Bertolazzi, do Zena Caffè, a até 90 reais. “É um jogo de ganha ganha”, define Tessitore. Além de faturarem cima das reservas, ele recebeu ma verba de interessados em divulgar seus produtos no local, como a cerveja Heineken.

Para pôr o negócio de pé, Tessitore investiu 100.000 reais e recuperou a quantia só com os patrocinadores.“Se eu fosse criar uma casa normal,o lucro demoraria a vir, porque o investimento é muito maior.” Segundo o especialista em inteligência de mercado Alberto Sorrentino, com esses endereços-relâmpago os empresários tentam repetir no mundo físico a enxurrada de novidades vivenciada no universo virtual. “É uma aposta na percepção de que o cliente deseja viver uma experiência diferente com os bens de consumo”, afirma.

Apesar de motivarem compras por impulso, nesses lugares, por vezes, o lucro nem é a prioridade. Diretor de novos negócios da Entreposto, templo da decoração na Avenida Cidade Jardim, Roberto Zucculo viu na pop-up um modo seguro de testar a Slim, linha mais moderninha e acessível de objetos que a empresa mantém até fevereiro no Shopping Iguatemi. “É uma forma cautelosa de aprender a encarar a concorrência dentro de um centro de compras depois de dezoito anos em loja de rua”, explica ele, que investiu 400.000 reais na empreitada.

No fim de setembro, a vodca Absolut instalou na Oscar Freire um espaço de 450 metros quadrados que reúne bar — com uma carta com vinte drinques exclusivos—, restaurante, livraria, pista de dança e local para exposições. Por pouco o endereço sazonal não se transformou num ponto fixo. Como o local fica lotado na maior parte das noites, com até 350 pessoas, o setor financeiro da companhia manifestou a intenção de manter a casa por mais tempo. Mas não teve o apoio da equipe do gerente de marketing, Rafael Souza. “Se fizéssemos isso, perderíamos o frescor da novidade”, dizele. Deixar saudade, já percebeu o especialista, pode ser o segredo do negócio.

 

CURTA TEMPORADA

Em quais circunstâncias os espaços sazonais viram bons negócios

- Testar a aceitacao de novos produtos

- Promover alguma marca com ações inusitadas, sem preocupação com lucro, e sumir do mapa antes que ai deia deixe de ser novidade

- Levantar dinheiro rapidamente, já que os custos são menores (e possível, por exemplo, alugar equipamentos em vez de comprá-los)

- Desovar produções sem demanda de consumo diário, abrindo as portas apenas alguns dias por mês

COM DIAS CONTADOS

Alguns endereços queembarcaram na ideia

Louloux: loja de sapatos da marca gaúcha homônima

Funcionamento: abre poucos dias por mês.

Próximas datas: de 6 a 22 de dezembro

Local: Rua Harmonia, 114, tel.: 2639-9693

Slim: linha mais descoladada marca de produtos de decoração Entreposto

almofala slim - pop up store - ed. 2297
Almofada Slim: R$ 288,00 (Foto: Divulgação)

Funcionamento: até 28 de fevereiro

Local: Shopping Iguatemi, tel.: 3031-5241

Absolut Inn: espaço da marcade vodca que, além do bar, tem restaurante e livraria

absolut inn - pop up store - ed. 2297
Flicka, drinque de vodca de pêssego da Absolut Inn: R$ 16,00 (Foto: FERNANDO MORAES)

Funcionamento: até 31de dezembro

Local: Rua OscarFreire, 565, tel.: 3082-1811

 

Sub Up: ramificação da grife de moda praia SUB, que vende acessórios como cangas, chapéus e nécessaires

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Nécessaireda SUB: R$ 84,00 (Foto: Divulgação)

Funcionamento:até 15 de janeiro

Local: Shopping Cidade Jardim, tel.: 3552-6556

Fonte: VEJA SÃO PAULO