Medicina

A recuperação do Incor

Com a dívida negociada e a melhora no atendimento, o maior centro de tratamento e pesquisa cardiológica do país apresenta os primeiros sintomas de que está saindo da maior crise de sua história

Por: Daniel Bergamasco [Colaborou Carolina Romanini]

Incor
Tomógrafo testado em parceria com japoneses e americanos:r eferência também em pesquisa e ensino (Foto: Mario Rodrigues)

Em 2011, a taxa de mortalidade de transplantes em adultos no Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas (HC), possibilitava comparações com uma roleta-russa. Houve 45% de mortes em onze cirurgias cardíacas realizadas. Outros indicadores de produtividade, como consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), caíam ano a ano. A desorganização das dívidas impossibilitava o recebimento de verbas públicas para investimento e dificultava a recuperação do maior centro de tratamento e pesquisa em cardiologia do país, inaugurado em 1977 pelo cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini.

 

A situação chegou a um nível tão preocupante que mobilizou os médicos da instituição. Há cinco anos, cerca de 100 deles subscreveram um abaixo-assinado que questionava a transferência para lá da área de pneumologia, que antes funcionava no instituto central do HC, pois tumultuava ainda mais, segundo reclamavam, as condições problemáticas do lugar. O questionamento acabou na mesa do promotor de saúde pública Arthur Pinto Filho, que havia recebido na época uma carta da mulher de um paciente que estava na fila de transplantes do Incor solicitando a transferência do marido para a espera do Instituto Dante Pazzanese, onde, acreditava, teria melhor atendimento. Intrigado com a coincidência, ele abriu uma investigação. Ao visitar o complexo, nas proximidadesda Avenida Paulista, as deficiências eram óbvias. “Vi ralos quebrados, torneiras inadequadas, alas com forro deteriorado...”,enumera. O mais assustador é que essas cenas, típicas dos piores hospitais, ocorriam na instituição gratuita conhecida nacionalmente por ser uma ilhade excelência, onde poderosos como Tancredo Neves (1910-1985), Mario Covas (1930-2001) e Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) se trataram no fim da vida.

Arte - Incor
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

 

Nos últimos tempos, felizmente, o pulso desse gigante começou a apresentar sinais de melhora em diversas frentes. “Não dá para falar em perfeição, mas os piores problemas estão, na maioria, contornados”, avalia o promotor. A antes combalida área de transplantes é um dos símbolos dessa fase. O montante desses enxertos (se contabilizados tanto os feito de trinta para cinquenta entre 2011 e 2013, um incremento de 67%, e a mortalidade encolheu de 34% para 20%. Para efeito de comparação, o Dante Pazzanese, referência na área, realizou 43 procedimentos do tipo em 2013. Há outros índices bem positivos. A espera para uma operação de válvula caiu de oito para quatro meses desde 2011. O número de exames laboratoriais só cresce — de 2,3 milhões em 2007 para 3,3 milhões em 2013 —, assim como o de cirurgias — de cerca de 3 500 para 4 500 no mesmo período.

Algo semelhante acontece nas áreas de ensino e pesquisa. O total de artigos científicos publicados era de 353 em 2010 e de 399 no ano passado. Os parceiros de inovação incluem a Nasa, a agência espacial americana, que participa do desenvolvimento de um monitor respiratório. No campo do estudo, o contingentede alunos de pós-graduação strictu sensu, que andava em queda, foi de 177 para 197 nos últimos quatro anos. Os resultados têm, em boa parte, origem comum: dinheiro. Em outubro de 2013, a Fundação Zerbini, que administra os recursos do instituto, comemorou um feito aguardado desde 2007: a exclusão de uma espécie de Serasa do governo federal, graças à solução judicial de 22 pendências, muitas com prestação de contas, e renegociação de três grandes passivos. Com isso, o Ministério Público Federal retirou a recomendação para o hospital não receber mais investimentos públicos, o que inclui emendas parlamentares. “Essa crise desorganizou nosso funcionamento”, diz o cirurgião Fábio Jatene, presidente do conselho diretor desde 2010. “Agora, vivemos tempos bem melhores.”

Tabela - Incor
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

 

O passivo do Incor, que chegou a 298 milhões de reais em 2007, agora é considerado administrável, na casa dos 122 milhões. A média mensal gasta com dívidas, de 5,41 milhões há cinco anos, está hoje em 2,12 milhões. A equação de contas é regida por José Antonio de Lima, que assumiu a liderança da Fundação Zerbini em abril de 2013. Uma das medidas de sua gestão foi a contrataçãode duas assessoras de relações institucionais em Brasília, que circulam pelos gabinetes mostrando as mudanças do complexo e, claro, pleiteando verbas. “Em uma das primeiras vezes em que entrei em uma comissão parlamentar, um deputado me disse: ‘O Incor veio aqui roubar meu dinheiro?’. Era preciso corrigir a imagem de que as coisas não estavam bem”, conta o vice-presidente da fundação, Gustavo Ribeiro. Deu certo. Em 2013, foram captados 6,1 milhões de reais em sete emendas orçamentárias propostas por políticos de partidos que vão do PT ao PSDB.

Tabela - Incor
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

Em 2014, a expectativa é que 29 emendas atraiam 11,2 milhões. Nessa pressão e nesses números todos positivos deste momento do hospital, pesa muito o estilo obsessivo de Roberto Kalil Filho. Ele assumiu em 2011, após concurso acadêmico, o posto de professor titular da disciplina de cardiologia clínica, o que lhe possibilitou chegar à vice-presidência do conselho. Na prática, é tido pelos funcionários como um prefeito do Incor. Diretor-geraldo Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, médico de políticos como a presidente Dilma Rousseff e o ex-governadorJosé Serra, o doutor apelidado de “homem-bomba”, pelo jeito pilhado, não se furta a aproveitar esse bom trânsito. Em um evento público em novembro de 2012, pediu à queima-roupa ao governador Geraldo Alckmin: “Tenho onze leitos pediátricos parados por falta de equipe. Preciso de gente”. Foram então cedidos recursos para a contratação de onze médicos, dezenove técnicos de enfermagem e 21 enfermeiros, elevando o número de vagas infantis de dezesseis para 27.

Roberto Kalil
Roberto Kalil, na ala infantil: onze leitos ativados graças a pleito com o governador (Foto: Mario Rodrigues)

 

Em ação semelhante, ele conseguiu que o governo bancasse, a 17,2 milhões de reais por ano, quarenta leitos no Hospital Beneficência Portuguesa para doentes do  Incor enquanto seu pronto-socorro está em obras — em instalações provisórias, a emergência teve perda de doze de suas 52 vagas e continua lotada. A previsão de término da reforma é 2016 .A influência sobre a iniciativa privada, em boa parte por sua posição no Sírio-Libanês, ajuda muito. Desde que assumiu, Kalil recebe com frequência presidentes de empresas farmacêuticas e de outros suprimentos. Conseguiu assim, por exemplo, a doação de 35 próteses cardíacas infantis e 32 marca-passos para realizar mutirões de atendimento e diminuir as filas. “Eles têm todo o interesse em ajudar, claro”, reconhece o gestor pragmático, de personalidade incisiva ,comparada frequentemente à de sua paciente Dilma. “Imagine, eu sou muito pior que ela”, sentencia, aos risos.

Fábio Jatene
Fábio Jatene e o monitor pelo qual observa cirurgias ao vivo: cobrança em caso de atraso nas operações (Foto: Mario Rodrigues)

Falando em políticos, um detalhe: alguns deles continuam a fazer consultas de rotina no Incor, caso da ex-senadora Marina Silva e do senador Eduardo Suplicy. Clientes famosos costumam ser recepcionados em um espaço reservado, que os funcionários chamam de “vip”. Com a chegada de Kalil, a rotina do 5º andar, onde ficam os principais doutores do instituto, ampliou consideravelmente sua eletricidade. “Ninguém ousa ir para o banho sem levar o celular, pois sabe que não atender é bronca na certa”, diz Ludhmila Hajjar, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Cardiologia. Diante do comentário, Kalil ri: “Se a ligação cai na caixa postal, é porque estão fazendo besteira sem eu ver”.

 

De jeito oposto, fala mansa e tom cordial, Fábio Jatene também faz a linha vigilante. Instalou em frente à sua mesa uma TV de tela plana na qual assiste ao vivo cirurgias (os parâmetros de sigilo de imagem foram acordados com o Conselho Regional de Medicina). “Se há uma operação marcada e ela ainda não começou ,ligo para saber quem está atrasado. É bom saberem que existe controle”, ressalta ele, que deixará a presidência do conselho no fim do mandato, em outubro, e vai defender a escolha de Kalil para o posto. A mudança de rotina do local passa pela organização das atividades. Hoje, as equipes têm metas de cirurgia. Foi criado um núcleo de gerenciamento de leitos. Isso ajudou a acabar com os “feudos” de profissionais que brigavam para manter os pacientes de sua especialidade em determinada vaga, protelando as altas.

Tabela - Incor
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

Entre as várias medidas que incrementaramos transplantes, destaca-se o deslocamento de uma enfermeira até o hospital onde está o corpo do possível doador dotada de um ecocardiógrafo portátil — as informações, lidas na hora na sede, agilizam as decisões. A bancária Antônia Danielly Bezerra dos Santos, de 25 anos, ganhou um dos enxertos em 2013. Diagnosticada durante a gravidez, dois anos antes, com miocardiopatia dilatada (“coração grande”), ela passou por diversos tratamentos, até sofrer parada cardíaca e ser colocada na fila de transplantes. Um mês depois, recebeu o novo órgão. “Era bem tratada e tinha acesso aos doutores a qualquer momento”, relata.

 

Para o promotor Pinto Filho, mesmo que tenham cessado as reclamações de médicos sobre o local, ainda há passos a avançar. Ele não desistirá de abrir ação judicial para que o hospital deixe de destinar cerca de 20% de seu atendimento a planos de saúde. Vai ser uma briga e tanto. Apesar de os usuários de planos serem um quinto dos pacientes, eles representaram uma receita de cerca de 120 milhões de reais nos últimos doze meses, valor quase igual ao dos repasses do SUS. “Esse dinheiro é fundamental para receber bem quem mais necessita”, argumenta Lima, da Fundação Zerbini. “A unidade estatal precisa dar o máximo de espaço a quem não tem uma carteirinha de plano”, rebate o promotor. Para Libânia Paes, coordenadora da especialização em gestão hospitalar da Fundação Getulio Vargas, por mais que melhore, o Incor não deve voltar ao período de glória. “O contexto no qual está inserido é ruim: uma rede de saúde pública problemática, que leva a que a demanda seja muito acima do que é possível absorver”, entende. Kalil, dono do jaleco mais influente da República, reconhece que os tempos são outros. “O que buscamos é a excelência no atendimento ao público. Quero que os políticos venham para cá, mas para prestigiar nosso trabalho e trazer verbas.”

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    Walter Mancini Ristorante

    Rua Avanhandava, 126, Centro

    Tel: (11) 3258 8510

    VejaSP
    8 avaliações

    Especialista na arte de conquistar a clientela, o restaurateur Walter Mancini instrui sua brigada em fazer pequenos agrados, como tocar uma versão instrumental de Parabéns a Você para os aniversariantes (o couvert artístico custa entre R$ 9,00 e R$ 29,00). Não faltam receitas classiconas no menu, como o capelete in brodo com galinha desfiada (R$ 68,00) e o robalo grelhado com talharim ao molho de amêndoa (R$ 119,00). Para gastar menos, o menu fechado de R$ 119,00 oferecido no jantar de domingo a quinta traz opções mais simples, como polenta com ossobuco e galeto com salada.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Brasileiros

    Micaela

    Rua José Maria Lisboa, 228, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3473 6849

    VejaSP
    11 avaliações

    O chef Fábio Vieira conquistou o paladar da clientela com pratos que vêm se cristalizando no cardápio, como a canjiquinha mineira com lagostim e linguiça (R$ 56,00). Para exercitar a veia criativa, ele promove pequenas mudanças no menu. São bem-vindas novidades — a preço atraente: R$ 39,00 cada uma delas — a tainha curada e grelhada com tropeiro de feijão-manteiguinha, o fideo de comitiva (macarrão no estilo ibérico feito com carne de sol e linguiça moída) e a vaca atolada (costela bovina desfiada no caldo de mandioca). O creme brûlé de paçoca de castanha-do-pará (R$ 20,00) garante doçura e um volume extra na cintura. Durante a semana, o menu executivo custa vantajosos R$ 39,00.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cantaloup e Vinheria Percussi integram a seleção
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  • Italianos

    Supra di Mauro Maia

    Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 681, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3071 4473

    VejaSP
    2 avaliações

    Com cardápio definido por Mauro Maia e executado pelo jovem Rodrigo Bizzo, a casa de ambiente simples e culinária ambiciosa volta a brilhar como na época de sua inauguração.Tanto que recupera a quarta estrela, perdida no ano passado. Ao percorrer o menu, o cliente encontra delícias como o ravióli recheado de gema de ovo, ricota e ervas com pasta de trufa branca numa quantidade que não incomoda (R$ 76,50). De acompanhamento vem um crocante biscoito de polvilho com azeitona numa placa plana. O fagotelli, uma trouxinha de massa, é recheado de molho carbonara como se fosse uma balinha quente e cremosa com pancetta crocante (R$ 63,00). Pensou numa carne? O cabrito preparado na cachaça tem textura macia ao lado de banana-ouro sobre polenta cremosa (R$ 79,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Vila Seu Justino

    Rua Harmonia, 77, Vila Madalena

    Tel: (11) 2738 3800 ou (11) 2305 0130

    VejaSP
    11 avaliações

    A fachada envidraçada deixa transparecer toda a animação do salão, no qual uma moçada com pinta universitária curte apresentações de samba e de pop rock. Mas o grande predicado do endereço está nos fundos: um jardim arborizado, que acomoda aqueles que procuram algo um pouco menos animado. Sucesso ali, a caipirinha vem em pote de vidro, em combinações como tangerina, capim-santo e cachaça Salinas (R$ 23,90), e é uma boa alternativa ao chope, apenas regular, servido em caneca de alumínio (Heineken, R$ 7,90). Para repor as energias, o bolinho de costela (R$ 31,90) é uma pedida sem erro.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante

    Bottega BottaGallo

    Rua Jesuíno Arruda, 520, Itaim Bibi

    5 avaliações
  • Salgados

    Rancho da Empada

    Rua Sena Madureira, 557, Vila Clementino

    Tel: (11) 5904 7650

    VejaSP
    6 avaliações

    Em maio, antes de completar um ano de funcionamento, a unidade de Moema, que ficava na Rua Canário, fechou as portas. Agora focada nas lojas da Vila Clementino e da Vila Mariana, a marca que completou seu vigésimo aniversário na cidade tem se arriscado no território dos salgados e ido além das empadas. Lançou, por exemplo, uma fritura típica de boteco, o bolovo — aqui chamado “pelota de carne com ovo”, em homenagem a Copa do Mundo. Na massa de batata, entram carne moída e ovo de codorna (R$ 2,00) ou de galinha (R$ 5,30). Inevitáveis e irresistíveis, as empadas ficam ótimas nas opções tradicionais de palmito (R$ 5,30) e camarão (R$ 5,70), com a massa podre bem dourada desmanchando na boca.

     

    Preços checados em setembro/outubro de 2014.

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  • Ao fazer uma adaptação de uma peça da Broadway, Clint Eastwood evitou o musical cantado aos moldes de Chicago ou Os Miseráveis. Jersey Boys — Em Busca da Música é mais uma cinebiografa cujas canções embalam uma história verídica de artistas e seus altos e baixos. Em 1951, o jovem Tommy DeVito (papel de Vincent Piazza) pretende ganhar a vida longe do mafioso (Christopher Walken) para o qual trabalha. Incentiva, então, a carreira de Frankie (John Lloyd Young, da montagem teatral original), um cantor de voz em falsete com apenas 16 anos. Amigos de Nova Jersey, tinham planos de formar uma banda. Até Frankie assumir o Valli artístico no sobrenome e o grupo surgir como Four Seasons, algum tempo se passa. Com Valli de vocalista mais Tommy, Nick Massi (Michael Lomenda) e o tecladista e compositor Bob Gaudio (Erich Bergen) — todos ainda vivos —, o conjunto explodiu na década de 60, a partir do hit Sherry. Valli e Gaudio são produtores executivos do longa-metragem e, por isso, espere por uma biografia autorizada na qual o máximo da “transgressão” está na infidelidade conjugal do bandleader. Convencional na narrativa e com uma irretocável recriação de época, Eastwood, de 84 anos, faz um registro de poucas ousadias, mas deliciosamente plugado na paixão pela música. Estreou em 26/6/2014.
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  • Entre as obras criadas pelo arquiteto carioca Sérgio Bernardes estão o hotel Tropical Tambaú, em João Pessoa, o Pavilhão de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, além da bela casa da urbanista Lota de Macedo Soares (retratada no filme Flores Raras), em Petrópolis. Bernardes (1919-2002), que foi contemporâneo de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, ganhou um registro que faz jus à sua extensa e importante carreira. Com argumento e entrevistas a cargo do neto, Thiago Bernardes, o documentário explora muito bem a trajetória profissional sem deixar de tocar na vida íntima — Bernardes abandonou a esposa no aniversário de 25 anos de casamento para fugir com uma amiga dela para Nova York. Recheada de imagens de arquivo, pesquisa apurada e bons depoimentos, a fita amplia o foco para não se restringir aos interessados em arquitetura. Estreou em 26/6/2014.
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  • Ariane Felder (Sandrine Kiberlain) leva seu trabalho como juíza a ferro e fogo. Aos 40 anos, não casou nem teve filhos e costuma dispensar qualquer paquera. Numa virada de ano, porém, ela toma um pileque e acorda sem saber direito o que se passou na noite anterior. Meses depois, vem o resultado: a magistrada está grávida. Mas quem seria o pai de seu filho, pergunta a si mesma? Ao vasculhar as câmeras de segurança das ruas de Paris, descobre que transou num beco com um ladrão cuja reputação não poderia ser pior. No último assalto, Bob Nolan (Albert Dupontel, também diretor) teria mutilado a vítima e comido seus olhos. A comédia francesa se apoia no talento dos protagonistas e, embora improvável, a trama segue ligeira com situações de constrangimento hilariantes. Estreou em 26/6/2014.
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  • A imagem ao lado traduz o espírito deste drama familiar. Trata-se de uma história entre adultos com pegada ingênua. Na trama, o professor de música e violoncelista Keith Reynolds (Guy Pearce) leva uma vida estável ao lado da mulher (Amy Ryan) e da filha (Mackenzie Davis) numa cidade próxima a Nova York. O cotidiano da família, porém, sofre uma reviravolta com a chegada de Sophie (Felicity Jones), que veio da Inglaterra para fazer intercâmbio. Sedutora, ela lança olhares lânguidos para Reynolds. Lá pela metade do filme, ele não resiste e o caldo entorna. O diretor e roteirista Drake Doremus tem até bom gosto em conduzir a história em um tom cadenciado. Contudo, há chichês em excesso, como o estereótipo da ninfeta tentadora. O desfecho moralista igualmente decepciona. Estreou em 26/6/2014.
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  • Filmes

    Três filmes com São Paulo como cenário

    Atualizado em: 26.Jun.2014

    Em longas-metragens, a capital é palco de diferentes histórias 
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  • Com foco no meio ambiente, os programas BBC Earth, produzidos pela emissora britânica, ganham as telas da rede Cinemark. A atração desta semana, que fica em cartaz até quarta (2/7/2014), é O Ciclo da Vida. São histórias do reino animal com foco na sobrevivência em busca de comida e abrigo. Com duração de quarenta minutos, o documentário tem exibição nas salas do Central Plaza, Eldorado, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Shopping D e Villa- Lobos. O ingresso custa mais barato: R$ 10,00. De quinta (3/7) a quarta (9/7), é a vez de Brasil Selvagem.
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  • Em sua 23ª edição, o evento traz sete peças com apresentações diárias. Toda segunda, pode-se ver ✪✪✪ Alice - O Musical, dirigida por Max Oliveira. Às terças, sobe ao palco o elenco de Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias, adaptação de Marcelo Peroni para o texto de Ruth Rocha. Com formato de saga musical e trilha sonora inspirada em clássicos de Pink Floyd, Beatles e Queen, A Bela Adormecida — Uma Ópera Rock, sob o comando de Daniela Biancardi, tem vez às quartas. No dia seguinte, ganha exibição Piratas do Caramba, de Rafael Pequeno. No fim da semana, às sextas, ✪✪✪ Pinocchio ocupa a cena com os atores da Cia. Urbana de Teatro. Aos sábados e domingos, às 16 horas, é possível assistir à ✪✪✪ Rapunzel, da Cia. Le Plat du Jour. Na sequência, às 17h50, a Imago Cia. de Animação encerra a programação com a ótima ✪✪✪✪ Pedro e o Lobo. De 4/7/2015 a 31/7/2015.
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  • Boa parte das 147 fotografias de Retumbante Natureza Humanizada é exibida pela primeira vez. É a maior mostra já realizada do artista Luiz Braga, conhecido por registrar seu estado natal com cores marcantes. Aqui, no entanto, Belém e o interior do Pará surgem em preto e branco. Mas a intensidade de cada personagem retratado permanece. Rostos desconfiados, entregues à câmera, cliques roubados que — talvez pela experiência de Braga, na região há quarenta anos — parecem familiares aos olhos de quem vê as imagens. São cenários banais que cativam por sua simplicidade, com construções rústicas e chão de terra. Um exemplo é a foto Monster Woman, onde duas garotinhas aparecem em um parque de diversões típico de cidades pequenas. Há ainda um vídeo feito a partir de trabalhos desenvolvidos na Ilha de Marajó. Até 3/8/2014.
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  • Para apresentar a vida e o trabalho de Jards Macalé, o Itaú Cultural criou a Macalândia, um espaço que traz referências da infância, do posicionamento político e, claro, das composições do artista. Fotos de sua primeira comunhão, uma cartinha que escreveu aos pais negociando a mesada, além de sua versão para a bandeira nacional, com “amor” ao lado das palavras ordem e progresso, entre outros 300 itens, fazem parte da Ocupação Jards Macalé. Uma passagem secreta, acessada por uma estante de livros giratória, leva a instalações interativas e bem-humoradas. Entre elas um banheiro, todo pichado com frases, onde o visitante pode assistir a trechos de performances sentado na privada. A ideia veio do show Sorriso Verão, de 1970, no qual vasos sanitários compunham o cenário. Quem puxar o gancho dos orelhões antigos ouvirá entrevistas com o cantor, que fez  parcerias com Gal Costa, Caetano Veloso e Torquato Neto. Mais adiante, um aviso na porta alerta: apenas maiores de 18 anos têm entrada permitida. Ali, estão revistinhas eróticas colecionadas pelo carioca. Na saída, um chuveiro dá um “banho musical” de Nelson Cavaquinho, com os áudios das canções que Macalé interpretou. De 31/5/2014 a 6/7/2014.
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  • Causa surpresa e um pouco de desconfiança uma montagem enquadrada no gênero drama de horror. Incomum, essa definição é aplicada à peça A Dama de Negro, adaptação de Stephen Mallatratt para o romance escrito por Susan Hill. Para convencer o público a embarcar na fantasia, o diretor Roberto Lage demonstrou perspicácia ao embalar o espetáculo como uma peça dentro de outra e mostrar alguns truques cênicos. Ben-Hur Prado interpreta um homem que precisa revelar uma antiga história e, assim, segundo acredita, ficar livre de uma maldição. Contrata, então, um encenador (Josafá Filho) para ajudá-lo na tarefa. No outro plano, Josafá representa um jovem advogado londrino encarregado de cuidar da documentação de uma mulher falecida num lugar inóspito. Por lá, ele enfrenta situações intrigantes que desafiam sua coragem. Prado e Gabriella Aly se revezam nos demais tipos. Mesmo longe de impactar, a encenação é uma curiosa incursão, com ritmo e doses de mistério. Prado e Filho alimentam o suspense, que, apesar de certa previsibilidade, ganha ingredientes que agradam à plateia. Estreou em 3/5/2014. Até 27/7/2014.
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  • No fundo de uma cafeteria da Rua Rui Barbosa, no Bixiga, está há dois meses o Top Teatro. O espaço é comandado pelo ator Tony Giusti, que escreveu e protagoniza o principal espetáculo da programação, o monólogo Pós-Man. Sob a direção de Einat Falbel, ele vive um sujeito de meia-idade, entediado com o casamento, que é cortejado por outro homem numa padaria. O argumento oferece reflexão oportuna sobre o papel do macho na sociedade contemporânea. Montado em uma estrutura literária e pouco dramatúrgica, o texto, no entanto, perde fluência e tropeça em clichês. Giusti obtém o engajamento da plateia, mas perde a chance de mostrar mais profundidade. Estreou em 19/4/2014. Até 29/3/2015.
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  • Peças

    Três musicais resgatam a MPB nos palcos

    Atualizado em: 26.Jun.2014

    Composições de Chico Buarque, Dolores Duran, Belchior, João Bosco e Ivan Lins, entre outros, embalam montagens
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  • A piada é velha, o som, renovado. O nome do mais recente disco do Mombojó, Alexandre, faz referência ao barulho esquisito de um teclado nos primeiros ensaios da banda em 2001. O “are you sure?” que o instrumento indagava pela voz robótica soava mais como “alexandre”, para a diversão do grupo, na época ainda uma promessa da música pernambucana. O tempo passou e eles chegaram ao quinto álbum. Com uma pegada mais experimental, Felipe S (voz e guitarra), Chiquinho (teclado e sintetizador), Marcelo Machado (guitarra), Vicente Machado (bateria) e Missionário José (o novo baixista), se arriscaram na instrumentação eletrônica em músicas como Me Encantei por Rosário, Rebuliço e Diz o Leão, esta última em parceria com a cantora Céu. Mesmo com coisas cabeçudas, a exemplo de Ping Pong Beat, vinheta improvisada sobre os ruídos de uma partida de tênis de mesa, o conjunto ganha potência ao vivo. Dia 2/10/2014.
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  • Holandeses e japoneses

    Atualizado em: 26.Jun.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO