Crianças

De maneira sutil, "Gazinha" retrata conflito árabe-israelense

Montagem aborda a tolerância entre grupos rivais a partir da disputa de dois meninos por uma galinha

Por: Clara Nobre de Camargo - Atualizado em

Peça de teatro Gazinha 2221
Fábio Joaquim e André Grecco: uma história de amizade e tolerância (Foto: Fabio Tadeu Minoro Hirata)

Criada pela Cia. dos Ditos Cujos de Teatro, a peça "Gazinha", em cartaz no Centro Cultural São Paulo, retrata de maneira sutil a antiga e complexa disputa árabe-israelense pela Faixa de Gaza. Sem tomar partido ou levantar bandeiras, o autor e diretor Sidmar Gomes obtém sucesso no resultado.

Tudo começa quando Nael (Fábio Joaquim), um menino de origem árabe, pula a cerca e entra no quintal da vizinha judia Hugueta, avó do garoto Daniel (André Grecco). Seu objetivo é visitar a galinha adotada como bicho de estimação pelos dois. Mas, assim que ela bota um ovo, os amigos passam a discutir quem deve ficar com o pintinho.

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Simples, o cenário se resume a um cercado. A galinha, apesar de invisível aos olhos da plateia, parece até estar presente, graças ao bom entrosamento dos atores. Sem se tornar excessivamente didática, a montagem revela a tolerância entre os personagens, enquanto compartilham histórias e medos. Sem notar, eles superam as diferenças durante as brincadeiras. Nael e Daniel falam sobre a provável construção de um muro para separar as duas casas e ainda trocam informações a respeito dos costumes de cada um.

Com enredo maduro e uma sóbria trilha sonora assinada por Bruno Menegatti, o programa mostra-se mais indicado para os maiorzinhos. Crianças menores correm o risco de se dispersar e não entender a narrativa.

Fonte: VEJA SÃO PAULO