Cinema

'Quarteto Fantástico' e dois filmes franceses são os destaques

Heróis da Marvel voltam às telas, mas Party Girl e Gemma Bovery são pedidas melhores

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Os heróis da Marvel voltam às telas em Quarteto Fantástico, que retoma a origem dos personagens numa história diferente à do filme de 2005. O resultado, contudo, fica aquém do original - menos por conta do bom elenco e mais por causa de efeitos genéricos e da narrativa sonolenta.

Há opções bem melhores chegando às telas: o drama inglês Jimmy's Hall, sobre um agitador cultural da década de 30; o francês Party Girl, registro de uma acompanhante sexagenária de um cabaré, e o adorável Gemma Bovery, releitura bem-humorada do livro Madame Bovary, de Flaubert.

Embora um bom diretor com faro para comédias, o gaúcho Jorge Furtado decepciona com Real Beleza, um drama romântico estrelado pelo casal Adriana Esteves e Vladimir Brichta.

Quem quiser arriscar o terror, embarque no Voo 7500, do mesmo diretor japonês de O Grito.

  • Madame Bovary, clássico de 1857, escrito por Gustave Flaubert, ganhou uma releitura em Gemma Bovery — A Vida Imita a Arte, comédia dramática da diretora Anne Fontaine (de Coco Antes de Chanel). O terreno aqui não é o da adaptação (nem livre nem contemporânea). Roteirista e realizadora, Anne leva Emma Bovary, a protagonista do livro, para a Normandia e a ela dá um nome quase igual. Inglesa, Gemma Bovery (papel de Gemma Arterton) muda-se com o marido (Jason Flemyng) para o vilarejo francês e lá, com o passar do tempo, nota ser uma estranha no ninho, embora consiga enxergar qualidades na vida campestre. O tédio bate à porta e, assediada por um jovem herdeiro (Niels Schneider), Gemma, tal qual a personagem de Flaubert, não resiste à tentação. O conturbado cotidiano dela passa a ser observado pelo vizinho: Martin Joubert (Fabrice Luchini), um padeiro que trocou Paris pela tranquilidade rural, consegue, assim, animar seu dia a dia. O casamento entre literatura e cinema, tão lugar-comum desde os primórdios, ganha aqui uma variante criativa. Além da narrativa fluente, elegante e pontilhada de humor e tensão, o longa-metragem presta uma homenagem a Flaubert sem que o espectador precise ter lido nem mesmo a orelha de Madame Bovary. Estreou em 6/8/2015.
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  • Diretor inglês politizado, Ken Loach deu uma relaxada em seus últimos trabalhos, as comédias À Procura de Eric (2009) e A Parte dos Anjos (2012). Jimmy’s Hall faz o cineasta retomar a veia política, contestatória e rebelde de sua filmografia. No enredo do drama, inspirado em personagem real, James Gralton (Barry Ward) retorna à sua cidade natal, no interior da Irlanda, após viver dez anos nos Estados Unidos. Lá, encontra um grupo de jovens sedentos de novidades, carentes de diversão e cultura. Embora marcado por seu passado libertário, Jimmy (seu apelido) decide reabrir um salão (o hall do título) para abrigar aulas de dança, literatura e artes. Um padre católico, porém, não vê a iniciativa com bons olhos e força os conservadores a boicotar o local. A persistência do protagonista em manter-se fel à causa traz à tona outras discussões, como a luta de classes e a liberdade de expressão. Estreou em 6/8/2015.
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  • “Chorão troca Charlie Brown por Sepultura”. Essa foi a manchete que o jornal carioca Meia Hora estampou sobre a morte do cantor santista. Espirituoso ou espírito de porco? Eis a questão. Com uma linguagem bastante popular, mulheres anônimas seminuas e a trinca futebol-celebridades-crimes, o tabloide é um sucesso comercial da imprensa. O documentário analisa o fenômeno por meio de profissionais como Alexandre Freeland, diretor de redação de 2007 a 2012, e Gigi de Carvalho, ex-proprietária do Grupo O Dia, responsável pela publicação. Em linguagem moderninha (com ilustrações animadas) e ágil edição, a fita perde pontos por não trazer depoimentos de leitores e tem praticamente nos jornalistas e estudantes seu público-alvo.
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  • Saem os registros sobre times de futebol e entra um documentário sobre a vitoriosa trajetória do vôlei. Além de cronologicamente confuso, o filme chega muito atrasado aos cinemas. A fita começa, praticamente, três anos antes da Olimpíada de Londres, que ocorreu em 2012. Além dos técnicos Bernardinho (da seleção masculina) e José Roberto Guimarães (da feminina), jogadores como Giba e Ricardinho dão depoimentos, quase sempre protocolares. Faz falta uma incursão mais profunda nos bastidores, além de emoção para justificar o tão arrebatador título do longa-metragem. Estreou em 6/8/2015.
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  • Difícil o trabalho de Samuel Theis. Em Party Girl, o jovem teve a tarefa de escrever um roteiro sobre sua mãe, além de dirigir o filme e convidá-la para atuar nele. Não se trata, contudo, de um documentário, e sim de um drama interpretado pelos parentes do realizador, que têm o mesmo nome de seus personagens. O tema, igualmente, é árduo. Angélique Litzenburger, de 60 anos, trabalha como acompanhante num cabaré de uma cidade na fronteira entre a França e a Alemanha. Ela compete com mulheres jovens e tem noção de estar perdendo a clientela. Surpresa, Angélique recebe o pedido de casamento de Michael (Joseph Bour), um mineiro aposentado e disposto a recomeçar a vida a dois. A protagonista, então, larga o emprego e reúne os filhos para fazer o comunicado. Sobretudo por tocar em assunto familiar, Samuel Theis jamais tende aos julgamentos morais e, em registro transparente, aborda delicadamente as decisões de sua mãe, uma mulher de espírito livre e coração em chamas. Estreou em 6/8/2015.
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  • Dez anos separam o Quarteto Fantástico “original” deste lançamento homônimo. De lá para cá, muita coisa mudou nas adaptações dos heróis dos quadrinhos, sobretudo com a entrada do gigante Marvel no reino cinematográfico — vide, por exemplo, o estrondoso sucesso dos dois filmes de Vingadores. Eis a pergunta que não quer calar: embora o gênero seja, na maioria das vezes, uma promessa de êxito nas bilheterias, por que recontar a mesma história menos de uma década depois? Em princípio, a escolha do diretor foi acertada. Josh Trank comandou, em 2012, o curioso Poder sem Limites, uma produção menor, porém muito criativa. Ao migrar para o universo dos blockbusters, o cineasta, cercado de produtores, se embolou numa narrativa sonolenta e recheada de efeitos visuais genéricos. A primeira meia hora chega a empolgar ao enfocar a infância e a juventude estudantil de Reed Richards (o bom Miles Teller, de Whiplash). Pequeno gênio, o garoto inventou o teletransporte por meio da eletricidade. É, por isso, convidado pelo Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) a trabalhar em seu instituto e pôr o projeto em prática. Para resumir a ladainha, Reed mais seu inseparável amigo Ben Grimm (Jamie Bell), Johnny Storm (Michael B. Jordan) e o invejoso Victor von Doom (Toby Kebbell) entram na máquina e vão parar em outra dimensão. Uma fonte de energia por lá os torna seres especiais. Os braços e pernas de Reed ficam elásticos, Ben virou um brutamontes de pedras (chamado Coisa) e Johnny tem o poder do fogo em seu corpo. Sue Storm (Kate Mara), que estava na Terra mas também foi atingida, ganhou o dom da invisibilidade. Para chegar ao momento “transformação”, o roteiro enrola a plateia durante uma hora. O restante resume-se ao chocho enfrentamento dos personagens com o vilão (convém não revelar sua identidade). Na comparação com o primeiro Quarteto Fantástico, o atual só ganha no quesito elenco e atuações. Querendo ser mais “cinzento” e dramático (na cola dos “colegas” de X-Men), o longa-metragem perdeu a cor, a graça e o sentido. Estreou em 6/8/2015.
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  • Não são só os brasileiros que consomem porcarias no cinema. Famosa por seus escritores, pintores e cineastas da nouvelle vague, a França acolheu muito bem a comédia Que Mal Eu Fiz a Deus?, número 1 no ranking das maiores bilheterias em 2014, com mais de 12 milhões de espectadores. Mas, assim como no Brasil, recorde nas catracas não é sinônimo de qualidade. De um jeito dissimulado de fisgar a plateia, o roteiro faz uso do humor preconceituoso para, supostamente, pregar a tolerância. A trama enfoca o “drama” de um casal. Católicos praticantes, Claude e Marie Verneuil (Christian Clavier e Chantal Lauby) “engolem” o casamento de suas filhas. A primeira escolheu um marido árabe; a segunda, um judeu; e a terceira fisgou um chinês. Dá para imaginar qual será a opção da caçula, para desespero de seus pais? Na intenção de fazer um registro multiétnico de seu país, o diretor e roteirista Philippe de Chauveron usa o politicamente incorreto em piadas grosseiras. Há clichês e caricaturas de raças saindo pelos buracos de uma história apelativa, vulgar e bastante improvável. Estreou em 6/8/2015.
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  • Entre a TV e o cinema, Jorge Furtado ficou marcado por ótimos trabalhos de humor, a exemplo dos longas O Homem que Copiava (2003) e Saneamento Básico (2007) e do premiado seriado Doce de Mãe (2012). No ano passado, o gaúcho deu uma escorregada no documentário O Mercado de Notícias e, explorando o drama romântico em sua carreira, bate na trave com Real Beleza. A trama reúne apenas quatro personagens e, em seu decorrer, guarda semelhanças com o romance As Pontes de Madison (1995). Vladimir Brichta interpreta João, um fotógrafo que roda o interior do Rio Grande do Sul à procura de futuras modelos. Ao conhecer Maria (a estreante Vitória Strada), acredita ter encontrado a mulher ideal. A dor de cabeça vem a seguir: Maria é menor de idade e seus pais precisam autorizar a viagem dela. João, então, ruma à casa da menina e, lá, só encontra Anita (Adriana Esteves), a mãe da garota. Rola um clima entre eles e, longe do marido, a quarentona se encanta com o forasteiro. Locações esplêndidas, fotografa de encher os olhos e direção de arte sem afetações embalam uma história cujos conflitos são mal explorados. Problema extra está na escolha do par central. Bons atores e casados na vida real, Adriana e Brichta não conseguem transmitir a atração que os protagonistas sentem um pelo outro. Estreou em 6/8/2015.
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  • Terror / Suspense

    Voo 7500
    VejaSP
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    Takashi Shimizu ganhou certa notoriedade ao dirigir O Grito, sua refilmagem americana e as continuações. De volta ao terreno do terror, bem explorado anteriormente, o cineasta japonês tem um único cenário e orçamento baixo para o registro do medo em Voo 7500. Na primeira hora, o roteiro apresenta os passageiros do avião que sai de Los Angeles rumo a Tóquio. Entre eles está um casal em vias de separação (Ryan Kwanten e Amy Smart). Tudo segue o curso normal até um executivo sofrer um colapso e morrer a bordo. As duas aeromoças, então, se encarregam de levar o corpo para o andar superior da aeronave. A partir daí, o suspense ronda a trama numa mistura quase sempre tensa — seja pelo lugar claustrofóbico, seja por fatos estranhos que ocorrem durante a viagem. Contudo, a explicação para o mistério esbarra no previsível, sobretudo para calejados fãs do gênero. Estreou em 6/8/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO