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Edifício desaba em Guarulhos e vigia segue desaparecido

Bombeiros ainda acreditam encontrar Edenilson Jesus Santos com vida; irmão do trabalhador diz que condições no local eram terríveis

Por: Nataly Costa - Atualizado em

Desabamento Guarulhos
Bombeiros procuram nos escombros o operário desaparecido (Foto: Adriano Lima/Brazil Photo Press/Folhapress)

Os bombeiros continuam as buscas pelo vigia Edenilson Jesus Santos, de 26 anos, desaparecido desde a noite de segunda-feira (2), após o desabamento de um prédio em construção na Avenida Presidente Humberto Castelo Branco, na altura do número 1 947, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 19h20. A carteira e o celular do trabalhador foram encontrados nos escombros. Mas ainda não foi possível chegar até o segundo subsolo onde ficava o alojamento dos funcionários. 

O capitão do Corpo de Bombeiros, Carlos Roberto Rodrigues, explica que oito lajes sobrepostas nos escombros estão instáveis. “O perigo é que aconteçam novos desabamentos. Por isso, vamos com calma.” Apesar disso, ele ainda acredita encontrar Edenilson com vida. A vítima estaria no segundo subsolo. “Esta parte da obra está intacta. Entretanto, tentamos chamar o trabalhador e ele não respondeu”.

Desabamento Guarulhos
Bombeiros encontraram nos escombros a carteira do vigia Edenilson Jesus Santos (Foto: Nataly Costa)

O irmão do vigia desaparecido, Edvaldo Jesus dos Santos, de 36 anos, acompanha as buscas. Ele também trabalhava na obra como pedreiro. “As condições eram terríveis. As paredes eram rachadas e todos os dias apareciam problemas diferentes.”

Desabamento Guarulhos
O pedreiro Edvaldo Jesus dos Santos acompanha as buscas pelo irmão desaparecido (Foto: Nataly Costa)

Segundo Edvaldo, os pilares estavam deformados. “Nós sempre tínhamos que reformar.” Ele conta ainda que o mestre de obras sabia dos problemas, mas achava que não era nada grave. Além disso, afirma que nenhum trabalhador utilizava equipamentos de segurança.

O advogado da Salema, Maurício Monteagudo, classificou o acidente como uma catástrofe e negou a informação dos funcionários de que a construção era insegura. “Em uma obra grande como essa é impossível (a falta de equipamentos de segurança.” A empresa classificou ainda como improvável a denúncia de rachaduras em pilares e paredes.

Edenilson nasceu em Porto Seguro, na Bahia, e mora em São Paulo há três anos. “Ele dormia na obra e nos finais de semana ficava na casa de uma tia, em São Rafael, na Zona Leste.” Tio do desaparecido, Gildasio Paulo Jesus dos Santos, de 49 anos, também acompanha o trabalho dos bombeiros. “Nossa esperança é encontrar ele com vida.”

Desabamento Guarulhos
Oito lajes sobrepostas nos escombros estão instáveis, situação que dificulta o trabalho dos bombeiros (Foto: Nataly Costa)

Desabamento

De acordo com o Corpo de Bombeiros, treze funcionários da obra não estavam mais no local no momento do desabamento. Santos é o único desaparecido.

Segundo a prefeitura de Guarulhos, no endereço estava sendo erguido um edifício residencial de trinta apartamentos e dois salões comerciais, totalizando 3 706 metros quadrados. Nove pavimentos já estavam construídos, sendo cinco andares, dois subsolos e um mezanino. O edifício ainda contaria com mais um andar. 

Em maio deste ano, a construtora Salema entrou com pedido para acrescentar um mezanino em um dos salões, o que foi aceito. O novo alvará havia sido expedido no dia 6 de novembro.

Desabamento Guarulhos - Reprodução Rede Record
O local do desabamento, em Garulhos (Foto: Reprodução / Rede Record)

Equipes de Guarulhos e das vizinhas Suzano e Mogi das Cruzes ajudam nas buscas, além da Defesa Civil. No total, vinte viaturas dos bombeiros e noventa homens da corporação, policiais militares e cães farejadores trabalham na via, que é paralela à Rodovia Presidente Dutra.

Ruas da região foram interditadas e moradores de edifícios vizinhos tiveram que deixar suas casas por recomendação da Defesa Civil.

Outros casos

Na semana passada, um guindaste caiu sobre a cobertura da Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão (Zona Leste), destruindo parte da arquibancada e deixando dois mortos: o operador de guindaste Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos. Cerca de 1 700 pessoas trabalhavam na obra, trinta delas na operação da máquina.

Em agosto, um prédio em reforma na Avenida Mateo Bei,em São Mateus, na Zona Leste, desabou deixando nove mortos e vários feridos. A obra era irregular e havia sido embargada pela prefeitura.

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO