Cinema

'De Pernas pro Ar 2' fecha 2012 como a melhor comédia nacional popular

Roteiro deixou de lado as baixarias da fita original para investir num enredo romântico

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

De Pernas pro Ar 2
Bruno Garcia e Ingrid Guimarães: locações em Nova York (Foto: Divulgação)

Em mais um ano que termina, o cinema nacional trouxe um saldo positivo nas bilheterias no gênero favorito dos brasileiros: a comédia (de preferência escrachada). Até que a Sorte Nos Separe foi o filme recordista de 2012, com 3,3 milhões de espectadores. E Aí,Comeu? e Os Penetras também tiveram bons resultados.

Com tanta gente querendo o de sempre, era de esperar: De Pernas pro Ar ganhou uma continuação, depois de ser visto por 3,5 milhões de pessoas em 2011. Há, contudo, uma surpresa em De Pernas pro Ar 2 (✪✪✪). O roteiro deixou de lado as baixarias da fita original para investir num enredo romântico. Resta saber se o público vai aprovar as mudanças.

Ótima comediante, Ingrid Guimarães permanece no papel de Alice, poderosa dona de sex shops em sociedade com a fogosa amiga Marcela (Maria Paula). Na inauguração de sua 100ª loja, a protagonista tem um piripaque e desmaia. A causa é o estresse. Para relaxar, Alice se obriga a ficar internada num spa de regras bastante rígidas.

Nessa primeira parte da história, concentram-se os momentos de humor, sobretudo quando a workaholic heroína tenta driblar a segurança da clínica para continuar trabalhando. A segunda metade da trama, ambientada em Nova York e igualmente repleta de trechos divertidos, tende ao romantismo --Alice engana o marido (Bruno Garcia), o filho (Eduardo Mello) e a empregada (CristinaPereira) para abrir uma filial de sua rede em Manhattan. No fundo, ela quer dar atenção à família, mas sem desistir da profissão.

No quesito originalidade, De Pernas pro Ar 2 fica no patamar do previsível. O dilema vivido pela personagem lembra o de Sarah Jessica Parker no longa-metragem americano Não Sei Como Ela Consegue. Até a hilariante sequência que se desenrola num restaurante, em que Alice se divide entre a mesa do marido e a dos investidores gringos, parece requentada. Da fotografia à direção de arte, entretanto, a realização ganhou um upgrade. E, embora tenha lá suas (raras) cenas de simulação de orgasmo e exibiçãode vibradores exóticos, o filme buscou no cotidiano da mulhermoderna o tom para uma ficção plausível.

Fonte: VEJA SÃO PAULO