3 perguntas para… Denise Fraga

Atriz está na comédia dramática "Sem Pensar", que estreia no Tuca na sexta (13)

Depois de viajar três anos pelo Brasil e levar a 250.000 pessoas a bem-humorada crítica social de “A Alma Boa de Setsuan”, Denise Fraga, de 45 anos, monta uma “peça família”. Escrita pela inglesa Anya Reiss, a comédia dramática “Sem Pensar”, que estreia no Tuca na sexta (13), aborda a relação de uma adolescente (papel de Júlia Novaes) com seus pais (interpretados por Denise e Kiko Marques). O diretor da montagem é o marido da atriz, o cineasta Luiz Villaça. 

VEJA SÃO PAULO – Ser dirigida pelo marido não é uma forma de levar mais trabalho para casa?
Denise Fraga –
Criamos uma armadilha para nós. Discutimos e mexemos nas cenas durante o café da manhã, no almoço, nos dias de folga, coisa que não acontece no cinema, por exemplo. Você filma e o trabalho acaba. No teatro é infinito. Às vezes cansa. Mas sempre achei que o Luiz deveria dirigir teatro. Até para exercitar mais a atividade dele e não precisar esperar quatro anos entre um filme e outro.

VEJA SÃO PAULO – Você tem dois filhos — Nino, de 13 anos, e Pedro, de 11. De que forma essa vivência a influenciou na escolha do texto?
Denise Fraga –
Na peça, minha filha também está com 13 anos. Talvez tenha procurado, inconscientemente, imitar a realidade para fugir dela. No palco, posso soltar os cachorros com a personagem da Júlia Novaes, o que não consigo fazer na vida real com meus filhos. Procuro ser gentil o tempo inteiro, ainda mais com eles. Mas o que mais me alerta na peça é que devemos evitar a cegueira familiar. Podem acontecer coisas muito sérias com as pessoas que mais amamos, e a gente não enxerga.

VEJA SÃO PAULO – Mesmo contratada da Rede Globo, você fica longos períodos fora do ar. Não é convidada para fazer novelas, por exemplo?
Denise Fraga –
Eles nem têm me chamado tanto. Acho que ando, no bom sentido, um pouco esquecida (risos). Meu objetivo é nunca parar de fazer teatro, então preciso ter a consciência de dizer “não” algumas vezes, mesmo que isso traga perdas financeiras. Eu e o Luiz estamos criando com o dramaturgo Sérgio Roveri o projeto de uma sitcom. No ano passado, burilamos tanto o seriado “Norma”… Pena que ficou só três semanas no ar. Tomara que este dê certo. Por outro lado, foi muito bom ter visto trabalhos tão pessoais como o quadro “Retrato Falado”, exibido no “Fantástico”, ser um sucesso.

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