Bailarina dá aulas de dança para filhas de viciados em crack

Em 2010, Karen Ribeiro comprou sapatilhas e cedeu o espaço de sua escola nos Jardins para montar um classe com dez meninas. Hoje elas são cinquenta

Fazia alguns minutos que a aula de balé havia começado quando uma aluna de 10 anos notou algo no bolso da mochila da professora Karen Ribeiro e comentou: “Uma vez, meu pai comprou isso aqui”. Apontava para um tubo de pasta de dentes. A menina é uma das cinquenta filhas de viciados em crack que, dois dias por semana, ocupam a escola de dança Ballet Adulto KR, nos Jardins, a fim de treinar passos clássicos. A cena da pasta de dentes comoveu Karen, que, depois disso, começou a distribuir kits de higiene pessoal às aprendizes. Membros de famílias desestruturadas, elas passam por privações e, em alguns casos, foram abusadas sexualmente. Chegam arredias e demoram para incorporar a delicadeza dos movimentos, aceitar um abraço e a falar “obrigada”.“Tento dar a elas a possibilidade de começara sonhar”, diz a instrutora.

Tudo teve início em 2010, por sugestão de uma aluna evangélica dos cursos regulares da Ballet Adulto KR. Karen gostou da prosposta , adquiriu as sapatilhas e passou a dar aulas para dez meninas. Hoje, com a turma quintuplicada, ela custeia o salário de uma professora e a renovação dos uniformes. E também sonha: “Quero criar um instituto e formar uma bailarina profissional”. Todo fim de ano elas apresentam um espetáculo. Recentemente, as garotas viram de perto a São Paulo Cia. de Dança.

+ Roteiro de espetáculos na cidade

A própria Karen divide com as pupilas sua história de superação. Ao nascer, há 37 anos, em São José dos Campos, os médicos disseram que possivelmente ela nunca conseguiria andar, devido a um problema congênito na perna direita. Aos 2 anos, quando só caminhava com bota ortopédica e fazia uma dolorosa fisioterapia, foi levada pelo pai a uma aula de balé. Na mesma hora tirou o calçado especial e deu os primeiros passos. Formada e morando na capital, em 2009 fundou a Ballet Adulto KR. As alunas foram contaminadas pela missão e se uniram com o intuito de doar o piso apropriado para um endereço mais amplo na Santa Cecília, que passaráa abrigar o projeto dentro de algumas semanas( o contato para ajudar é ☎ 38844430). O imóvel, cedido por um policial, ganhou espelhos bancados por Karen e será batizado de Casa dos Sonhos.

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