Animais

Xixi de cachorro no Pátio Higienópolis causa acidente e incomoda clientes

Frequentadora do shopping passou por cirurgia depois de escorregar em xixi no corredor do estabelecimento. Outros fregueses reclamam da sujeira deixada pelos totós

Por: Carolina Romanini - Atualizado em

Shopping Higienópolis - Cachorros Loja
Animal circula por loja do Pátio Higienópolis: shopping pet-friendly (Foto: Raul Zito)

Há 41 anos vivendo nas redondezas do Shopping Pátio Higienópolis, a empresária Miriam Grabarz Urbach é do tipo que anda pelo local cumprimentando amigos pelos corredores. No dia 23 de novembro, em um de seus passeios semanais pelo centro de compras, levou um escorregão e caiu estatelada no chão. Sem conseguir se mexer por causa de uma forte dor nas pernas, foi avisada por uma segurança do que havia ocorrido: uma poça de xixi de cachorro ocasionara a queda. “A funcionária falava como se um acidente desse tipo fosse algo esperado, uma mera questão de tempo”, conta Miriam, que foi encaminhada ao Hospital Samaritano, onde dois dias depois passou por uma cirurgia para consertar uma fratura na patela. Passados quatro meses, ela caminha com o auxílio de uma bengala e faz sessões de fisioterapia para fortalecer a musculatura e recuperar o movimento do joelho. Os 68 000 reais gastos com o tratamento ainda não foram reembolsados pelo shopping, conforme lhe foi prometido, até pela ausência de placa que indicasse o perigo. “Estou sendo tratada de forma pior que os cachorros”, reclama a empresária.

 

Xixi Higienópolis - Ed
A empresária Miriam Urbach: escorregão rendeu cirurgia (Foto: Lucas Lima)

Procurados por VEJA SÃO PAULO, os administradores do empreendimento não quiseram dar entrevista. Por meio de nota, afirmaram que lamentam o ocorrido, classificado por eles como “um episódio isolado”. A respeito dos custos do tratamento, disseram que estão apurando o caso para tomar as devidas providências. Nos últimos tempos, vem ocorrendo uma série de polêmicas por lá envolvendo a sujeira dos bichos. Alguns pets urinam e defecam nas áreas comuns e até dentro das lojas. No salão de beleza Studio W, por exemplo, não raro as faxineiras são convocadas a recolher dejetos deixados pelos cachorros. O corredor onde estão localizadas a Lanchonete da Cidade e a confeitaria Pati Piva, no piso Veiga Filho, é o epicentro da porcaria: como os bichos são proibidos de circular pela praça de alimentação, seus donos costumam se concentrar ali. No último domingo (16), três poças de xixi permaneceram quase meia hora no local, conforme constatou a reportagem. Os seguranças só isolaram a área quando várias pessoas já haviam pisoteado o lugar.

 

Shopping Higienópolis - Lanchonete da Cidade
O corredor do piso Veiga Filho: as normas do shopping são claras, mas muitos clientes as ignoram (Foto: Fernando Moraes)

Em funcionamento desde 1999, o Shopping Pátio Higienópolis foi o primeiro de São Paulo a adotar a linha pet friendly, permitindo cachorros em suas dependências. O estabelecimento até sedia um desfile de fantasias, o Cãocurso, durante o Carnaval. No resto do ano, a liberdade para a circulação é justamente o que atrai vários clientes. “Não deveriam incentivar a entrada de animais sem antes controlar o problema dos dejetos”, critica a advogada Eliane Aburesi, que cuida do caso de Miriam.

As regras para a boa convivência até são bem claras: a administração recomenda que a segurança seja acionada assim que um animal resolva usar o corredor como banheiro. A falta de cumprimento dessas ordens, entretanto, por culpa de alguns dos clientes e da fiscalização do shopping, é o que tem causado desconforto. “Adoro cachorros, mas me incomoda ser obrigada a ficar desviando da sujeira”, diz a executiva Elisangela de Souza Mello. Em agosto do ano passado, ela teve uma surpresa desagradável, mas sem consequências mais graves. “Escorreguei, mas não cheguei a cair”, relata. Em fevereiro, quando ocorreu sua mais recente visita ao local, notou o mesmo problema no shopping. “É um absurdo ter de andar olhando para o chão”, completa.

Xixi Higienópolis - Ed
(Foto: Ilustração)

Fonte: VEJA SÃO PAULO