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Como se vestir no escritório

As consultoras Chris Francini e Paula Martins ensinam dicas de estilo para executivas

Por: Renata Sagradi - Atualizado em

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Chris e Paula: pela elegância feminina no ambiente de trabalho (Foto: Fernando Moraes)

Na última segunda (22), mais de 100 mulheres se reuniram no salão de um restaurante do Itaim para falar de um assunto que faz parte de seu dia a dia: como se vestir bem no escritório sem cometer gafes de estilo. Em um local onde os únicos homens presentes eram os garçons, o papo rolava solto e animado. O comando da discussão, organizada pela Tozzini Freire Advogados, ficou por conta de Chris Francini e Paula Martins, consultoras de imagem e especialistas na arte de dizer à mulherada o que é permitido e o que deve ser evitado na hora de escolher o que vestir. “Além de palestras, fazemos um trabalho de consultoria personalizado”, explica Paula. “Quem nos procura são pessoas que querem repaginar o visual, grandes executivas ou mulheres que acabaram de ser mãe.” Entre a clientela, nada de peruas emperiquitadas. “A maioria é bem básica, e nós ensinamos a dar um tempero no look.”

Um problema muito frequente é a falta de coordenação nas roupas. “As clientes compram muitas peças, mas não sabem como combiná-las depois”, afirma Chris, que é a favor de menos itens, porém de boa qualidade e fáceis de combinar. Essa dica se aplica ao vestuário de quem trabalha em ambientes mais formais, que exigem esmero na produção e nem de longe aceitam o combo calça jeans e camiseta. A melhor saída é o terninho bem cortado. Segundo a dupla de consultoras, ele transmite credibilidade. Nesses escritórios, com uma série de restrições à maneira de se vestir, vale seguir um estilo mais clássico, com peças de alfaiataria e complementos discretos, como o colar de pérolas.

Durante o bate-papo, os acessórios foram os itens que provocaram mais perguntas. Parece não ser tão simples coordenar a cor do sapato com a da bolsa, ainda que a regra seja fácil de compreender: preto combina com preto, marrom com marrom e assim por diante. O que Paula e Chris deixam bem claro é que, pelo menos em ocasiões mais formais, não vale misturar as tonalidades básicas. Já os materiais não precisam, necessariamente, ser os mesmos. 

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As advogadas Moira Huggard-Caine e Shin Kim: dúvidas sobre o que usar para se dar bem (Foto: Fernando Moraes)

Enquanto assuntos como formato do corpo, cores e tendências eram abordados, questões pontuais e bem pessoais surgiam. A advogada Shin Kim se empolgou: “E quem tem braços mais gordinhos, como pode disfarçá-los?”. Sem rodeios, Chris e Paula explicaram regras que ajudam a maquiar a anatomia: são boas mangas que não apertam essa região do corpo e, no caso de regatas, as alças devem ser o mais largas possível. Shin acredita que a imagem pessoal é importante dentro de uma grande empresa. “Pode-se chegar ao topo com estilo. Mulheres chiques chamam mais atenção”, comentou a sócia da banca Tozzini Freire. “Uma boa imagem só ajuda a valorizar a profissional”, disse Moira Huggard-Caine, também sócia do escritório.

Algumas empresas adotam a prática do “casual Friday”, liberando um visual mais descontraído às sextas-feiras. As consultoras, no entanto, expuseram ressalvas a respeito dessa liberdade. “Isso não significa usar tênis e bermudas. Tem de manter a coerência com o ambiente.” A dica é apostar em calças jeans de lavagem escura e com poucos detalhes, além de uma camiseta básica, com algum enfeite na gola. Uma jaqueta de sarja — um tecido mais leve — pode arrematar o visual. Se o caso é transformar um traje básico em mais arrumadinho, vestir um blazer ou camisa de tecido fino, como a seda, pode ser a solução. Paula e Chris acreditam que, acima de tudo, é necessário conhecer o próprio corpo e saber quais peças têm bom caimento e são as mais apropriadas para cada ocasião. “Respeitar o que se vê no ambiente corporativo é importante”, afirma Chris. “As melhores referências são as próprias colegas.”

TEMPERO NO LOOK

As respostas das consultoras de estilo para algumas dúvidas recorrentes

Brilho no escritório é permitido?

Quando bem moderado, pode. Nada de blazers ou vestidos de paetês. Porém, toques discretos na blusa ou no casaco são bem-vindos.

Como coordenar sapatos e bolsas coloridos?

Quando a peça tiver mais de uma cor, o calçado, por exemplo, deve ser de um dos tons presentes. No caso de apenas um acessório colorido, o outro deve ser de cor neutra, como o preto ou o bege.

O salto alto é essencial para compor um visual mais formal?

O salto não é mais obrigatório. No entanto, para quem consegue aguentá-lo o dia inteiro, é ótimo. Sapatilhas bonitas cumprem bem a função de deixar o look alinhado. O que não cai bem são sandálias muito abertas, que expõem o pé.

Pega bem adotar a moda dos esmaltes supercoloridos?

A regra varia de escritório para escritório. A maioria, porém, dá preferência ao uso dos clarinhos e, no máximo, tons de vermelho e de rosa. Convenhamos, um esmalte verde fica fora de contexto em muitas reuniões de trabalho formais.

Como deve ser a maquiagem no trabalho?

Tem de ser algo básico, que não exija retoques durante o expediente. O ideal é uma pele bem feita, com um bom hidratante e base, além de rímel e um pouco de gloss nos lábios.

Quando é possível fugir do clássico terninho e manter o visual atual?

Acessórios diferentes e com personalidade podem atualizar o look. Invista em lenços, colares e cintos. As tendências da moda devem aparecer somente nos detalhes, como uma renda na manga ou um anel chamativo.

No verão, como driblar o calor?

Usar roupas muito recortadas, blusas de alças finas e saias muito curtas não é elegante. Para não sofrer com as altas temperaturas, procure tecidos mais frescos, como a lã fria e a gabardine. Cores claras também ajudam, mas cuidado para não escolher peças transparentes, que deixam a lingerie em evidência.

As blusas têm de ser bem fechadas?

Não necessariamente. Um decote em V (não muito profundo) alonga a silhueta e valoriza o colo. Já mulheres com seios pequenos podem abusar do decote canoa.

Fonte: VEJA SÃO PAULO