Bichos

Covardia sem punição: chocantes episódios de violência contra animais

Por dia, são registradas duas denúncias de maus-tratos a cães, gatos e outros bichos. Para acabar com essa barbaridade, protetores lutam por aplicação de penas mais duras

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

A veterinária Theomaris Mendes e o cão Chumbinho - Capa 2338
A veterinária Theomaris Mendes e o cão Chumbinho: em busca de um lar (Foto: Lucas Lima)

Um dos crimes mais chocantes cometidos contra animais que São Paulo já acompanhou, a dona de casa Dalva Lina da Silva, que se apresentava como protetora dos bichos, matava os pets que recolhia nas ruas com injeções de cloreto de potássio e de anestésicos no coração. Em janeiro do ano passado, após uma denúncia, a polícia encontrou os corpos de 35 gatos e quatro cães dentro de sacos de lixo na frente de sua casa na Vila Mariana.

Após o flagrante, Dalva prestou depoimento na delegacia e se mudou da cidade (seu último destino conhecido era o Paraná). O caso está em fase de inquérito. Mesmo que ela seja condenada, há pouquíssima probabilidade de que vá parar na cadeia. De acordo com a legislação atual, “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” (artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais) configura crime de menor potencial ofensivo. Trata-se de uma ocorrência com pena de detenção que vai de três meses a, no máximo, um ano e quatro meses, em caso de morte. Se condenada, Dalva pode trocar a pena por pagamento de multa, prestação de trabalhos à população ou doação de cestas básicas ou pacotes de ração.

Aos poucos, porém, estão sendo criadas medidas para dar mais força aos direitos dos animais. Em um grande passo para a causa, começou a funcionar em fevereiro do ano passado o Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo (Gecap). O órgão do Ministério Público padroniza a atuação na área ambiental e delega a investigação dos casos a promotores de Justiça especializados. Até julho deste ano, o grupo paulistano já recebeu, principalmente por e-mail, mais de 1 000 denúncias de maus-tratos, ou seja, cerca de duas por dia. Cerca de 600 delas viraram inquéritos policiais e procedimentos investigatórios. Aproximadamente 200 resultaram em condenações.

+ Cão: "Quase morri de fome"

+ Gato: "Fiquei cego depois de levar uma paulada"

+ Coelho: "Morava em uma casa com centenas de coelhos"

+ Égua: "Fui abusada e atropelada"

+ Tucano: "Cortaram minhas penas"

+ Sagui: "Não souberam cuidar de mim"

Protetores Scalea e Giuliana - capa 2338
Os protetores Scalea e Giuliana, com suas mascotes Jaimão e Bombom: um resgate por dia (Foto: Lucas Lima)

Dois promotores, Vania Maria Tuglio e Carlos Henrique Prestes Camargo, são responsáveis pelo Gecap. O departamento investiga também denúncias ligadas ao meio ambiente, que englobam desde pichações até transporte de produtos tóxicos. Cerca de 90% das denúncias  que chegam até ali, no entanto, estão relacionadas a crueldades cometidas contra cães, gatos e outras espécies. A dupla trabalha em um escritório dentro do complexo do Fórum da Barra Funda. Na sala abarrotada de processos há um quadro de São Francisco de Assis, o protetor dos animais, e pequenos bibelôs de vários bichos. Vania e Camargo são escolados na área. Em suas mais de duas décadas de carreira, já se bateram contra rodeios e traficantes de espécies, entre outros casos. “Constantemente enfrentamos frustrações em nossa rotina, pois lutamos para incriminar os responsáveis e, no fim, eles são penalizados de forma muito leve”, lamenta Vania. “A situação parece servir como incentivo para que continuem praticando esse tipo de crime.” 

Promotores Vania e Camargo - Capa 2338
Os promotores Vania e Camargo, do Gecap: mais de 1 000 denúncias desde fevereiro do ano passado (Foto: Fernando Moraes)

No próprio campo de atuação, enfrentam problemas comuns a quem convive com a causa animal: a impressão dos colegas de que o assunto é de menor importância. Em uma ocorrência recente, por exemplo, um rapaz chegou drogado a sua casa, na Vila Carrão, na Zona Leste, e ameaçou os pais com uma faca. O casal chamou a polícia e, enquanto a viatura não chegava, o rapaz matou a facadas o tucano de estimação da família. Os promotores do Gecap enviaram a denúncia a um juiz, que a considerou improcedente, pois acreditava tratar-se de uma ação insignificante. Vania e Camargo precisaram fazer, então, uma apelação dizendo que a ave era importante para o ecossistema, e conseguiram a reconsideração do pedido. “Essa batalha nós vencemos”, comemora Camargo. O responsável pela agressão responde a um processo no momento.

O dia a dia do órgão envolve vários outros casos de cortar o coração. Num deles, foi preciso salvar um cachorro que ficava preso permanentemente em uma coleira tão apertada que seu pescoço já estava todo cortado. Outra ocorrência, que está em fase de investigação, diz respeito a um veterinário que enforcou até a morte, na frente do dono, um cão em sua clínica. Segundo uma das de núncias, um rapaz arremessou um gato preto diversas vezes contra o chão até vêlo sem vida. Foi condenado. Pena: pagamento de dois salários mínimos. Tráfico de animais silvestres contrabandeados em mochilas ou caixinhas também se dá com frequência. As ocorrências mais urgentes são encaminhadas à polícia. Quando se trata de algo que não oferece perigo de vida, o atendimento pode demorar cerca de um mês. No Gecap, entretanto, algumas denúncias recebidas resultam improcedentes. Muitas vezes, não passam de picuinhas entre vizinhos.

+  Confira alguns projetos de lei relacionados aos animais e saiba como acompanhar seus trâmites

Para tentarem virar o jogo contra a impunidade, os simpatizantes da causa se organizaram em duas passeatas recentes. No último dia 18, cerca de 800 pessoas se reuniram na Avenida Paulista para defender o aumento da pena para agressores de animais, por meio da reforma do Código Penal. Os participantes levavam cartazes com dizeres como “O animal é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. Promovido pelo movimento Crueldade Nunca Mais, o evento mobilizou interessados em mais 514 cidades. “Pedimos a detenção de dois a seis anos para esses casos”, diz uma das organizadoras, Cíntia Frattini. Sua entidade criou até um abaixo-assinado para a causa, que já conta com 230 000 assinaturas. Outra passeata, realizada no dia 25, de novo na Paulista, fez reivindicações semelhantes.

Passeata na avenida paulista pelos animais - Capa 2338
Passeata na Avenida Paulista no último dia 18: a favor do aumento da pena para agressores (Foto: J. Duran Machfee/Futura Press)

Cada vez mais políticos embarcam na história, aumentando o número de projetos ligados à área. Na última eleição, o campeão de votos na Câmara Municipal foi Roberto Tripoli (PV-SP), que se diz responsável pela construção do primeiro hospital público para pets da capital, inaugurado em julho do ano passado no Tatuapé. Uma proposta do deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), irmão de Roberto, depende apenas da aprovação no plenário. Ela prevê punição, no caso de morte de cachorros e gatos, de três a cinco anos de prisão para o agressor se o crime for doloso, com a intenção de matar (ou seja, abre a perspectiva real para o criminoso cumprir a pena na cadeia). Se for culposo, sem intenção de matar, a pena varia de três meses a um ano, mais multa. “A demanda popular ajudou a mudar a consciência dos políticos”, acredita Tripoli. Na Câmara Municipal de São Paulo, somente neste ano surgiram seis propostas ligadas à questão animal (uma a mais que no ano passado inteiro). Entre elas, aparece a tentativa de proibir o comércio de foie gras (fígado de ganso, ave alimentada à força para que seu órgão engorde) e a fabricação de roupas com pele de animais. Algumas dessas são peças oportunistas que não contribuem decisivamente para a questão fundamental: impedir que os bichos sejam maltratados, sob qualquer pretexto — e quem fizer isso deverá ser punido na forma da lei.

Maus-tratos aos animais
Nesta semana, VEJA SÃO PAULO publica duas versões de capa: metade dos assinantes recebeu esta do gato Preto (Foto: VEJA SÃO PAULO)

Como as mudanças nas leis são lentas, os protetores independentes continuam desempenhando um papel importante no combate aos maus-tratos. O casal Luiz Scalea e Giuliana Stefanini recebe cerca de cinquenta ligações com pedidos de ajuda todos os dias. Por semana, eles fazem pelo menos sete resgates de pets abandonados. Em um lar temporário, cuidam de sessenta cães e 150 gatos. Eles pagam as despesas com doações e dinheiro próprio. “Tomamos para nós uma responsabilidade que é do poder público”, diz Scalea. Em sua rotina, a dupla depara com situações revoltantes. Segundo eles, já viram até um serial killer de animais que enterrava os cachorros vivos. Para tentarem mudar a consciência das pessoas, dão palestras em escolas sobre o assunto. “Esperamos poder transformar algo”, afirma Giuliana. “Eu me pergunto como as pessoas podem ser tão cruéis. Os bichos também têm sentimentos.”

PELO FIM DA CRUELDADE

A rotina do Gecap, órgão que lida com maus-tratos 

› Desde fevereiro de 2012, quando começou a funcionar, o Gecap recebeu mais de 1 000 denúncias de maus-tratos a animais.

 › Cerca de 90% dos procedimentos estão relacionados a crimes contra animais domésticos.  › O órgão conseguiu que o pagamento das penas dos réus condenados fosse direcionado a instituições da área animal. Na maioria das vezes, eles devem arcar com pacotes de ração no valor de um salário mínimo.

 › O artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais prevê detenção de três meses a um ano, mais multa, para quem agredir um bicho. No caso de morte, a pena pode ser aumentada em até um terço. 

COMO DENUNCIAR

Alguns canais para ajudar os bichos em perigo  

› Mande um e-mail para gecap@mp.sp.gov.br. Além de fazer a denúncia, informe o endereço da ocorrência, algum telefone de contato e o nome da pessoa responsável. Se possível, anexe também fotos, que são de grande ajuda para a investigação  

› Em caso de emergência, chame a polícia (telefone 190). Depois, procure qualquer delegacia para fazer um boletim de ocorrência. Lembre-se que sem o B.O. é impossível que o agressor seja penalizado. Caso os policiais se recusem a fazê-lo, fale com a corregedoria (telefone 3322-0190)

 › Ligue para o Disque-Denúncia (telefone 181)

 

  • Administração / Comportamento

    Cartas sobre a edição 2337

    Atualizado em: 6.Set.2013

  • VEJA SÃO PAULO recomenda

    Atualizado em: 9.Out.2015

    Restaurante, espetáculo, exposição, doceria e outras atrações em cartaz
    Saiba mais
  • Trânsito / Variados

    O que os paulistanos esquecem dentro dos táxis da cidade

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Celulares e carteiras estão entre os objetos mais perdidos
    Saiba mais
  • Confira o preço da lavagem de algumas peças
    Saiba mais
  • Restaurantes / Variados

    Os mais vendidos de lanchonetes e restaurantes da cidade

    Atualizado em: 9.Set.2013

    Confira os pratos e lanches mais pedidos de endereços como Estadão, D.O.M. e Bella Paulista
    Saiba mais
  • Confira abaixo os dez princípios do skatista, segundo a publicação
    Saiba mais
  • Variados

    'Secos & Molhados' completa quatro décadas

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Lançado em 1973, disco chegou a 1 milhão de cópias vendidas
    Saiba mais
  • Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
    Saiba mais
  • Mônica Nador auxiliou os próprios moradores a decorar cerca de 500 residências da vizinhança
    Saiba mais
  • Confira abaixo quatro peças para homens e mulheres
    Saiba mais
  • Comportamento

    Confira as novidades da semana da coluna Bichos

    Atualizado em: 2.Out.2015

    A seção fala sobre a abertura de uma padaria pet na cidade
    Saiba mais
  • Administração / Bairros

    Mais de 136 000 crianças esperam na fila por creche

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Muitos pais estão recorrendo à Defensoria Pública para conseguir na Justiça uma vaga 
    Saiba mais
  • Educação

    Grêmios estudantis ganham relevância nos colégios

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Grupos organizados pelos alunos criam atividades além das festinhas e campeonatos
    Saiba mais
  • Estrangeiros estão na metrópole para atender incorporadoras e grandes empreendimentos
    Saiba mais
  • Carta de cervejas / Chope e cerveja

    Bandas lançam rótulos de cerveja para lucrar com os fãs

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Bebidas que combinam malte, lúpulo e rock’n’roll começam a pipocar no mercado
    Saiba mais
  • Em alguns casos, eles têm o privilégio raro de receber cachê
    Saiba mais
  • As Boas Compras

    As Boas Compras: amor aos pets

    Atualizado em: 6.Set.2013

    Dez itens para gatos e cães (ou inspirados neles)
    Saiba mais
  • Confira as liquidações da semana

    Atualizado em: 29.Nov.2013

    Abaixo, uma seleção de lojas com promoções atraentes
    Saiba mais
  • Brasileiros

    Carmen di Granato

    Rua Aspicuelta, 268, Pinheiros

    2 avaliações
  • Cozinha variada

    Kaá

    Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 279, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3045 0043

    VejaSP
    13 avaliações

    Falta constância à cozinha que funciona no belíssimo salão de pé-direito alto e com o jardim vertical mais impressionante da cidade. Mesmo com o chef executivo Massimo Barletti à frente do menu (o francês Laurent Suaudeau saiu recentemente), acontecem falhas como um lombo de bacalhau conftado salgado demais, servido com batata, tomate-cereja e azeitona no caldo de vôngole (R$ 87,00). É muito melhor a costela de angus guarnecida de risoto de açafrão (R$ 74,00). Para a sobremesa, peça uma versão de tarte tatin feita com pera e creme de amêndoa (R$ 25,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Cozinha variada

    Condessa Bistrô

    Rua Bueno Brandão, 66, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3842 5141

    VejaSP
    2 avaliações

    Versão “míni” da Mercearia do Conde, o Condessa trocou de endereço em outubro na Vila Nova Conceição. Se a distância entre a velha e a nova casa é ínfima, a capacidade quase dobrou: foi de 42 para 80 lugares. Agora com varanda, o lugar continua a apostar na decoração lúdica e em hits como o nhoque de mandioquinha ao sugo na cesta de parmesão (R$ 58,00). Entraram em cartaz pedidas como o bowl de ragu de cordeiro e mandioca (R$ 33,00).

    Preços checados em 20 de janeiro de 2016.

    Saiba mais
  • A importadora World Wine promove na segunda (13/4/2015) uma degustação de vinhos franceses. No total serão vinte produtores presentes de variadas regiões da França, como Borgonha e Bordeaux. Os participantes podem conhecer a história das vinícolas e também experimentar uma variedade de pães, queijos e embutidos durante o evento.
    Saiba mais
  • Bares variados

    JazzB

    Rua General Jardim, 43, Vila Buarque

    Tel: (11) 3257 4290

    VejaSP
    9 avaliações

    Todo descolado, com pé-direito alto e atmosfera industrial, o bar é um dos responsáveis por levar modernos ao centro da cidade. Essa gente, e vez ou outra turmas de quarentões e cinquentões, se espalha pela pequena arquibancada ou por mesas no térreo e no mezanino para conferir as apresentações de competentes músicos. Enquanto o som entra pela noite, bebem- se chope Colorado (R$ 12,00, 330 mililitros) e drinques como o gim-tônica (R$ 33,00). Na hora de petiscar, vale pedir o crostini com queijo de cabra, compota de tomate e tapenade de azeitona preta (R$ 23,00, oito unidades), simples e delicioso.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Chope e cerveja

    Aconchego Carioca

    Alameda Jaú, 1372, Cerqueira César

    Tel: (11) 3062 8262

    VejaSP
    21 avaliações

    A casa de Kátia Barbosa, fundada no Rio, fez tanto sucesso que ganhou esta sucursal paulistana. Boa de bolinho, a cozinheira sugere ótimas pedidas como o de cassoulet (massa de feijão-branco e recheio de carne de porco defumada; R$ 26,00 a porção). Fora da aladas frituras, porém, algumas pedidas decepcionam. É o caso do caldo de camarão (R$18,00), espesso e, em geral, insosso. Sócio da filial, o especialista em cerveja Edu Passarelli compôs a carta de rótulos. Dos 200 de antes, agora a lista contempla cerca de oitenta — a maioria dos títulos internacionais foi extirpadapor conta do aumento do dólar. Ele treinou bem a equipe, que sabe explicar as características da Amazon Taperebá, de Belém (PA), uma witbier de perfume frutado (R$ 18,00,355 mililitros).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Cozinha contemporânea

    Le Manjue Organique

    Rua Domingos Fernandes, 608, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3034 0631

    VejaSP
    4 avaliações

    Como transformar a comida natureba em um prato gastronômico? Pergunte ao chef e sócio Renato Caleff. Ou, melhor, prove das atraentes receitas dele, que priorizam ingredientes orgânicos e os chamados funcionais. Não há como fugir da moqueca de cogumelo shiitake e palmito pupunha na companhia da agradável farofinha e molho de pimenta (R$ 59,00). Se carne é a sua “fraqueza”, o chamado cordeiro fit em tiras vem com mix de arroz integral, lentilha, passas e grão-de-bico (R$ 72,00). Para encerrar, a pera cozida em tangerina é incrementada com a saborosa ganache de cacau sem lactose (R$ 22,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Um dos fundadores do Grupo Parlapatões, o ator Alexandre Roit resolveu seguir carreira-solo em 2002. No monólogo infantil O Senhor das Chaves, dirigido por Pedro Pires, ele assume o papel de um pescador. Um pouco desorientado, o personagem surge cheio de dúvidas. Enquanto tenta resolvê-las com a ajuda da criançada da plateia, ele encontra três baús repletos de utensílios. Com os objetos de cada um deles, o velho marujo pode contar suas histórias. Na primeira, toca flauta e trombone e narra o caso de amor entre uma sereia e um marinheiro. Em seguida, as habilidades do intérprete como malabarista são usadas para abordar as aventuras de um gigante. Na última, um pequeno aquário é posto em cena para representar a cidade perdida de Atlântida. Além da boa atuação de Roit, a constante participação do público é outro ponto positivo. Em vários momentos, as crianças são convidadas para subir ao palco e contribuir com a narrativa. A estratégia diverte, mantém a atenção dos pequenos espectadores e os estimula a entrar ainda mais no mundo da fantasia. Estreou em 31/8/2013.
    Saiba mais
  • Criada pela Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), a série de concertos infantis Aprendiz de Maestro chega à 12ª edição com cinco espetáculos inéditos na Sala São Paulo. Ao todo, serão oito apresentações até dezembro de 2014, sempre aos sábados, às 11h. A temporada se iniciou em 29 de março com a nova O Agente das Quatro Estações. O ator Paulo Goulart Filho, o maestro Daniel Cornejo e a Orquestra Filarmônica Infanto Juvenil mostram a obra de Antonio Vivaldi. Também haverá reprises, como O Índio de Casaca, no dia 26 de abril, com o maestro João Maurício Galindo. Estão à venda os pacotes anuais, que custam de R$ 320,00 a R$ 480,00. Os ingressos para cada exibição ainda não estão disponíveis.
    Saiba mais
  • Dividida em três partes — Inferno, Purgatório e Paraíso —, a Divina Comédia, do florentino Dante Alighieri (1265-1321), é uma das pedras fundamentais da literatura ocidental. Sua importância possui dimensão comparável apenas a obras como Ilíada, Odisseia (ambas de Homero) e Eneida (Virgílio), às tragédias gregas e às peças de Shakespeare. Ao longo de cerca de sete séculos desde a publicação, o volume foi ilustrado por grandes artistas, a exemplo do renascentista Sandro Botticelli, do poeta William Blake e do gravador Gustave Doré. O espanhol Salvador Dalí (1904-1989) também entrou nesse território. Entre 1950 e 1960 ele realizou 100 aquarelas baseadas no livro, reunidas na Caixa Cultural. O resultado revela-se irregular. O surrealismo repetitivo do espanhol (mais talentoso na autopromoção do que na estética) domina os desenhos, a ponto de quase descaracterizar a fonte. Quando um anjo abre gavetas a partir do próprio corpo, podem-se notar somente características de Dalí, e bem pouco de Dante. Fazem falta a beleza clássica de Botticelli e os contrastes de luz e sombra de Doré. Para uma abordagem onírica, Blake leva a melhor em criatividade e humor. De 31/8/2013 a 27/10/2013.
    Saiba mais
  • Anjo e Boneco tem seu título extraído de um verso do livro Elegias de Duíno, do poeta checo Rainer Maria Rilke. Na mostra, o artista paulistano exibe uma série de guaches em grande formato. Preços não fornecidos. De 15/8/2013 a 14/9/2013.
    Saiba mais
  • Uma assassina perigosa ou apenas uma pessoa que perdeu o controle? No monólogo tragicômico Prof! Profa!, protagonizado por Jandira Martini, não há uma resposta clara para o que motivou a professora competente e de vida aparentemente pacata a acordar numa manhã e matar seus alunos do 3º ano. Ela alega ter poupado o mundo de futuros marginais. E que ajudou o governo a economizar ao tirar da escola estudantes ignorantes. Há muitas provocações levadas à cena nessa montagem, cujo texto é do dramaturgo belga Jean Pierre Dopagne. As mudanças necessárias no ensino tradicional, o choque de gerações na sala de aula e a disputa entre mestres e estudantes pelo poder são algumas delas. O modo como Jandira, em interpretação econômica e coerente, e o diretor Celso Nunes encaram o paralelo entre professor e classe e ator e plateia intriga. Estreou em 31/8/2013. Até 29/11/2013.
    Saiba mais
  • Diretor e também responsável pelo texto, Naum Alves de Souza trata do tema da velhice nesta comédia de pegada nonsense. A história centra-se em Sua Excelência (papel de Marco Antônio Pâmio), um governante há décadas no poder que é viúvo de uma esposa viva, Dona Bluma (Ana Andreatta), e agora está casado com a ambiciosa Filipa (Mila Ribeiro). A atual mulher une-se às filhas Vitória, Inglória e Tormenta para abocanhar a fortuna da família. Mais de uma dezena de personagens desfilam no palco, interpretados só por quatro atores. Fantasmas, diabo, cardeais... muitas figuras têm vez. Não fossem a competência e o bom humor do elenco, completado por Fábio Espósito, a peça poderia se perder. Aqui, contudo, a confusão resulta em diversão. Estreou em 2/8/2013. Até 22/5/2014.
    Saiba mais
  • O Paraná é o estado representado na 15ª edição do Festival do Teatro Brasileiro. Oito espetáculos estão na programação, cinco adultos e três infantis. Com números circenses, Circo Negro, da Cia. Senhas de Teatro, abre a mostra na quarta (11/9) e segue até sábado (14/9), às 20h, no Teatro Aliança Francesa. A comédia Contos Proibidos de Antropofocus ocupa o mesmo espaço a partir do dia 18. Isso Te Interessa?, da Companhia Brasileira de Teatro, faz seis apresentações no Centro Internacional de Teatro Ecum na sexta (13/9) e no sábado (14/9), às 21h e 22h, e no domingo (15/9), às 20h e 21h. Nesse palco haverá na próxima semana o monólogo com Claudete Pereira Jorge Ilíada, Canto 1 e o teatro de animação Tropeço. De 11/9/2013 a 28/9/2013.
    Saiba mais
  • Natimorto e Homem Não Entra estão entre as opções para quem tem pressa
    Saiba mais
  • Festival carioca intensifica agenda musical do fim do ano
    Saiba mais
  • Em um show mais intimista, Emicida se apresenta no palco do Baretto. Em duas noites, as músicas do rapper ganham novas versões, com as instrumentações de Thiago França, no sax, cavaco, flauta e teclado, e Campos no violão, percussão e guitarra. Composições de Campos e faixas de Adoniran Barbosa também estão no roteiro. Dias 18 e 19/10/2016.
    Saiba mais
  • Policial do Capitólio, em Washington, John Cale (Channing Tatum) tem uma ambição maior: tornar-se segurança particular do presidente americano (papel de Jamie Foxx). Durante um tour com a filha (Joey King) pela Casa Branca, o tira, que está à paisana, é surpreendido pela invasão de um grupo de terroristas da pesada. O ato foi muito bem planejado por alguém do alto escalão do governo. Separado da menina e acuado num salão junto de outras vítimas, Cale vai usar sua experiência profissional para reencontrar a garota e, de quebra, proteger o chefe da nação americana. O diretor Roland Emmerich é obcecado em destruir a Casa Branca (como em Independence Day e 2012) e, em O Ataque, uma aventura de ação incessante, o faz munido de técnica irretocável. Suspense, drama familiar e tensão se mesclam num enredo que joga a lógica e o realismo para escanteio para investir em entretenimento-pipoca capaz de grudar o espectador na poltrona. Estreou em 6/9/2013.
    Saiba mais
  • Plateias histéricas, canções-chiclete e cenas de bastidores para mostrar a intimidade do ídolo. Se a fórmula foi aprovada nos documentários musicais de Justin Bieber e Katy Perry, por que não daria certo com cinco rapazes de boa estampa? Embora os outros dois longas-metragens sejam superiores por conter mais revelações e imagens de arquivo, One Direction — This Is Us também dá aos fãs o que eles querem ver no cinema: apresentações empolgantes em 3D, momentos comoventes e a retomada da inusitada história dessa boy band. Em 2010, os ingleses Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Zayn Malik e o irlandês Niall Horan participaram do programa The X Factor e foram eliminados como cantores-solo. Jurado da atração, Simon Cowell, produtor deste longa-metragem, decidiu juntar os rapazes e formar um grupo para seguir na disputa. O One Direction pegou a terceira colocação e começou a fazer história na música pop. Estreou em 6/9/2013.
    Saiba mais
  • É surpreendente como a Argentina, um país tão perto do nosso, consegue ter uma filmografa tão singela e eficaz, muito diferente de alguns trabalhos nacionais pretensiosos que fracassam nos cinemas brasileiros. De O Cachorro (2004) a Medianeras (2011), bons exemplos não faltam. A simplicidade cênica e a economia das palavras são o forte deste drama, no qual a emoção se faz presente do início ao fim. Na trama, o caminhoneiro Rubén (Germán de Silva), que transporta madeira na rota Assunção-Buenos Aires, presta um favor a seu chefe. Ele tem de levar até a capital argentina a paraguaia Jacinta (Hebe Duarte) e sua filha de 8 meses. No início se dá um estranhamento entre eles — Rubén, um solitário caladão, possui uma rotina própria. Aos poucos, ele se afeiçoa à mãe e ao bebê. Estreou em 6/9/2013.
    Saiba mais
  • Beto (Vladimir Brichta) mora em Salvador, faz som de festas e baladas e gosta de aproveitar a vida. Tudo muda quando seus melhores amigos morrem num acidente de carro. Transtornado, o rapaz decide retomar os negócios do pai e, para ajudar o antiquário da família a sair do buraco financeiro, vai atrás de valiosas gravuras de Cícero Dias. Muitas delas foram compradas pelo dono de uma fazenda de cacau (papel de Walmor Chagas), no sul da Bahia. Contudo, Beto é recebido agressivamente pela mulher (Clarisse Abujamra) e pela filha (Ludmila Rosa) do colecionador. Francês radicado na Bahia, o diretor Bernard Attal estreia no longa-metragem com um olhar melancólico sobre a desoladora zona cacaueira do Brasil. Além de pulso firme na condução, a história traz um desfecho tão comovente quanto o fato de este ter sido o último trabalho de Walmor Chagas, já com a visão debilitada. Estreou em 6/9/2013.
    Saiba mais
  • Hugh Jackman e Charlie Hunnam estão entre os bonitões nas telas
    Saiba mais
  • O nome Escola de Berlim vem de um movimento da década de 90 que marcou uma renovação no cinema alemão. A partir de quarta (11/9/2013), o Centro Cultural Banco do Brasil exibe dezenove filmes inéditos dessa safra. Entre os cineastas, está Christian Petzold, que levou o prêmio de direção no Festival de Berlim em 2012 pelo drama Bárbara. Dele, serão projetados A Segurança Interna (2000), Yella (2007) e Dreileben — Algo Melhor do que a Morte (2011). Em cartaz até sábado (28/9/2013), a mostra apresenta o trabalho da diretora Maren Ade em Todos os Outros, marcado para sábado (14/6), às 18 horas. A história enfoca um estranho casal que só consegue ser feliz sozinho.
    Saiba mais
  • Dez anos atrás, o italiano Bernardo Bertolucci retratou no fabuloso Os Sonhadores o Maio de 68, período em que os estudantes franceses saíram às ruas para pedir mudanças políticas e sociais. Agora, é a vez de Olivier Assayas (Horas de Verão) retomar a rebeldia dos jovens em uma convulsiva trama ambientada bem no início da década de 70. Nascido em 1955, o cineasta tinha a mesma idade do protagonista naquela época e usa passagens autobiográficas no drama. Gilles (Clément Métayer), aos 16 anos, é instigado pelos colegas a participar de manifestações em Paris. Depois de agredirem violentamente um segurança da escola, os rapazes decidem escapar de uma futura investigação fugindo para a Itália. Lá, vivem no dolce far niente, experimentam drogas, transam sem compromisso... Gilles também conhece o amor nos braços de Christine (Lola Créton), reforça sua habilidade para desenhar e se aproxima do cinema documental. Em narrativa fluente, o longa-metragem faz um registro autêntico de quem realmente viveu a época. Estreou em 25/04/2013.
    Saiba mais
  • O russo Almas Silenciosas e o francês Renoir são algumas das opções em endereço único
    Saiba mais
  • Os diretores Jean-Christophe Lie e Rémi Bezançon juntaram as forças na encantadora animação ambientada no início do século XIX. Na trama, o garoto Maki, feito prisioneiro no Sudão por um traficante de escravos, consegue escapar, mas vê seu algoz matar por maldade a mãe de uma pequena girafa. O menino cai nas graças do beduíno Hassan, que ruma em direção a Alexandria, no Egito. Lá, o árabe faz um trato com um paxá e deve levar o filhote, batizado por ele de Zarafa, como presente para Carlos X, o rei da França. O roteiro redondinho foi livremente inspirado na história real da primeira girafa a pisar em solo francês, que, posteriormente, virou atração no zoológico. As licenças poéticas fazem fluir a imaginação. Entre elas, a incrível viagem de balão que parte do norte da África, passa por Marselha e chega a Paris. Em técnica 2D, os desenhos são primorosos por reproduzir em detalhes a arquitetura e as construções daquela época. Estreou em 26/7/2013. Por trás dos traços: Jean-Christophe Lie é um dos desenhistas de As Bicicletas de Belleville e Rémi Bezançon dirigiu e escreveu Um Evento Feliz.
    Saiba mais
  • Comportamento

    A graça do footing

    Atualizado em: 6.Set.2013

Fonte: VEJA SÃO PAULO