Especial trânsito

Tráfego lento faz com que motoristas gastem mais

Na Avenida 23 de Maio congestionada, reportagem gastou mais que o triplo de gasolina

Por: Carolina Giovanelli, Catarina Cicarelli, Daniel Salles, Giovana Romani, Isabella Villalba, Manuela Nogueira, Mauricio Xavier e Tomás Chiaverini

Fátima da Silva - capa 2211
EXPOSTOS PARA O CRIME: Ao trafegar pela Marginal Pinheiros no dia 17 de fevereiro, por volta das 18 horas, a autônoma Fátima da Silva foi uma das vítimas da chamada “gangue do notebook”, que tem feito assaltos na via. Ela seguia no banco de passageiro, ao lado do irmão, e pensou que os criminosos fossem ambulantes. Um deles forçou a janela entreaberta para baixo e apanhou o computador. “Meu coração foi a mil por hora”, recorda (Foto: Mario Rodrigues)

Além de torrar a paciência, o motorista também queima dinheiro nas ruas congestionadas. A reportagem de VEJA SÃO PAULO fez o teste em um carro com computador de bordo que mostra o consumo de combustível. A Avenida 23 de Maio foi percorrida em toda a sua extensão em dois horários distintos. A primeira aferição foi realizada às 18 horas da sexta-feira (25). O fluxo era tão intenso que foram necessários cinquenta minutos para vencer seus 4,9 quilômetros, a uma velocidade média de 5 quilômetros por hora. Depois, o mesmo trajeto foi feito num horário tranquilo, às 22h30 da segunda (28). Levaram-se breves cinco minutos, a 44 quilômetros por hora, sem nunca passar da velocidade máxima permitida.

O gasto de combustível com trânsito pesado foi de 942 mililitros, quase 1 litro de gasolina, enquanto foram usados, com o percurso livre, apenas 275 mililitros, menos de um terço. Se o mesmo trajeto fosse percorrido uma vez a cada dia do ano, com o litro da gasolina a 2,6 reais, o reflexo do engarrafamento no bolso do motorista seria um acréscimo de 633 reais.

Diversos pesquisadores já se debruçaram sobre estimativas de prejuízo dos congestionamentos para a cidade. Estudo de 2008 da Fundação Getulio Vargas (FGV) calcula que as perdas causadas pelo trânsito em São Paulo chegam a 33,5 bilhões de reais por ano, o equivalente a 9,4% do produto interno bruto (PIB) na época. O valor é a soma dos 27 bilhões de reais que a população deixa de produzir enquanto fica parada com outros 6,5 bilhões, resultado do aumento de gastos com combustíveis, saúde pública etc. Outro levantamento, feito pelo banco Citigroup, mostra que as grandes cidades do Brasil perdem 5% de sua produtividade com congestionamentos. São pesquisas com variáveis e conclusões diferentes, mas ambas com números estarrecedores. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO