Abastecimento

Água distribuída em Itu é imprópria para consumo

Análise científica foi realizada no líquido que está sendo captado em bicas de poços artesianos e reservatórios públicos

Por: Veja São Paulo

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Desde setembro, os moradores de Itu têm ido às ruas protestar contra as torneiras vazias. Os movimentos começam pacíficos e terminam em quebra-quebra, rodovias interditadas por pneus queimados, saques de supermercados e até de caminhões-pipa. Para evitar novos assaltos do tipo, a guarda municipal passou a escoltar o transporte de água (Foto: reprodução)

Análises científicas feitas pela ONG Caminho das Águas e Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp) comprovaram que é imprópria para consumo humano a água coletada por moradores de Itu (SP) em bica de poço artesiano e reservatórios públicos espalhados por cinco pontos da cidade.

As amostras foram coletadas nos dias 29 de outubro e 4 de novembro em pontos públicos de distribuição, como as caixas de 20 000 litros distribuídas pela Defesa Civil e instaladas na Praça 14 Bis, Praça dos Exageros e Jardim Novo Itu. Também foram coletadas amostras da bica do poço artesiano do bairro Santa Terezinha e do sistema de distribuição por bolsões do Centro de Lazer 1° De Maio.

O relatório cita a diarreia, a esquistossomose, o cólera e os vermes intestinais como as doenças mais comuns causadas pelo consumo de água contaminada. Segundo o estudo, as doenças, no entanto, podem ser evitadas com o tratamento adequado da água antes do consumo.

Os resultados dos exames revelaram que 100% das amostras coletadas apresentaram contaminação por coliformes totais (resultante de decomposição orgânica), coliformes fecais e bactérias resistentes à temperatura.

"O resultado preliminar desta pesquisa aponta índices de 100% de contaminação bacteriológica (...) sendo inapropriada para consumo humano sem nenhum tipo de tratamento prévio, tais como o processo de fervura ou desinfecção da água com hipoclorito de sódio", diz o texto.

O responsável pelo monitoramento, Carlos Diego de Souza Rodrigues, esclarece que a intenção "não é analisar a água distribuída à população pela concessionária Águas de Itu", mas sim de mostrar que a água distribuída emergencialmente nesses pontos públicos pode chegar contaminada às casas dos moradores e que eles devem fazer o tratamento da água.

Fonte: VEJA SÃO PAULO