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Especialistas dizem ser prematuro liberação do uso de máscaras no estado

“Parece mais uma medida com fins políticos do que científicos”, afirma Pedro Hallal; decisão já está em vigor

Por Clayton Freitas Atualizado em 18 mar 2022, 10h37 - Publicado em 17 mar 2022, 19h01

Especialistas ouvidos pela Vejinha dizem ser prematura a decisão do governador João Doria (PSDB) em desobrigar o uso de máscaras em ambientes fechados, medida anunciada nesta quinta-feira à tarde. Alguns afirmam que a medida visa mais dividendos políticos do que científicos.

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Coordenador do Epicovid-19, o maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil, o epidemiologista Pedro Hallal diz que o cenário epidemiológico justifica a retirada em ambientes abertos, medida que já está em vigor no estado de São Paulo desde o último dia 9 deste mês, porém, ainda é cedo para retirar também em ambientes fechados.

“É precipitado. Parece mais uma medida com fins políticos do que científicos”, afirma Hallal, também professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (RS).

Doria é pré-candidato na corrida presidencial das eleições deste ano. Antes de fazer o anúncio em suas redes socais, ele antecipou a medida durante uma entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no programa “Brasil Urgente”, da TV Bandeirantes. Datena é cotado para disputar uma vaga pelo Senado pelo PSDB.

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Para Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu (interior de SP) e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, todos estão correndo pra dar uma notícia de alívio à população, porém, ele defende não haver nenhum respaldo técnico para essas medidas.

“Embora a gente esteja vivendo um período favorável em relação à Covid, todas essas medidas relacionadas a máscara estão mais no contexto da campanha presidencial. De um lado nós temos uma declaração do presidente (Jair Bolsonaro) de que decretará o fim da pandemia; e logo depois, o governador dizendo que o uso de máscara não é mais obrigatório”, afirmou.

Fortaleza defende a continuidade do uso dos equipamentos de proteção como forma de evitar o adoecimento e também prevenir internações e mortes.

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Ele integrou o Comitê Científico de Doria, o mesmo órgão consultivo que, segundo o governador, deu aval para que a medida do fim da obrigatoriedade do uso de máscaras –exceção apenas para unidades de saúde e nos transportes públicos– fosse decretada. Ao lado de nomes como o do médico infectologista Marcos Boulus, um dos mais renomados do país em sua área, Fortaleza sempre foi crítico em relação as medidas de afrouxamento das medidas de restrição anteriores de Doria. Coincidência ou não, depois das críticas, os dois foram alguns dos nomes que deixaram de fazer parte do comitê que assessora o governador em questões técnicas.

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“Ainda não houve tempo para a avaliação da liberação em locais abertos. Essa liberação é extemporânea e não segue critérios adequados”, afirmou Boulus.

“Nova ômicron”

Segundo o epidemiologista Eliseu Alves Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, embora a circulação do SARS-CoV-2 esteja bem mais baixa neste mês de março, se comparada a janeiro e fevereiro últimos, seria mais prudente voltar às atividades habituais, mantendo todas medidas de segurança, inclusive a máscara. “Deveria ser mantido até termos certa segurança que entramos numa fase endêmica da Covid-19 e qual será o seu comportamento nessa nova fase”, avalia.

Quem também diz acreditar que a medida é precipitada é o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor de saúde pública da USP, criador e primeiro presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ele alega haver risco principalmente frente a subvariante BA.2, considerada a “nova ômicron”. “Acho que não é o momento. Poderia ter esperado até sabermos mais sobre a ômicron BA.2”, afirmou.

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A BA.2 é uma subvariante da ômicron, tem demonstrado ser muito mais transmissível do que a própria variante da qual é derivada. Ela está sendo a responsável por uma nova alta de casos em países como Dinamarca, Estados Unidos, Coréia do Norte e Nova Zelândia. O CDC (Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA já emitiu uma análise preliminar indicando que ela é 1,5 mais transmissível do que a ômicron.

“O problema não é ser mais transmissível. É uma variante que nada tenha a ver com a BA.1 [ômicron]. Ou seja, quem já teve uma pode ter a outra”, diz.

Ao ser questionado a respeito do assunto em uma entrevista coletiva na quarta-feira (16), o médico Paulo Menezes, chefe do Comitê Científico de Doria, afirmou que as altas taxas de vacinação contra a Covid-19 registradas em quase todas as faixas etárias, tanto da segunda dose quanto do reforço (3ª dose), conferem ao estado de São Paulo uma situação mais favorável para enfrentar novas variantes da doença.

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