De olho no envelhecimento capilar

Tratamentos que auxiliam o crescimento de cabelo e implantes menos agressivos tornam-se sucesso em clínicas da capital

Você sabia que, há quatro mil anos, o homem já fazia soluções à base de gordura animal e óleo de rosas para evitar a calvície? Felizmente, não dependemos mais de fórmulas caseiras para ter fios bonitos e saudáveis. Com o avanço da tecnologia, novos tratamentos surgiram, visando ao controle quase total da queda dos fios.

O próprio implante capilar, cada vez menos invasivo, não deixa cicatrizes e proporciona resultados naturais. Mas quem busca ajuda de um tricologista, dermatologista especializado em cuidados capilares, no início do problema, nem precisa optar pela intervenção. Existem diversos tratamentos para acelerar o crescimento de novos fios, trazendo equilíbrio entre a perda e o nascimento capilar.

Um exemplo é a infusão intradérmica de vitaminas com o uso de lasers, a fim de estimular a circulação sanguínea e a nutrição do folículo, evitando a queda e promovendo o crescimento de novos fios.

Segundo o dermatologista especializado em tricologia, José Vitor Oliveira, da Clínica Volpe, localizada no bairro dos Jardins, esse tipo de tratamento clínico vai além da estética, pois recupera a autoestima e o bem-estar do paciente. A seguir, o profissional esclarece as principais dúvidas sobre o assunto:

De que forma o cabelo envelhece?

Durante o ciclo de vida, o cabelo passa por fases de desenvolvimento e regressão. Bem desenvolvidos, os fios crescem. Já quando os folículos estão regredindo, eles caem. É normal perdermos cabelo, desde que nossa capacidade de produzir novos fios esteja preservada. Com o passar dos anos, há ainda branqueamento, perda do brilho e redução da espessura e do volume. Alterações hormonais e nutricionais, danos químicos e fatores genéticos contribuem para o envelhecimento capilar.

Qual é a queixa mais comum nos consultórios de tricologia?

A queda de cabelo. Existe um equilíbrio entre queda e renovação capilar, que pode ser quebrado por questões ambientais ou genéticas. Por exemplo, a baixa dosagem de algumas vitaminas, como o ferro, e o hipotireoidismo mal controlado afetam a renovação capilar. O tricologista investiga a fundo cada caso. Durante a consulta, ele faz um exame computadorizado que funciona como um raio-x, avaliando desde o tipo do couro cabeludo à espessura média dos fios. Isso permite entender, de forma individualizada, a progressão de cada paciente.

Quais são as causas mais comuns de queda de cabelo?

As duas causas mais comuns de queda de cabelo são a calvície genética e o eflúvio. No primeiro caso, contribuem a genética e os hormônios. Mais frequente no homem, a queda genética inicia-se na adolescência e progride até os 50 anos. Já o eflúvio é mais comum em mulheres. Nele, a queda é nítida quando se escova o cabelo, no banho ou no travesseiro. Quase sempre existe um fator desencadeante, como o pós-parto, cirurgias, estresse, privação de sono, dietas, medicações e infecções.

Existe diferença entre a calvície genética no homem e na mulher?

Na calvície genética nota-se pouca queda. O que ocorre é que os fios vão se tornando cada vez mais finos, até encolherem e a raiz morrer. Mas o padrão muda no homem e na mulher. No homem, começa como entradas na frente ou rarefação na coroa, podendo se unir com o tempo e levar à calvície total. Na mulher, geralmente começa no centro da cabeça e progride lateralmente

Quais os tratamentos mais eficazes para a calvície?

O tratamento clínico pode ser feito com medicações tópicas, vitaminas e loções. A oleosidade excessiva do couro cabeludo também deve ser tratada, pois interfere na queda. Uma vez ao ano, sugiro aos meus pacientes um módulo de tratamento na clínica, para acelerar o crescimento, com o uso de laser fracionado e injeções de vitaminas. A infusão de substâncias com a radiofrequência fracionada é outra opção. Novos estudos apontam ainda para o uso injetável do plasma ativado com fatores de crescimento ou citocinas, a fim de estimular o nascimento de novos fios. Outra frente é a terapia celular, que promete bons resultados.

Quais as principais novidades em relação aos implantes?

Essa prática evoluiu muito e de forma positiva. A técnica inicial envolvia cortes com cicatrizes inadequadas, além de resultados artificiais. Atualmente, a técnica FUE permitiu que tem resultados fossem obtidos sem cicatriz. Nesta modalidade, folículo por folículo é retirado da parte de trás da cabeça sem cortes, separados por um microscópio 3D e implantados com uma técnica que deixa um aspecto muito natural. Os novos fios não caem, porém, a calvície é uma doença progressiva, por isso, o tratamento clínico em casa e no consultório devem ser mantidos.

Muitos homens têm medo de usar a finasterida porque poderia reduzir a libido. Isso é verdade?

Estudos mostraram que a perda da libido ocorre em menos de 5% dos casos e volta com a parada da medicação. Para esses casos, existem alternativas, como a injeção local da finasterida no couro cabeludo. Essa é a única medicação capaz de bloquear os efeitos do hormônio didrotestosterona (DHT) no couro cabeludo de forma eficaz, retardando a progressão da calvície.

Que dicas daria para quem quer ter fios bonitos e joviais?

O cabelo é a moldura da face e a preocupação com ele remonta à Antiguidade – papiros egípcios de 4 mil anos citavam fórmulas para queda à base de gordura de leão e óleo de rosas. Porém, os fios exigem cuidados extras, como a utilização de vitaminas e produtos tópicos, prescritos por um tricologista. Hoje, vejo um excesso de danos químicos e físicos. Já tratei fios após o uso de megahair e escovas progressivas, para evitar que ficassem com falhas permanentes. Escovas frequentes e muito quentes também prejudicam. Alimentação rica em micronutrientes – como zinco, cobre e silício; e proteínas – favorece o crescimento capilar, mantendo os fios mais saudáveis.

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