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Corrida pela vacina contra a gripe é ineficaz, dizem especialistas

Imunizante disponível não tem em sua composição a cepa que provoca o surto da doença

Por Clayton Freitas 15 dez 2021, 18h25

O surto de H3N2 Darwin na cidade de São Paulo está provocando uma verdadeira corrida pela vacina da gripe. O único problema é que ela terá pouco ou nenhum efeito se for administrada agora, segundo especialistas ouvidos pela reportagem de VEJA São Paulo.

Dados do Grupo Fleury indicam que o número de vacinas da gripe cresceu 189% no período de 6 a 12 de dezembro, no comparativo com a semana anterior.

+H3N2 Darwin: os sintomas da gripe que provoca surto na capital

No dia 8 deste mês, o governador João Doria (PSDB) anunciou a doação de 400.000 mil doses de vacina contra a gripe para a Prefeitura do Rio de Janeiro para tentar conter o surto na cidade.

Um dos motivos que explicam a pouca eficácia da vacinação contra a gripe neste momento para reduzir a transmissão do H3N2 Darwin é que a produção de anticorpos leva de duas a três semanas. Além disso, a composição da vacina disponível não possui a cepa que está circulando.

“É como colocar a fechadura na porta depois que a casa está arrombada”, afirmou o infectologista Alberto Chebabo, da rede de laboratórios Dasa.

Segundo explica Eliseu Alves Waldman, docente do Departamento de Epiodemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), o vírus da Influenza sofre várias adaptações e mutações, e é por isso que todo ano é feita a campanha contra a gripe.

A vacina contra a gripe é inativada, ou seja, nela não produz a doença. A sua formulação tem aval da OMS (Organização Mundial de Saúde) e contém proteínas e cepas do vírus Influenza. A vacina disponível atualmente tem uma cepa H3N2, só que a detectada em Hong Kong, e que circula desde 1968, e, devido a isso, é chamada de H3N2 Hong Kong.

“Essa nova cepa só será integrada na vacina do ano que vem”, diz Waldman.

Para Mônica Levi, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), não existe um consenso se o imunizante disponível oferece proteção cruzada. Apesar disso, ela recomenda que as pessoas que ainda não tomaram a vacina contra a gripe se imunizem, já que pode ela proteger contra outras cepas. Porém, desaconselha que aquelas que já tomaram neste ano, tomem uma dose de reforço.

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“É recomendado que quem não recebeu a vacina se beneficie? Sim. O reforço não é uma conduta corroborada pela ciência”, afirmou.

Segundo Chebabo, como a exposição ao vírus é muito elevada, ele diz ser pouco provável que a vacinação terá capacidade de reduzir a transmissão nesse momento. A respeito da proteção cruzada, ele diz ser favorável que as pessoas tomem o imunizante, embora ressalte que apenas testes clínicos feitos em laboratórios de referência, tais como Adolfo Lutz e Fiocruz, possam indicar se de fato há neutralização.

“É melhor vacinar do que não”, diz.

Segundo o infectologista Celso Granato, diretor Clínico do Grupo Fleury, a vacina atual já está muito defasada. Ele é cético quando questionado se a imunização neste momento com a vacina disponível traria algum benefício cruzado. “Não existe e tanto é que vai mudar a fórmula da vacina”, diz.

Para ele, o momento é o de enfatizar o uso da máscara, o distanciamento e lavar as mãos. “É a nossa vacina universal”, afirma.

Exames

A quantidade de exames tem aumentado significativamente nos laboratórios da cidade de São Paulo. A Dasa informou ter detectado um aumento de 10% na positividade de exames de Influenza na cidade de São Paulo entre os dias 8 e 11 deste mês.

Na cidade de São Paulo, a empresa tem as marcas Delboni e Salomão Zoppi, entre outros, além do Hospital Nove de Julho. Nesta unidade, houve aumento de 41% nos atendimentos do pronto-socorro na média da primeira quinzena de novembro no comparativo com esta semana. Os pacientes com suspeita de síndrome gripal (que incluem Covid) passaram de 37% para 58%.

Dados do Grupo Fleury indicam que o número de exames para detectar gripe cresceu 265% no período de 6 a 12 de dezembro, no comparativo com a semana anterior.

Além de sua rede própria, o Fleury atua em unidades hospitalares tais como Sírio Libanês, Oswaldo Cruz, Santa Catarina e na Rede D´Or.

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