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CoronaVac é eficiente e protege contra casos graves, dizem especialistas

Entenda as diferenças entre as taxas de eficácia divulgadas pelo Instituto Butantan

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 12 jan 2021, 18h04 - Publicado em 12 jan 2021, 17h44

O Instituto Butantan informou nesta terça-feira (12) que a CoronaVac teve 50,38% de taxa de eficácia global nos testes realizados no Brasil. Na última semana, outro índice foi divulgado, o de eficácia clínica: foi de 78% para casos leves a 100% para casos graves.

A taxa divulgada hoje pode ter levado as pessoas a duvidarem da real eficácia da CoronaVac. Para especialistas, como a microbiologista Natália Pasternak, não há motivo para isso. Presidente do Instituto Questão de Ciência, ela cobrou mais informações do governo paulista quando os dados do estudo foram divulgados de forma parcial. Nesta terça (12), ela participou da coletiva de imprensa.

“Nunca falamos desde o início: eu quero uma vacina perfeita. A gente falou ‘quero uma vacina para sair dessa situação pandêmica’. E isso a CoronaVac permite”, disse Natália. “Nós temos uma boa vacina. Não é a melhor vacina do mundo. Tem sua eficácia dentro dos limites, dentro do aceitável pela comunidade científica. É um estudo limpo e claro. Eu quero essa vacina, eu quero que os meus pais tomem essa vacina”, disse.

O dado mais fresco é referente a chamada eficácia global. Significa que, caso uma pessoa tome a CoronaVac, ela tem 50,38% de chance de não desenvolver qualquer sintoma da doença. Natália disse ainda que a vacina é adequada para o Brasil por poder ser armazenada em temperaturas comuns em qualquer refrigerador, entre 2ºC e 8ºC.

Eficácia clínica de 78% é importante

Como já dito, a eficácia de 78% corresponde à capacidade da vacina proteger pacientes em casos leves e moderados e a eficácia de 100%, casos graves, ou seja, que necessitam de acompanhamento médico e hospitalização. O imunizante então, de acordo com os dados do Butantan, pode reduzir consideravelmente o número de pessoas que precisariam ser internadas caso tivessem a Covid-19.

Infectologista do Instituto Emílio Ribas, Rosana Richtmann afirmou que “o número mais importante são os 78%: ele consegue ter um impacto muito grande na carga da doença no nosso país”. Ela explicou ainda que em um primeiro momento não ficaremos livres do vírus, mas é a hora em que vemos “uma luz no fim do túnel”.

Ricardo Palácios, diretor de pesquisa do Butantan, ressaltou que os testes clínicos foram feitos com profissionais da saúde, faixa da população que tem uma exposição muito maior ao vírus. “Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para a vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários”, comentou.

Campanha de conscientização

Natália Pasternak falou sobre a importância de que o maior número de pessoas possível tome o imunizante, quando disponível. “Uma vacina só é tão boa quanto a sua cobertura vacinal. O dado de eficácia vai nortear a meta de vacinação. Se temos uma vacina que tem 50% de eficácia, sabemos que o mais urgente é uma campanha para informar as pessoas sobre a segurança. A efetividade vai depender de quantas pessoas se vacinam”.

O biólogo e pesquisador Atila Iamarino também falou sobre a eficácia nas redes sociais. “Sobre a eficácia: o foco não é a proteção individual. Vacina não vai te liberar de distanciamento e máscara. Vacinação, por enquanto, é pra diminuir o número de doentes e internados e não deixar o sistema de saúde colapsar. E não para eliminar o vírus e poder ir pro bar”, escreveu.

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