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Luisa Francesconi faz seu décimo papel masculino em ópera

A meio-soprana se prepara para viver Sesto na ópera de Mozart 'La Clemenza di Tito'

Por Juliene Moretti - 26 abr 2019, 06h00

Em La Clemenza di Tito, ópera de Mozart com estreia prometida para esta sexta (26) no Teatro São Pedro, Vitellia descobre que não será escolhida como esposa do imperador Tito. Raivosa, convoca Sesto para matá-lo e, em troca, casar-se com ele. Na pele da moça vingativa está a soprano Gabriella Pace.

Personagem Sesto, da ópera La Clemenza di Tito: estreia prometida para sexta (26) Heloísa Bortz/Divulgação

Já na do rapaz apaixonado disposto a destruir o governante, a meio-soprano Luisa Francesconi, em seu décimo personagem masculino operístico. “Muito mais importante que o gênero, o que conta para as obras é o timbre vocal”, explica Luisa, que levou a discussão para seu trabalho de mestrado. Em tempo: ainda que possa causar estranheza aos iniciantes no formato, a tradição de mulheres interpretarem homens vem do século XVIII.

Estudante de piano desde os 5 anos, a artista assumiu seu primeiro papel masculino em 2003, em Orfeu e Eurídice, em Brasília, quando fez a própria caracterização. “Foi um sentimento bem forte porque nas tramas eles são sempre mais livres e mais poderosos do que elas.” Com novas oportunidades semelhantes, decidiu ir atrás de aulas de teatro. Octavian, de O Cavaleiro da Rosa, foi seu maior desafio. Seu estudo prévio levou oito meses. “Fui a Viena para fazer a preparação vocal e contratei um personal trainer porque precisava ganhar corpo”, lembra. “Tinha também cenas mais tórridas com a argentina Carla Filipcic, que interpretava Marechala, e viramos amigas”, conta.

Octavian: personagem da montagem O Cavaleiro da Rosa STIG/Divulgação

Já para Sesto, precisou adaptar-se à barba longa. “É o meu quinto par romântico com a Gabriella, estamos acostumadas”, diverte- se. Brasiliense formada em psicologia, Luisa mudou-se para São Paulo há quatro anos para morar com o namorado, o ator Fabrizio Santos. Divide- se entre as aulas de canto que ministra no Studio Marconi Araújo e as óperas. “Já fiz 43 personagens, dez masculinos. É a minha paixão”, diz.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 1º de maio de 2019, edição nº 2632.

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