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“São Paulo nunca deixou de ser a capital dos musicais”, diz Daniel Boaventura

Prestes a voltar aos palcos com o espetáculo "A Família Addams", o ator e cantor fala sobre carreira internacional, pandemia e relação com a televisão

Por Saulo Yassuda Atualizado em 10 fev 2022, 15h04 - Publicado em 11 fev 2022, 06h00

Daniel Boaventura, 51 anos, se considera “paulistano-baiano”. Depois de idas e vindas a São Paulo, o ator e cantor nascido em Salvador se fixou por aqui em 2003. Na televisão, já atuou em novelas ou séries de Globo, SBT e RecordTV, e, no teatro musical, onde também é veterano, interpretou, por exemplo, Gastón em A Bela e a Fera (2002), professor Henry Higgins em My Fair Lady (2006) e Capitão Gancho em Peter Pan (2018). Em 10 de março, inicia uma temporada no Teatro Renault com A Família Addams, uma nova montagem do sucesso da Broadway que estrelou em 2012, agora sob direção de Federico Bellone.

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Em paralelo, não desgruda do microfone. Sua voz, a entoar músicas “de Frank Sinatra a Maroon 5”, está ficando cada vez mais conhecida internacionalmente, sobretudo no México, onde fará uma turnê com show no Auditório Nacional, uma das principais casas de espetáculos da capital mexicana. Confira, a seguir, trechos da entrevista.

Como vai ser voltar aos palcos, mesmo em plena alta dos casos de Covid-19?

Estou ensaiando direto, todo mundo de máscara, fazendo teste. As pessoas estão ávidas por entretenimento. As informações que eu tive é que as vendas estão voando. Existe interesse e uma curiosidade muito grande do público com essa nova montagem. Estou tentando ser o mais profissional possível e esconder a minha felicidade de trabalhar com essa equipe: Federico Bellone, que é o diretor, italiano, um gênio, que vem fazendo projetos incríveis de direção na Europa. E tem o trabalho da Marta (Melchiorre, coreógrafa), que acompanha esse projeto.

A nova montagem vai ser muito diferente da de 2012?

É uma versão que está vindo ainda mais compacta. Compacta não é a palavra certa. Ainda mais direta. É um pouco mais curta que a versão de 2012. As pessoas me abordam até hoje para falar do (personagem) Gomez. Foi muito gostoso fazer e trocar com a Marisa (Orth), a colega dos sonhos.

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Além do elenco novo — com exceção de você e Marisa Orth, que seguem na escalação — e da duração menor, o que mais mudou na peça?

Está mais dinâmica, mais engraçada. É o mesmo texto, mas o diretor cortou as “gorduras”, as “barrigas” e até alguns trechos de músicas que não acrescentavam muito. O que interessa é contar a história e ter o dinamismo. Estamos em 2022 e, em geral, as pessoas não têm tanta paciência (para peças muito longas), creio eu. É um espetáculo adaptado para o tempo atual, sem perder as cenas que funcionavam, a lógica da história e o humor.

Esse enxugamento tem a ver com o fato de possivelmente ser mais caro hoje montar um espetáculo desse porte?

Tem a ver com ir direto ao ponto, mesmo. A história ganha mais ritmo, o público fica mais interessado. E é um novo público.

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Você já afirmou que sempre busca o que há dentro de si na construção de personagens. Como era o Gomez de 2012 e como é o de dez anos depois?

Acho que, apesar de eu ter feito o Gomez aos 42 anos, da primeira vez, e agora estar com quase 52, ainda bem que não estou sentindo muita diferença física. Estou procurando me manter em forma. (Risos.) Assim como você, eu gosto de comer bem e adoro um vinho. Estou me sentindo muito bem no papel. Existe um amadurecimento nesses anos que fica intrínseco, mas não quero perder as coisas do Gomez de 2012. Continua o mesmo, mas, como a peça, ele está mais dinâmico, às vezes um pouco mais histriônico, um pouco mais sapeca. Acho que é a diferença dessa direção italiana para a direção americana. Estou adorando.

“Sapeca” reflete mais a direção do que seu atual estado de espírito?

(Risos.) Acho que tem a ver também. Quando o tempo passa um pouco, a gente pode ser dar ao luxo de não se levar tão a sério, o que não significa não fazer o trabalho seriamente. Isso é entretenimento, as pessoas têm de se divertir.

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São Paulo já foi considerada a capital nacional dos musicais. Como está o mercado nesse cenário pandêmico?

Está voltando. As pessoas estão retornando ao teatro com cautela, tem tudo para voltar a manter esse título. Nunca, nunca deixou de ser. O que aconteceu com os musicais aconteceu em todas as áreas, como na gastronomia. Mas, no setor dos musicais, você não podia entrar num aplicativo e chamar cinquenta músicos para cantar na sua casa.

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Como passou a pandemia?

Foi muito pesado para todo mundo. Eu ainda tenho minha carreira como cantor, que desenvolvo fora do país. Fiz algumas lives bacanas de Dia das Mães e Dia dos Namorados. Mudei, fiz reforma, foi um período em que pude continuar estudando.

Pretende voltar para a televisão?

Não fechei as portas para a televisão, mas eu tenho realmente shows para fazer. Depois da turnê no México (em abril), vou pousar em Guarulhos e vou direto para o teatro. (Risos.) A partir desse período, eu já posso de repente concatenar algo, mas que esteja em concomitância com o musical.

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Com os contratos por obra na Globo, por exemplo, e o avanço do streaming, aumentou o mercado para atores?

Concordo. O artista precisa ter mobilidade e, hoje, tem mais veículos e mais oportunidades. Olhe o mercado americano, por exemplo, hoje a coisa está tão diluída… Você tem Disney+, Netflix, Amazon, HBO e vários outros. E tem os estúdios, as produtoras…

Você tem postagens em espanhol e fotos da bandeira mexicana nas redes. O México te ama muito?

Tenho muita vontade de voltar ao México (para cantar), agora vai ter minha segunda turnê com shows por lá. Até agora, serão cinco cidades. Mais de 60% do meu público nas plataformas digitais é mexicano. O restante, eu divido equanimemente entre americanos e brasileiros. E agora tenho fã-clube até na China, onde nunca cantei.

Em 2012, você disse a Vejinha que queria receber o mesmo reconhecimento como cantor que tinha como ator. Chegou lá?

Eu não sei, eu não sei. (Ri, hesitante.) Eu ando pelas ruas e ouço as pessoas falarem “Essa voz eu reconheço, você é o cantor”. Acho engraçado isso, reconhecer pela voz. Mas mais (importante) do que reconhecimento, nesse sentido, é perceber no público que ele está se identificando com seu estilo de fazer música. Esse é o grande “tchan”.

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Publicado em VEJA São Paulo de 16 de fevereiro de 2022, edição nº 2776

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