Clique e Assine a partir de R$ 6,90/mês

Papai Noel na pandemia: cartinha sem abraço, home office com elfo e bolso mais vazio

Os centros de compras buscam alternativas tecnológicas para substituir a presença física do bom velhinho

Por César Costa Atualizado em 4 dez 2020, 00h43 - Publicado em 4 dez 2020, 00h40

Eduardo Bianco, 67

Taxista de profissão, escalou um ajudante para garantir o distanciamento

De dezenove shoppings consultados pela Vejinha, nenhum deles terá Papai Noel ao vivo neste ano. Mas Bianco tem esperança de continuar os trabalhos presenciais, visitando casas e eventos. “A gente está instruído a usar máscara, álcool em gel, luvas. Mas e o distanciamento, como vai ser? As crianças querem chegar perto, adultos também”, preocupa-se, com razão. No papel de bom velhinho, porém, não se sente confortável de dizer “não faça isso, não faça aquilo”. “Pode ser um pouco constrangedor”, afirma. Ele pretende contar com a ajuda de um artista anão para segurar a empolgação dos anfitriões. Pai de dois filhos e casado, continuará trabalhando como taxista. “Está difícil para todo mundo.”

No trono: mas sem trabalho em shoppings
No trono: mas sem trabalho em shoppings Rogerio Pallatta/Veja SP

ORLANDO BRANDÃO, 59

De casa, o ator montou o próprio estúdio e trabalha com os filhos

A serviço do Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo, mas agora em home office, Brandão faz da sua função de Papai Noel uma forma de homenagear sua irmã Margareth, que morreu em 2018 devido a um câncer. Ela era sua maior fã e quem mais o incentivava. Para enfrentar o isolamento, o ator montou uma estrutura de estúdio em casa. Além disso, terá uma ajuda especial neste ano. “Conto com o apoio técnico dos Elfos, meus filhos”, diverte-se. “Tales, que se chama Tales mesmo, e Legolas, que é o Nicolas. Eles que organizam as gravações, cenários, montagens, enquadramentos e afins.” Seu novo escritório também será útil para seguir fazendo trabalhos como ator, profissão que exerce há 34 anos.

Mais de três décadas atuando: fundo verde para criar efeitos
Mais de três décadas atuando: fundo verde para criar efeitos Divulgação/Divulgação

Domingos Agatão, 69

O representante comercial sentirá falta das celebrações natalinas

“Para te dizer a verdade, eu passo o ano pensando no Natal”, revela Agatão. Representante comercial, ele parou com os atendimentos presenciais do seu trabalho e com as viagens, que costumavam ser muitas. Mas do que ele mais sente saudade devido à atual situação de distanciamento é do encontro com os meninos e meninas em dezembro. “Tenho muita gratidão por ser Papai Noel. Atender as crianças é uma delícia, muito gratificante. O abraço delas vai me fazer falta”, afirma. As cartinhas, ainda bem, continuam bem-vindas. Amante de música, Agatão conta que adorava se juntar com seus colegas para “fazer um sonzinho”. “Eu me reunia toda sexta-feira com meus amigos. Faz falta.”

Apenas cartinhas: os abraços das crianças ficam para o próximo ano
Apenas cartinhas: os abraços das crianças ficam para o próximo ano Alexandre Battibugli/Veja SP

Distanciamento nas festividades

No ano do “novo normal”, não teve jeito: também teremos um “novo Natal”. Os encontros das crianças com Papais Noéis que movimentavam os meses de novembro e dezembro nos shoppings — e garantiam cachês de até 14 000 reais aos artistas de barba branca — estão suspensos.

Antes mesmo do retorno da cidade para a fase amarela do plano de reabertura econômica, na última segunda, 30, todos os dezenove shoppings procurados pela reportagem da VEJA SÃO PAULO já tinham garantido que não haveria espaço para a criançada sussurrar seu pedido no ouvido do bom velhinho. Os senhores que dão vida ao personagem natalino pertencem ao grupo de risco, seja pela idade avançada, seja pelo sobrepeso, e precisam evitar o contato com outros adultos e também crianças.

Por parte dos atores, as soluções passaram por montar estúdios em casa ou atender apenas a eventos pequenos, nos quais é mais viável manter o distanciamento social. Para os centros de compras, a saída foi investir em tecnologia. É possível falar com o Papai Noel por WhatsApp ou através do direct do Instagram. Outro formato de manter o contato digital é via videochamadas. Protegidos atrás de telas, onde é projetada a imagem do velhinho, atores também conduzem conversas com as crianças.

+Assine a Vejinha a partir de 5,90.

Nos casos menos convencionais, o uso da realidade aumentada promete emocionar os meninos e as meninas. A partir das câmeras do próprio celular, é feita uma mistura da vida real com a gravação prévia do Papai Noel. Dessa forma, dá até para a família montar uma foto com ele.

Continua após a publicidade

O último modo de substituição usa projeções holográficas, disponíveis nos shoppings ABC e Penha. A interação, apesar de não ser tão personalizada, passa a sensação de que o Papai Noel está realmente ali. A proposta é que uma réplica digital surja frente a frente com as crianças.

Shopping Metrô Santa Cruz: um ator guia o Papai Noel virtual nos bastidores durante a conversa
Shopping Metrô Santa Cruz: um ator guia o Papai Noel virtual nos bastidores durante a conversa Divulgação/Divulgação

Programação diferente

As estratégias de cada shopping para trazer o Papai Noel para 2020.

+Assine a Vejinha a partir de 5,90.

Troca de mensagens com o bom velhinho

  • Shopping Iguatemi São Paulo
  • Shopping JK Iguatemi
  • Santana Parque Shopping
  • Shopping Pátio Higienópolis

Realidade aumentada

  • Shopping VillaLobos
  • Mooca Plaza Shopping
  • Shopping Aricanduva
  • Shopping Center Norte
  • Santana Parque Shopping

Videochamada com Papai Noel

  • Shopping Metrô Santa Cruz
  • Mooca Plaza Shopping
  • Shopping Ibirapuera (tela touch screen, mensagens gravadas)
  • Shopping Eldorado
  • Shopping Cidade Jardim
  • Shopping Cidade São Paulo

Papai Noel Holográfico

  • Shopping ABC
  • Shopping Penha
Versão holográfica: quem pisar na plataforma do Shopping Penha receberá uma mensagem motivacional do bom velhinho
Versão holográfica: quem pisar na plataforma do Shopping Penha receberá uma mensagem motivacional do bom velhinho Divulgação/Divulgação

 

+Assine a Vejinha a partir de 5,90.

Publicado em VEJA São Paulo de 09 de dezembro de 2020, edição nº 2716

 

 

Continua após a publicidade
Publicidade