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“Nós nos conhecemos durante o plantão do jornal”, diz casal da CNN

Juntos há doze anos, Rafael Colombo e Marcela Rahal se conheceram na redação da Band e hoje apresentam dois jornais na emissora da Paulista

Por Marcela Rahal, 35 anos, em depoimento a Humberto Abdo Atualizado em 5 nov 2020, 23h41 - Publicado em 6 nov 2020, 06h00

“Eu era produtora, ele, chefe de reportagem, nós dois contratados da Band. Nós nos conhecemos durante um plantão na redação. Passamos a conversar, a nos encontrar no almoço, e surgiu um amor muito natural, apesar de sermos tão diferentes: eu expansiva e sociável, ele muito tranquilo, na dele.

Quando começamos a namorar, era estranho trabalharmos juntos e a relação profissional indireta atrapalhava o nosso relacionamento. Depois de dois anos, mudei de emprego. Na época, já estávamos morando juntos.

Meses antes de nos casarmos, minha mãe tinha morrido de câncer e o Rafael, 42, me deu apoio naquele momento tão sensível. A festa de casamento foi no mesmo lugar que a dos meus pais, em Moema, e me lembro de dizer que minha mãe tinha ajudado a realizar a cerimônia, apesar de não estar mais lá. Foi uma linda comemoração com todos os nossos amigos, os de jornal e da vida.

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Apesar de introspectivo, o Rafa sempre gostou de sonhar, viver mudanças, como comprar um apartamento, planejar uma viagem… E depois disso ele queria ter um filho. Eu, com 27 anos, falei: ‘Tá, mas só depois das eleições’. As notícias pautam os planos de qualquer casal repórter. Viajei nas eleições de 2012 e logo após o fim do segundo turno descobri que estava grávida. Sofia nasceu em junho de 2013, bem nas manifestações dos 20 centavos (a gente marca as datas pelas coberturas jornalísticas).

O Rafa é muito carinhoso e ficou ainda mais cuidadoso comigo durante a gravidez. O período da maternidade, quando ela nasceu, foi o mais desafiador. Sem minha mãe por perto, tive ajuda da minha sogra e ele foi muito parceiro, ficou o tempo todo do meu lado. Sempre tivemos uma vida tranquila, com férias no Nordeste e na praia, e foi preciso entender como era a vida de um bebê. Preocupados e estressados com um recém-nascido em casa, brigamos bastante porque o casal fica voltado para a criança, mas depois conseguimos nos ‘reencontrar’.

Percebi que nesse tempo floresceram em mim coisas de mãe que eu nunca havia imaginado, como aprender a cozinhar, lavar e arrumar a mesa da primeira festa de aniversário. Eu tinha pedido demissão do meu emprego na época, mas quis voltar a trabalhar após um ano e meio. Com nossos plantões, horários malucos e a primeira vez que apresentei um jornal na televisão, foi difícil alinhar tudo para cuidar da Sofia. Agora o Rafa quer ter outro bebê, mas por enquanto estou enrolando ele, tenho vários medos.

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Casal repórter: juntos há doze anos, Rafael e Marcela se conheceram na redação da Band Arquivo Pessoal/Divulgação

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No mesmo período em que a CNN Brasil me convidou para o canal chamaram também o Rafael. Eu fui primeiro e ele, após mais de vinte anos na Band, migrou para a Paulista comigo em seguida. Hoje apresentamos dois jornais na CNN, um depois do outro: ele comanda com a Elisa Veeck o CNN Novo Dia, das 6 às 11 horas, e eu o Live CNN, das 11 às 13 horas. Nosso maior medo era apresentarmos juntos, porque é algo que interfere muito na vida do casal, porém cá estamos trabalhando lado a lado. Chegamos a apresentar uma vez um plantão na CNN, mas o estranhamento inicial passou logo e foi ótimo.

Desta vez não existe uma relação direta dentro da empresa, só trabalhamos no mesmo lugar. Gosto de saber que ele está por lá na redação, e aproveitamos para tomar café juntos às 7h30, durante um quadro do qual ele não faz parte. Fazem bastante brincadeira com o fato de ele ‘passar o bastão’ para mim no jornal, as pessoas ficam curiosas para saber da nossa vida pessoal, mas a maioria nem imagina que estamos há doze anos juntos porque não temos uma interação ao vivo, entre os programas. Só acaba o dele e entra o meu, no mesmo estúdio.

Temos um golden retriever e um gatinho, que adotamos na quarentena. Eu tive Covid, assintomática, e fiquei isolada no quarto. Ele e minha filha não pegaram coronavírus. O Rafa ficou com muito medo de a doença evoluir do nada e meu quadro se agravar, daí fez tudo: punha almoço, café e janta na porta do quarto, pegava minha roupa suja no saco plástico. Apesar da situação estressante, de momentos de angústia, os laços familiares se fortaleceram.”

Mesma emissora: Rafael e Marcela apresentam dois jornais na CNN Brasil Kelly Queiroz/Divulgação

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Publicado em VEJA São Paulo de 11 de novembro de 2020, edição nº 2712

 

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