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Capital ganha galerias inspiradas em espaços culturais de Nova York

Jaqueline Martins e Janaina Torres investem em alternativas ao cubo branco

Por Julia Flamingo Atualizado em 1 jun 2017, 15h50 - Publicado em 18 nov 2016, 23h00

Para entrar nas duas mais novas galerias da cidade, a Jaqueline Martins, na Vila Buarque, e a Janaina Torres, em Pinheiros, é preciso tocar a campainha e subir escadas em corredores estreitos. As coincidências não param aí. Ambas têm paredes desgastadas, piso rústico e luz natural, entre outras coisas, de modo a se diferenciar da arquitetura mais comum nesses endereços. Os concorrentes tradicionais, situados na Vila Madalena e nos Jardins, têm ambientes assépticos, ao estilo cubo branco.

Stuart Brisley - Interregnum
Stuart Brisley – Interregnum

“Por dois anos, busquei um espaço que fosse estimulante para os artistas e os colecionadores”, conta Jaqueline. Há dois meses, ela trocou o antigo imóvel em Pinheiros por um galpão alugado de três andares. Com 900 metros quadrados (dez vez maior que o anterior), o local vai ao encontro da proposta experimental dos dezoito nomes representados pela profissional. O britânico Stuart Brisley, por exemplo, aproveitou o cenário amplo na instalação de metal Elephant in the Room, de 4 metros de altura e 3 metros de largura.

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GALERIA JANAINA TORRES
GALERIA JANAINA TORRES

Em Nova York, locais como a Gladstone Gallery e a Hauser & Wirth ajudaram a disseminar por lá a onda de ambientes de exposições abrigados em construções fora do padrão. O modelo serviu de inspiração para Janaina Torres. Desde outubro, ela trabalha num antigo ateliê de costura de 170 metros quadrados. Com investimento de 200 000 reais, a reforma só arrancou azulejos e divisórias, deixando à mostra imperfeições da alvenaria. “A simplicidade faz o público se sentir acolhido”, acredita.

Galeria Janaina Torres
Galeria Janaina Torres

Janaina inaugurou o endereço com a exposição do paulistano Feco Hamburger. É de autoria dele a peça Miragem, uma lente dependurada no teto que reflete o ambiente, como um espelho distorcido (efeito que não teria tanta graça se o trabalho fosse exposto numa galeria comum). “Esse movimento ajuda a oxigenar o mercado com ideias emprestadas dos espaços independentes”, elogia Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte.

 

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