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Lista de memórias e lugar pra escrever são dicas para fazer primeiro livro

Os cursos de escrita e literatura têm feito sucesso na quarentena. Reunimos onze passos para quem é iniciante na jornada literária

Por Juliene Moretti - Atualizado em 21 ago 2020, 08h46 - Publicado em 21 ago 2020, 06h00

Cursos de escrita e literatura, que custam perto de 300 reais, têm sido um sucesso na quarentena. Na Escrevedeira, centro cultural na Vila Madalena que oferece atividades para produção de texto, o número de oficinas mensais saltou de quatro para doze depois do início da pandemia — todas on-line. Já na plataforma Navega, com aulas que vão de atuação com Lázaro Ramos a roteiro cinematográfico com Anna Muylaert, o hit do momento é a de escrita literária, ministrada por Marcelino Freire, escritor e vencedor de dois prêmios Jabuti. O crescimento foi de 651% desde março. “Sempre foi um sucesso, entre os mais procurados, mas agora é o mais vendido”, diz Minom Pinho, diretora-geral da empresa. Para aqueles que estão com vontade de se aventurar, a Vejinha reuniu dicas para começar a escrever o primeiro livro.

1. Suas experiências são poemas

Faça listas com temas que são só seus, como pessoas que gostaria de esquecer, momentos felizes ou tristes, itens da sua infância que apenas você sabe. Cada um dos listados tem uma história, e isso vai lembrá-lo que existe repertório para montar uma narrativa. “Eu costumo iniciar meus cursos pedindo uma lista de dez elementos da infância dos alunos. Cada linha é uma surpresa e já pode ser um poema de Manuel Bandeira”, diverte-se Marcelino Freire.

2. Conheça a si mesmo

CSA Images/GettyImages/Divulgação

É importante ter um período inserido na rotina para escrever. O dia da semana e o tempo destinados às atividades mudam de pessoa para pessoa. “Tem gente que trabalha muito bem com metas, como escrever um número específico de páginas diariamente. Outras preferem se organizar com uma determinada quantidade de horas. Só você sabe o que funciona melhor para a sua produção”, afirma João Varella, fundador da Editora Lote 42 e da Sala Tatuí, que oferece curso para produção de publicação, passando por todas as etapas, até sua distribuição.

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3. Esqueça (e depois lembre-se do projeto)

Às vezes, deixar o processo de criação de lado faz bem. “A partir do momento que a gente se engaja, é difícil pensar em outra coisa, e a concentração e a criatividade podem ir embora”, diz Varella. Ele destaca que é bom fazer várias atividades, explorar, se inspirar de formas diferentes. As soluções para problemas nos textos podem vir de ações simples do dia a dia, como lavar louça. “Mas é importante que essas ideias sejam passadas para o projeto rapidamente, mesmo que não sejam usadas depois.”

4. Qual é o esquema?

Monte um plano para seus personagens e anote quais serão os momentos marcantes pelos quais eles devem passar até atingir o objetivo final. “Não tem problema nenhum mudar no meio do caminho ou recuar. Traçar essa trajetória serve como referência caso você se perca durante o processo”, diz Varella.

5. Sua opinião é importante para nós

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Com o texto terminado, passe para poucos amigos lerem. Peça sinceridade nas respostas e não fique ofendido se elas não forem positivas do jeito que esperava. “É melhor um conto ruim lido pelos poucos e bons, que estarão ao seu lado mesmo assim, do que lido por centenas de pessoas que não conhece”, afirma Varella. Busque alternativas para aprimorar-se. Cursos de escrita criativa e oficinas de texto ajudam com conteúdo e com encontros de outros escritores na mesma situação para trocas de experiências.

6. 3, 2, 1… Ação

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Construir as primeiras linhas é um desafio para todo mundo. Se estiver na dúvida de como iniciar o texto, aposte na ação. “Um personagem tragando um cigarro, ou as mãos inquietas cheias de veias da tia que batiam na mesa insistentemente… Puxe por um movimento que chame a atenção e narre a cena a partir dele, mesmo que não tenha uma conexão com a história a ser contada”, diz Freire. “Isso vai ajudar a seguir com o texto e prender a atenção do leitor.”

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7. Só escreva

Dê vazão ao que vem à cabeça sem se preocupar com gramática, erros de digitação, concordância e se as ideias estão claras. “Se empacar nesses detalhes ou em palavras que não estão agradando, não sai do lugar”, diz Freire. “As falhas podem ser usadas a seu favor: se não sabe usar vírgulas, não use. Sinta a pulsação do texto, e não a pontuação”, completa.

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8. Explore outros gêneros

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Ao decidir qual será o formato de seu projeto, faça leituras e estude outros. É um romance? Então leia uma biografia. Segundo Antônio Xerxenesky, professor na Casa do Saber, as poesias, por exemplo, podem ajudar na produção de narrativas maiores. “Desses gêneros diferentes aparecem sugestões de construções de frases e fluxos de pensamentos que podem encaixar na sua história”, diz Varella. Procure ler autores que nunca tinha lido antes. “Nas aulas, peço que busquem por escritores que não conheciam para serem seus ‘padrinhos’. Eles vão inspirar com suas trajetórias”, afirma Freire.

9. Minha toca, meu conto

Escolha um cantinho seu, reservado para a sua produção. Ali, coloque as referências que vão servir para entrar no clima da história a ser escrita: imagens, fotos, um brinquedo. “Além disso, uma vez que se está nesse lugar, os outros moradores da casa vão pensar: ‘Não pode interromper, ele está escrevendo’”, orienta Freire.

10. Refazer e refazer

Quando estiver com a história finalizada, releia e rescreva, mas mude o formato. “Se produziu em um caderno, passe para o computador. Se foi no computador, imprima e faça as correções no papel ou leia em voz alta”, diz Varella. “É assim que vai perceber onde estão os problemas, estruturais ou gramaticais, que devem ser corrigidos.”

11. A hora da verdade

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Depois de muito tempo se dedicando ao projeto, nada mais justo do que querer vê-lo publicado. “Os caminhos se abrem quando fica pronto e a criatividade também conta nessa hora”, diz Varella. Para quem quer o produto impresso, há algumas possibilidades. A primeira delas, mais conhecida, é procurar as editoras. “Algumas prestam serviços e pedem um pagamento para publicar. As mais tradicionais, que se ocupam do processo por completo, remuneram o autor com os direitos autorais”, explica. Há ainda a opção de autopublicação, em que o autor é responsável por todas as etapas de produção. Aqui, Varella explica, vale buscar por um revisor profissional e um designer para montar o livro. “Então pesquise gráficas. As digitais conseguem entregar pequenas tiragens, que são ideais para quem não quer ou não pode gastar muito.” Em alguns casos, os blogs são uma boa alternativa para divulgar seu trabalho.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 26 de agosto de 2020, edição nº 2701.

 

 

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