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Barcelona paulistano disputa a última divisão do Campeonato Paulista

A equipe tem salários e jogadores muito distantes do padrão de seu xará europeu

Por Felipe Neves
Atualizado em 17 Maio 2024, 16h45 - Publicado em 16 Maio 2015, 00h00

Na última terça (12), o Barcelona eliminou o Bayern de Munique e se classificou à final da Liga dos Campeões, o torneio mais importante de clubes da Europa. Dois dias antes, em uma fria manhã de domingo, o clube paulistano que foi batizado em homenagem à equipe catalã disputava uma partida pela segunda divisão do Campeonato Paulista, o equivalente ao quarto nível do torneio. O desempenho esportivo e o clima do jogo foram bem diferentes dos padrões que fizeram a fama do primo rico da Espanha.

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Na peleja, o time, fundado em 2004 na Zona Sul, acabou derrotado por 1 a 0 pelo Olé Brasil, de Ribeirão Preto, diante de um público de 137 pagantes no Estádio Nicolau Alayon, na Barra Funda. Cenas típicas de várzea ocorriam a todo instante, com o placar manual (por um descuido do responsável, a marcação ficou invertida alguns minutos). Quem sofria contusão dentro de campo era socorrido pelos próprios colegas com a maca.

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Apesar desse revés, o Barcelona paulistano tem motivos para comemorar este ano. A equipe nasceu no bairro Capela do Socorro e se mudou um ano depois da fundação para Ibiúna, a 70 quilômetros da capital, quando a prefeitura local lhe ofereceu o estádio do município para que ela sediasse suas partidas (até hoje a equipe não tem campo próprio).

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A agremiação voltou para cá em 2008, ao término do convênio. Por falta de dinheiro para manter o elenco em atividade, o clube deixou as competições oficiais naquele mesmo ano. Com o patrocínio da Kfeu, uma fábrica de artigos esportivos, conseguiu voltar aos campos há um mês. “Até 2020, queremos disputar a primeira divisão”, sonha o presidente Paulo Sérgio Moura. A folha salarial é de cerca de 50 000 reais por mês.

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Dono do maior contracheque (embolsa 2 500 reais a cada trinta dias), o meia-atacante Milton, de 20 anos, é um dos destaques do elenco. Ele chegou ao clube depois de passar por times de Santa Catarina e do interior de São Paulo.

O Barça também investe nas chamadas categorias de base, com equipes sub-15, sub-17 e sub-20. Entre os novatos estão os japoneses Yutaro e Akitoshi, de 17 e 18 anos, respectivamente. Brincalhão, o mais velho, que arranha o português, diz gostar da cidade. “Principalmente da ‘mulherada’”, afirma. A dupla nipônica mora em uma casa na Barra Funda que recebe estudantes estrangeiros de intercâmbio. O único na Capela do Socorro a falar na língua deles é o técnico Moisés Macedo, de 48 anos.

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Ex-jogador com passagem pelo futebol asiático, é ele quem berra no vestiário, furioso com os erros dos jogadores durante os jogos do profissional. As partidas em casa são disputadas no Estádio Nicolau Alayon, do Nacional, alugado ao custo de 5 000 reais a diária.

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A maior joia surgida até hoje na equipe da Zona Sul foi Diego Costa, atacante sergipano que atua no Chelsea, da Inglaterra, e se naturalizou espanhol para defender a seleção da Espanha. Ele chegou no início da adolescência ao Barcelona brasileiro e ficou um ano e meio por lá. “Já era uma máquina de fazer gols”, lembra Moura.

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O craque saiu em 2006 para iniciar sua bem-sucedida carreira na Europa. “Mais importante que revelar outro Diego Costa é dar oportunidade e formação cidadã aos jovens do bairro”, discursa o cartola da Capela. “É nisso que estamos apostando.”

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