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33ª edição da Bienal de São Paulo promete mudança radical

Princípios que norteiam a próxima mostra foram anunciados em entrevista coletiva

Por Tatiane de Assis Atualizado em 13 nov 2017, 14h09 - Publicado em 1 nov 2017, 16h14
O curador da 33ª edição da Bienal de Artes de São Paulo, o espanhol Gabriel Perez-Barreros, apresenta o projeto da mostra © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo/Veja SP

 

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Em coletiva de imprensa, realizada na terça-feira (31), o curador da 33ª edição da Bienal de São Paulo, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, anunciou os princípios que vão nortear a próxima mostra, que tem início marcado para 7 de setembro de 2018. A entrevista ocorreu no prédio da fundação, no Parque do Ibirapuera.

Segundo Pérez-Barreiro, a próxima edição pretende uma alteração operacional: não haverá uma temática definida e a composição da equipe curatorial e da ocupação do Pavilhão Ciccillio Matarazzo também vai mudar.

A recusa de uma temática que orienta a seleção de trabalhos e artistas rompe com uma tradição de 20 anos da Bienal, inclusive na última edição. Essa forma de organizar exposições, acredita o curador, “diminui a diversidade e tende ao esgotamento”.

A edição será chamada Afinidades Afetivas, expressão que traz referências distintas ao romance de Goethe, Afinidades Eletivas, de 1809, e à tese Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte, de 1949, do crítico, jornalista e professor Mário Pedrosa.

 

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As artistas-curadores da 33a Bienal de São Paulo, a paulista Sofia Borges e a americana Wura-Natasha Ogunji © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo/Veja SP

Outra decisão de Pérez-Barreiro foi chamar somente artistas para sua equipe curatorial. Seu grupo de trabalho conta com o carioca Waltercio Caldas, a paulista Sofia Borges, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Andersson, a americana Wura-Natasha Ogunji, o uruguaio Alejandro Cesarco e o espanhol Antonio Ballester Moreno.

“Cada artista vai contar com uma área específica dentro do pavilhão. Lá, eles vão criar uma rede onde seus trabalhos dialogam com outras obras. Eles têm total liberdade de escolha. Podem selecionar literatos ou músicos, por exemplo”, afirma o espanhol.

O último ponto que sinaliza essa guinada na 33ª edição é a expografia. Segundo o arquiteto Álvaro Razuk, responsável também pelo projeto, a mostra se orienta pela ideia de “arquipélago”. Cada artista e sua rede é uma ilha, um universo particular.

“Entre esses núcleos, há espaços que não acontecem nada. Isso é bom para o público circular no lugar e perceber que saiu de uma experiência e está indo para outra”, explica Razuk.

 

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João Carlos Figueiredo Ferraz, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Gabriel Pérez-Barreiro, curador da 33a Bienal © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo/Veja SP

O orçamento da 33ª edição da Bienal de São Paulo é de 26 milhões de reais. Segundo o presidente da Fundação Bienal, o empresário e colecionador João Carlos Figueiredo Ferraz, a instituição encontra-se “absolutamente fortalecida, tanto financeiramente quanto administrativamente”. A lista completa de artistas, assegura, deve ser  ser anunciada, no máximo, até o início de 2018.

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