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Em Terapia Por Arnaldo Cheixas Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.

Em prol da saúde mental e dos vínculos

Principalmente desde 2013, quando uma parcela significativa da população brasileira – dividida em múltiplos agrupamentos – ocupou as ruas e passou a se manifestar politicamente de forma mais explícita, tem sido comum a ocorrência de discussões sobre o país entre amigos, parentes e mesmo estranhos. + Ciúme não é prova de amor O fato de […]

Por Carolina Giovanelli Atualizado em 26 fev 2017, 12h12 - Publicado em 28 abr 2016, 23h27

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Principalmente desde 2013, quando uma parcela significativa da população brasileira – dividida em múltiplos agrupamentos – ocupou as ruas e passou a se manifestar politicamente de forma mais explícita, tem sido comum a ocorrência de discussões sobre o país entre amigos, parentes e mesmo estranhos.

+ Ciúme não é prova de amor

O fato de as pessoas estarem assumindo posições de forma mais clara é algo essencialmente bom e que pode conduzir a população na construção de soluções que nos tornem melhores enquanto sociedade. Ao mesmo tempo a constatação de que pessoas próximas têm eventualmente uma visão diferente e mesmo valores diferentes sobre o cenário político têm produzido angústia e sofrimento emocional para muitas pessoas.

Essa angústia talvez seja determinada pela nossa falta de hábito de conversar sobre política e, consequentemente, pela novidade que é ter de conversar com alguém que pensa diferente. Se não soubermos manejar essa angústia, ela pode se converter em mágoa bem como produzir ofensas e até o rompimento de vínculos com parentes, parceiros e amigos queridos. Pior… isso tampouco nos ajuda a enfrentar os problemas da sociedade. Há situações nas quais um dos interlocutores não quer mesmo promover uma verdadeira discussão de ideias, de modo que não há o que se fazer. Só que, em grande parte das vezes, o que se busca é uma compreensão compartilhada sobre algo.

Nesse sentido há uma conduta que podemos adotar e que pode facilitar o enfrentamento de tais problemas e, de quebra, ajudar na manutenção dos vínculos e do bem-estar emocional.

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Um dos maiores equívocos que se pode cometer ao participar de uma discussão de ideias com quem pensa diferente é partir do pressuposto de que o outro mudará de opinião e passará a pensar como você. Essa postura gera resistência no interlocutor e facilita o despertar de emoções como raiva e tristeza. São essas emoções que evocam agressividade na interação e produzem mágoas e rompimentos de vínculo entre pessoas que se gostam.

O melhor a fazer durante a discussão de ideias é exatamente o oposto, partir do pressuposto de que, não o outro, mas você próprio poderá mudar de opinião. Essa postura de cara elimina resistências no interlocutor, o que permite uma troca mais rica de conteúdos.

Uma boa maneira de treinar e manter esta postura é priorizar a elaboração de perguntas sobre o ponto de vista do outro em detrimento de frases afirmativas sobre o seu próprio ponto de vista. Numa discussão, afirmações tendem a terminar no vácuo enquanto perguntas recaem na consciência do interlocutor.

Diálogos entre consciências permitem a compreensão das diferentes nuances de um problema e promovem a emergência natural de algo novo, que pode ser uma concepção diferente sobre a realidade e até mesmo a solução de um desafio posto.

A maioria das pessoas quer um país melhor para todos. A forma de alcançar esse objetivo pode ser diferente entre indivíduos e grupos. Uma coisa é certa… quando não conseguimos assumir o ponto de vista do outro, nada de novo pode nascer dali. Colocar-se no lugar do outro nos permite entender seu ponto de vista e, eventualmente, mudar de opinião. Além, é claro, de preservar os vínculos e a saúde mental.

Abrir-se dessa forma é um ato de coragem, porque suas ideias podem ser refutadas, bem como de generosidade, mas principalmente, um ato de liberdade!

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