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Ator da série “Teen Wolf” se assume gay em desabafo emocionante no Instagram

É fã da série Teen Wolf? Pois você vai ficar orgulhoso ao saber que seus atores estão se envolvendo com causas importantes. Em um desabafo profundo e íntimo (além de bem longo) compartilhado em seu Instagram, o astro Charlie Carver se assumiu gay. + Noivo tem reação emocionada ao ver esposa entrando na igreja + Homem surpreende filhas com ajudinha do […]

Por Tatiane Rosset
Atualizado em 26 fev 2017, 13h38 - Publicado em 12 jan 2016, 17h24

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É fã da série Teen Wolf? Pois você vai ficar orgulhoso ao saber que seus atores estão se envolvendo com causas importantes. Em um desabafo profundo e íntimo (além de bem longo) compartilhado em seu Instagram, o astro Charlie Carver se assumiu gay.

+ Noivo tem reação emocionada ao ver esposa entrando na igreja
+ Homem surpreende filhas com ajudinha do Papai Noel em vídeo

Charlie é conhecido por interpretar o lobisomem gay Ethan no seriado — seu irmão gêmeo na vida real, Max Carver, também é ator e participa da atração. Abaixo, confira alguns trechos do emocionante texto do rapaz:

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“‘Seja a pessoa de quem você precisava quando era mais novo’. Cerca de um ano atrás, eu encontrei uma foto enquanto estava vendo meu feed do Instagram pela manhã. Eu não gosto de frases inspiradoras, principalmente as que são atribuídas a autores anônimos — algo muito perverso desperta em mim quando eu penso como provérbios são finitos, julgando-os como banais e não como possivelmente sábios ou úteis. E, no caso dos anônimos, eu sentia que existia algo que precisava ser acrescentando à história, um contexto que não estava lá. Quem escreveu ou disse aquelas malditas palavras? Por quê? E para alguém em particular? 

De qualquer forma, eu salvei a imagem no computador. Ela falou comigo por algum motivo, encontrando-se na posição privilegiada de ficar entre as fotos favoritas do meu celular. Eu olhava para ela quase que diariamente, uma versão pequena da original, próximo das minhas outras fotos favoritas. Eu a via toda vez que eu ia na academia, quando eu pegava o meu seguro de vida ou a minha carteira de motorista — documentos importantes. E, ao longo do próximo ano, ficou claro por que aquela foto me tocou tanto. 

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Eu sempre soube que queria ser ator, mesmo desde pequeno. Eu sabia que eu queria ser muitas coisas — eu achei que queria ser um pintor, um jogador de futebol e até um dinossauro. Mas atuar me conquistou — e foi nessa mesma época que eu descobri, mesmo que de maneira abstrata, que eu era diferente dos outros meninos da minha sala. Com o tempo, essa sensação abstrata de “saber” cresceu até chegar a uma gestação dolorosa, com sentimentos de desespero e alienação, terminando com o clímax, quando eu disse pela primeira vez em voz alta as três palavras: “Eu sou gay!“. Primeiramente eu as disse para mim mesmo, para ver como eu me sentia. Elas soaram como verdadeiras, e eu me odiei por elas. Eu tinha doze anos. Ainda demoraria alguns anos até que eu as repetisse para outras pessoas, passando-as pela minha cabeça até que eu tivesse certeza e confiança para deixá-las sair da minha boca novamente, desta vez para a minha família…

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Para todos que conseguem se identificar com a experiência (e eu acho que todos nós conseguimos até certo ponto — dizer algo integro, como se você possuísse aquela sentença), conhecem a sensação imediata de medo e alívio. Para mim, e para a minha família, foi uma conversa valiosa, uma conversa onde eu senti que comecei a assumir controle — de mim mesmo, da minha vida, e o que parecia ser um senso bem adulto de autenticidade. Por isso, e por eles, eu sou eternamente grato. 

*Nota: “Sair do Armário” é diferente para todo mundo. Você sempre pode se assumir só para você mesmo. Assumir-se como gay, bissexual, transgênero ou qualquer outra coisa é, primeiramente, uma experiência pessoal e privada. Se você se sente pronto e seguro, então considere dividir essa parte de você com os outros. Eu sei que sou uma pessoa imensamente privilegiada, crescendo em uma família onde minha orientação foi celebrada e segura. Se você quer fazer o mesmo, primeiro tenha certeza que você tem apoio e estará a salvo. Eu não incentivaria ninguém a fazer o mesmo que eu apenas para se encontrar em uma posição de perigo — um número desproporcional de jovens sem teto são membros da comunidade LGBT, que foram expulsos de casa por suas famílias por causa do ódio e do preconceito. É um enorme problema, e uma situação que não vale a pena. 

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Quanto mais eu me ajusto a viver com esta verdade, melhor é. Mas a minha relação com a minha sexualidade logo se tornou mais complicada. Atuar virou um emprego e, aos 19 anos, eu comecei a trabalhar em Hollywood. Era um sonho que se realizada, um que esperava desde que eu era pequeno. Mas junto com a empolgação eu tive um enorme temor — eu teria que me dividir em dois, uma pessoa pública e privada, sempre atento e vigilante na primeira situação. Eu tinha minhas razões, algumas que agora podem parecer sem nexo. Eu acredito em uma distinção entre a vida profissional e a privada…

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Quando o primeiro episódio para televisão que eu gravei foi ao ar, ficou claro para mim que eu não era mais um anônimo. Pela primeira vez, eu fui parado na rua, me pediram para tirar uma foto comigo por um completo estranho — tudo parte do emprego para o qual eu tinha sido contratado. 

Fama é uma criatura complicada. Hoje em dia, particularmente com o acesso oferecido pelas redes sociais, ela exige que você seja você mesmo o tempo todo, no seu trabalho e com os seus fãs. Por causa disso, a distinção entre o público e o privado ficou borradas, com perguntas como “até onde eu posso compartilhar a minha vida? Até que ponto eu devo compartilhá-la?”. Quanto a esta diferenciação entre o público e o privado, a minha opinião era de que minha sexualidade não deveria ser uma questão. Me assumir era muito importante para mim, mas que queria acreditar em um mundo onde a sexualidade de alguém não era importante — que ela não “importava” ou, pelo menos, que era algo que eu não precisava e não deveria anunciar para um estranho, um novo colega, um repórter. Até a palavra “Sair do Armário” me incomoda — eu acho que ela significa que eu mereço atenção, atenção por algo que eu prefiro que seja apenas humano, um atributo ou adjetivo que é apenas parte de quem eu sou. Eu não queria ser definido pela minha sexualidade. Claro, eu tenho orgulho de ser um homem gay, mas eu não me defino como um homem gay, ou apenas gay. Eu me defino por várias coisas, várias identidades que ocupam um espaço igualmente importante na minha persona sempre fluida. 

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Além do mais, como um ator, eu acredito que é minha responsabilidade me manter neutro — eu era uma tela, um camaleão, o próximo personagem. Eu tenho o dever de ser uma possibilidade para os diretores e para o público. Se eu assumisse, eu tinha medo que isso me limitaria a um tipo, a uma percepção com limites, algo que eu não estava confortável profissionalmente. Então eu criei na minha cabeça uma indústria que acreditava nessa crença, assim como eu. 

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Eu tive o privilégio de interpretar vários personagens — gays, héteros e muito mais — e percebi que este não era o caso. A indústria mudou e continuará mudando, ainda bem. Eu sei que isso só é possível pela coragem de homens e mulheres que se assumiram. E sou eternamente grato a eles também. 

Foi então que eu vi a foto no Instagram. Bom, para ser honesto, eu me encontrei muito antes de decidir escrever algo assim. Nunca existiram muitos rascunhos ou planos — então eu comprei meu tempo, justificando o meu silêncio pelo fato que eu nunca me escondi. Eu tentei viver a minha vida da maneira mais autêntica possível. Eu sempre estive fora do armário, e não sentia a necessidade de anunciar esta escolha. Eu estava confortável na minha vida privada. E, por um tempo, isso foi o suficiente. 

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As coisas mudam. Tem coisas sobre o presente que estão me deixando muito empolgado nos últimos dias. Eu sinto que cada vez mais as pessoas, principalmente jovens, estão conseguindo criar um mundo seguro para os outros. Estamos aprendendo nosso vocabulários para garantir que outros sejam ouvidos quando eles tentam articular suas experiências. Juntos, estamos explorando as possibilidades da Nova Fronteira das Redes Sociais, testando novas maneiras de se comunicar. Eu fico emocionado toda vez que leio uma história sobre como uma garota trans foi escolhida como a Rainha do Baile em seu colégio, ou quando eu vejo usuários do Twitter se mobilizando contra brutalidade e injustiça. Mas eu também estou em luto pela raiva. Eu espero que o mundo seja um lugar simples, onde todos possam ser felizes e se sentirem seguros com eles mesmo, como indivíduos e membros da comunidade. Apenas posso esperar que o resultado seja produtivo, algo que a nossa geração está enfrentando para encontrar um lugar melhor. 

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Mas o que eu posso fazer? Como participar? Honestidade é um grande passo na direção certa. Eu acredito que, ao me omitir, estou perpetuando o sofrimento, o medo e a vergonha que tantas pessoas no mundo enfrentam. No meu silêncio, eu ajudei a formar a ideia de que ser gay não é apropriado para uma carreira nas artes (O QUÊÊ???). Então, agora, que fique registrado que eu me identifico como gay. E isso realmente importa? Como um jovem gay, eu preciso que um jovem gay que trabalhe em Hollywood diga isso — e, sem ser um babaca sobre isso, eu devo a mim mesmo, mais do que tudo, ser a pessoa que eu precisava quando eu era mais novo. 

Feliz 2016 e muita felicidades para vocês e seus familiares neste ano. 

E que fique claro, meu irmão gêmeo é tão legal quanto eu por ser hétero. 

Muito amor, C.

Dê sua opinião: O que você achou do desabafo do ator? Deixe seu comentário e aproveite para curtir nossa página no Facebook.

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