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Poder SP - Por Sérgio Quintella

Sérgio Quintella é repórter de cidades e trabalha na Vejinha desde 2015
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Justiça marca julgamento de perito acusado de mentir em laudo

Hélio Ramacciotti atuou na investigação da queda de helicóptero que matou filho de ex-governador Geraldo Alckmin

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 3 abr 2019, 21h17 - Publicado em 3 abr 2019, 16h48

O juiz Renato de Andrade Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Carapicuíba, marcou para 22 de outubro o julgamento do perito criminal Hélio Ramacciotti, do Instituto de Criminalística (IC), acusado de mentir durante as investigações do acidente aéreo que culminou com a morte de Thomaz Alckmin, filho do ex-governador Geraldo Alckmin, e outras quatro pessoas, há quase quatro anos.

Em seu laudo, concluído cinco meses depois do desastre, Ramacciotti afirmou que as pás do helicóptero prefixo PP-LLS se soltaram por desconexão de um dispositivo mecânico entre o piloto e as asas móveis, chamado de cadeia de comando. Segundo o Ministério Público (MP), no entanto, o texto copia trechos do relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que tem apenas caráter preventivo e não pode, por força da lei, ser usado como base em processos judiciais.

Além disso, Ramacciotti é acusado de mentir sobre testes em fluidos e realizado uma simulação em modelo diferente do acidentado, o EC 155 B1, da Airbus Helicopters. O laudo do IC fez a culpa recair sobre a empresa Helipark, responsável pela reforma do veículo acidentado. Cinco funcionários chegaram a ser denunciados. “As afirmações falsas causaram o indiciamento indevido”, disse nos autos a promotora Camila Moura, à época.

Após ouvir especialistas, o MP concluiu que a falha, se realmente existisse, teria impedido o helicóptero voar. Ou seja, as pás se soltaram por outro motivo. A promotora instaurou um inquérito e pediu providências à Polícia Civil. A corregedoria da corporação iniciou uma investigação para apurar a conduta de Ramacciotti, e o Instituto de Criminalística começou a refazer o laudo.

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Concluído em setembro de 2017, este novo laudo aponta problemas em uma manutenção realizada pela empresa Helibras, em Itajubá (MG), dois dias antes do acidente. Segundo o documento, uma pintura nas pás não respeitou o prazo de secagem de uma semana indicado no manual do helicóptero. “Os processos de secagem foram abreviados, expondo a aeronave a vibrações que podem ter conduzido a uma falha”, afirmou o perito Edwar Folli Júnior, no texto. Em depoimento ao MP, o funcionário encarregado do serviço confirmou que o tempo mínimo não foi respeitado.

Em maio do ano passado, em entrevista a VEJA SÃO PAULO, Hélio Ramacciotti confirmou que copiou trechos do relatório da Aeronáutica, mas porque concordava com os termos. Ele negou que tivesse mentido e contou que estava sendo pressionado pela Polícia Civil para acelerar a investigação. “Meus superiores diziam que o governo do estado pedia prioridade nessa investigação”, diz. “Agora querem a minha cabeça”, completou.

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