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“Os jovens atores não sabem o quanto é bom fazer teatro”, diz Debora Bloch, que estreia “Os Realistas” no Porto Seguro

Os elogios, praticamente unânimes, à comédia dramática “Os Realistas” não seduzem Debora Bloch. “Eu não tenho nada a ver com isso, viu?”, brinca a atriz, por telefone, sobre a expectativa gerada em torno da montagem durante a temporada carioca. Sob a direção de Guilherme Weber, Debora divide o palco do Teatro Porto Seguro, em São […]

Por Dirceu Alves Jr.
Atualizado em 26 fev 2017, 12h47 - Publicado em 23 mar 2016, 15h45
Debora Bloch: atriz e produtora de "Os Realistas", que estreia em 2 de abril (Fotos

Debora Bloch: “Os Realistas” estreia na cidade em 2 de abril (Foto: Ricardo Brajterman)

Os elogios, praticamente unânimes, à comédia dramática “Os Realistas” não seduzem Debora Bloch. “Eu não tenho nada a ver com isso, viu?”, brinca a atriz, por telefone, sobre a expectativa gerada em torno da montagem durante a temporada carioca. Sob a direção de Guilherme Weber, Debora divide o palco do Teatro Porto Seguro, em São Paulo, a partir de 2 de abril com os atores Emílio de Mello, Mariana Lima e Fernando Eiras. Na peça do americano Will Eno, dois casais de vizinhos descobrem que têm muitas coisas em comum, além da casa semelhante e do sobrenome. Debora falou um pouco desse trabalho, do seu jeito de fazer teatro e de uma paixão pelo seu ofício que as novas gerações, segundo ela, nem tiveram a chance de descobrir.

Bom conselho

“Eu tinha 17 anos quando estreei em ‘Rasga Coração’, peça do Vianinha, ao lado do Raul Cortez. O meu pai (o ator Jonas Bloch) chegou, logo depois da primeira apresentação, e disse: ‘filha, a partir de agora, vai ter gente dizendo que você é a melhor atriz do mundo e outros vão falar que você é a pior. O importante é não acreditar em nenhum dos dois lados e seguir seu trabalho’. Então, eu fico muito feliz com os elogios que um espetáculo recebe, quando o público se identifica assim como nós nos identificamos, mas sempre me lembro desse conselho do meu pai.”

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Decifrando o dramaturgo

“O Will Eno tem uma estranheza que, em um primeiro momento, fiquei em dúvida de como as pessoas receberiam esse texto aqui no Brasil. Eu já tinha assistido a uma outra peça dele em um teatro do off-Broadway, gostei demais, mas considerei inviável produzi-la porque são doze personagens, exigiria um investimento muito grande. Tenho ido com frequência a Nova York porque minha filha estuda por lá e, então, assisti a uma sessão de “Os Realistas”. São quatro personagens muito bem definidos. Estão ali temas de grande sensibilidade, assuntos existenciais que me tocaram como espectadora. O Guilherme Weber fez as cenas acontecerem simultaneamente, acho que a gente seguiu um caminho diferente. O espetáculo ficou menos realista que o da Broadway.”

Emilio de Mello e Debora Bloch em "Os Realistas": texto de Will Eno (Foto: Leo Aversa)

Emílio de Mello e Debora Bloch em “Os Realistas”: texto de Will Eno (Foto: Leo Aversa)

No papel de produtora

“Eu produzo o meu teatro desde o “Fica Comigo Esta Noite”, em 1990. É o jeito que consegui encontrar de criar certa ‘autoralidade’ no meu trabalho, de exercitar linguagens que tenho vontade, de reunir as equipes com quem eu sonho trabalhar. Antes de “Os Realistas”, eu estava com outro projeto, um espetáculo baseado em contos da Doris Lessing. Fiquei mais de dois anos tentando viabilizar a produção, a coisa não andava e comecei a ficar triste. Vou fazer mais tarde. “Os Realistas” tem o elenco dos meus sonhos. Depois de São Paulo, voltamos para o Rio e vamos fazer mais seis cidades. Tudo isso tentando conciliar a agenda dos quatro. O Mariana entrou em um filme, o Emílio vai gravar uma nova temporada de “Psi”, eu vou fazer uma série na Globo enquanto a gente estiver no Rio, o Fernando também tem compromissos.”

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O prazer do teatro

“A minha geração queria estar no teatro. Todo mundo começou muito cedo. Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Patrícia Pillar, eu… E quando você é atriz, as oportunidades aparecem realmente cedo e é preciso aproveitá-las. Aos 15 anos, eu estava no Teatro Ipanema, estudando com o Rubens Corrêa e o Ivan de Albuquerque. O cinema adora os jovens, então tive bons personagens com 20 e poucos anos. A televisão também. As novas gerações fazem bem menos teatro ou nem fazem. Mas acho que não é porque eles não sentem vontade, têm dificuldade de agenda ou pensam que vão ganhar menos dinheiro. Os jovens atores não sabem o quanto é bom fazer teatro, não tiveram oportunidade de descobrir isso.”

Quarteto afinado; Emilio de Mello, Debora Bloch, Fernando Eiras e Mariana Lima em "Os Realistas"

Quarteto afinado: Emilio de Mello, Debora Bloch, Fernando Eiras e Mariana Lima em “Os Realistas”

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