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“Jornada de um Imbecil até o Entendimento”: a esmola nossa de cada dia

A peça, escrita por Plínio Marcos em 1968, chega ao fim da segunda década do século XXI como uma crítica resistente ao capitalismo

Por Dirceu Alves Jr. 29 nov 2018, 12h02

Texto pouco visto de Plínio Marcos (1935-1999), a comédia dramática Jornada de um Imbecil até o Entendimento (1968) chega ao fim da segunda década do século XXI como uma crítica resistente ao capitalismo. A peça gira em torno de seis moradores de rua que sobrevivem em uma grande cidade pedindo dinheiro.

Proprietários de vários chapéus, Mandrião e Teco (representados por Jairo Mattos e Fernando Trauer) convertem-se em poderosos chefões ao alugar a preços abusivos os utensílios usados para recolher os tostões. O intermediário é Pilico (papel de Helio Cicero), que contrata os pedintes e usa de assédio moral para que eles se sintam dependentes do emprego. Assim, Manduca, Popô e Totoca (os atores Rogério Brito, Douglas Simon e Fernanda Viacava) penam em seu cotidiano, tirando um lucro que mal paga a comida. O roubo de um chapéu instaura uma inquisição e exige uma tomada de posição dos envolvidos.

+ Trinca poderosa de atores em “Terrenal”.

Também diretor, Cicero reforça o diálogo social, com alusões políticas e a uma classe artística sujeita a cachês minguados. Fica sugerida uma leitura capaz de mostrar o elenco como uma trupe que apresenta o texto de Plínio nas ruas em uma opção de metalinguagem que, se assumida, valorizaria o resultado e a ambientação circense.

A direção musical de Dagoberto Feliz reuniu um coro de seis cantores e instrumentistas em torno de temas como Silêncio no Bixiga, de Geraldo Filme, Wave, de Tom Jobim, e Quero que Vá Tudo para o Inferno, de Roberto e Erasmo. As intervenções musicais, no entanto, não aliviam a duração e o peso de algumas cenas que soam arrastadas.

+ “Chaplin, O Musical” em apresentação gratuita.

Ponto forte do elenco, o ator Jairo Mattos sobressai ao injetar um cinisco revelador em seu personagem e estabelece uma irônica parceria com Fernando Trauer. Preste atenção nas delicadas intervenções da atriz Luiza Curvo, responsável ainda pelos figurinos, que imprime poesia e revela belas imagens dentro de uma atmosfera densa (100min). 14 anos. Estreou em 9/11/2018. 14 anos.

+ Centro Cultural São Paulo — Espaço Cênico Ademar Guerra. Rua Vergueiro, 1000, Paraíso. Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 30,00. Até o dia 16.

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