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Gabriela Duarte em “Através de um Espelho”: “eu não tenho mais vontade de repetir personagens”

Não à toa Gabriela Duarte ficou marcada por personagens doces e delicadas em sua carreira televisiva. Ela parece ser assim mesmo, coisa rara entre suas colegas. Aos 40 anos, no entanto, a atriz pretende mostrar uma nova faceta nos palcos paulistanos. O espetáculo “Através de um Espelho”, drama adaptado por Jenny Worton com base no […]

Por Dirceu Alves Jr. Atualizado em 26 fev 2017, 21h05 - Publicado em 29 ago 2014, 08h35
Gabriela Duarte: a instável Karin é a protagonista de "Através de um Espelho" (Fotos: Jairo Goldflus)

Gabriela Duarte: a instável Karin no espetáculo “Através de um Espelho” (Fotos: Jairo Goldflus)

Não à toa Gabriela Duarte ficou marcada por personagens doces e delicadas em sua carreira televisiva. Ela parece ser assim mesmo, coisa rara entre suas colegas. Aos 40 anos, no entanto, a atriz pretende mostrar uma nova faceta nos palcos paulistanos. O espetáculo “Através de um Espelho”, drama adaptado por Jenny Worton com base no filme de Ingmar Bergman, estreia em 5 de setembro no Teatro Anchieta – Sesc Consolação para vasculhar alguns bichos escondidos em todos nós. Sob a direção de Ulysses Cruz, Gabriela representa a instável Karin, que, depois de uma temporada em uma clinica psiquiátrica, retoma o convívio com a degradada família. No elenco ainda estão Nelson Baskerville, Marcos Suchara e Lucas Lentini. As sessões serão nas sextas e sábados, às 21h, e nos domingos, às 18h, até 4 de outubro, com ingressos a R$ 30,00.

Você vem de uma comédia leve e romântica que foi “A Garota do Adeus”. Pelo o que li “Através de um Espelho” é o contrário. Um texto denso, barra-pesada, cheio de conflitos dramáticos. Esse é o mais papel mais exigente da sua carreira? 

Depois de “A Garota do Adeus”, que fiz em 2012, eu sabia que só valeria a pena voltar ao teatro se fosse para interpretar algo forte, pungente e realmente desafiador. Eu vi essa peça em Nova York há quase três anos e me encantei por ela. Fiquei fascinada pela temática familiar contada de forma tão sensível e, ao mesmo tempo, com tanta objetividade. Aquilo chegava ao espectador, entende? As pessoas – e eu, inclusive, muito – saiam do teatro em silêncio. Mas elas não pareciam arrasadas ou deprimidas. Apenas estavam pensando, digerindo o que tinham visto. Eu gosto desse tipo de teatro, aquele que faz a pessoa olhar para si.

Quando a gente se aproxima ou chega aos 40, várias questões rondam nossa cabeça, muitas coisas que já fizemos passam por questionamentos. Esse personagem denso faz parte de uma fase de reavaliações, de desafios a serem enfrentados, de querer descobrir rumos e facetas na sua carreira? 

Sem dúvida! Depois de certa idade e de já ter feito algumas coisas nessa vida, eu não tenho mais vontade de repetir personagens. Isso não é legal nem para o público e nem para mim mesma. Tem tanta coisa a ser feita. Com mais maturidade, talvez o ator possa acertar porque sabe melhor o que quer, mas se errar… Bem, a maturidade também é boa para isso. Ela ajudar a lidar melhor com os erros também.

O teatro ganha força na sua vida em um momento em que você precisa ficar mais tranquila, baseada em São Paulo e atenta aos seus dois filhos. Essa dedicação familiar pesa nesse momento profissional?

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Pesa muito, claro. Filho é sempre a prioridade, mas a gente não pode esquecer que um dia eles crescem e não vão depender tanto da sua presença física. Mas nesse momento não é o que acontece. A Manuela tem 8 anos e o meu pequeno, o Frederico, está com 2 anos e meio. Quero aproveitar para ficar perto deles. O palco é, sem duvida, a melhor opção nesse caso, mas sempre jurei para mim mesma que ia fazer muito teatro na vida. Eu gosto de verdade, foi onde comecei e é onde me sinto realmente mais desafiada artisticamente.

Todo mundo costuma falar com você sobre a influência de Regina Duarte na sua carreira… Mas eu queria saber quais são as lembranças referentes ao teatro que sua mãe lhe passou. Você nasceu em 1974, quando você era bem pequena a sua mãe estourou com a peça “Réveillon”… Você tem alguma memória de bastidores, de coxias, da convivência com algum colega da Regina?

Eu lembro demais, quase nitidamente, das coxias de teatro. No mesmo Sesc Consolação onde vou estrear agora e antes era chamado apenas de Teatro Anchieta, a minha mãe trabalhou muito e eu frequentei muito também. Quando eu era bem pequena, teve a temporada de “Réveillon” e, um tempo depois, de “O Santo Inquérito”. Bem mais tarde, veio “A Vida É Sonho”. Tudo no Anchieta. Eu amava aquele ambiente, aquele cheiro (risos). Tanto que o resto todo mundo já sabe, não? Virei atriz. Dessa época, vem a convivência com os colegas de minha mãe. Sérgio Mamberti, Yara Amaral, Paulo José… Mais tarde, Tácito Rocha, Mario Prata, Ileana Kwasinsky. São pessoas que admiro e que contribuíram muito para a minha formação.

+ Confira entrevista com Regina Duarte. 

O tema da depressão está sendo muito debatido e cada vez mais faz parte da nossa rotina. Para a composição da Karin você se cercou de que forma? 

Eu também não quero e nem gostaria de colocar um rótulo nessa personagem. Eu acho que a historia vai muito além disso. Mas obviamente a Karin tem uma questão que a isola e a diferencia. E isso é muito instigante e difícil também. Li muitas coisas, conversei sim com muita gente e tudo isso tornou esse processo muito rico para mim. Também confiei e vou confiar sempre no Ulysses Cruz, que fez um trabalho de direção espetacular. Adoro os diretores. Eu me entrego muito a eles. O Ulysses me mostrou nesse trabalho um caminho em que eu acredito completamente.

Lucas Lentini, Marcos Suchara, Gabriela Duarte e Nelson Baskerville: "Através de um Espelho" estreia no Teatro Anchieta

Lucas Lentini, Marcos Suchara, Gabriela Duarte e Nelson Baskerville: “Através de um Espelho” estreia no Teatro Anchieta 

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