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Em musical, Elza Soares atinge patamar dos personagens atemporais

Escrita por Vinicius Calderoni, a peça converte em teatro as viradas, superações e tragédias que formam a trajetória da cantora

Por Dirceu Alves Jr. 30 out 2018, 12h34

A carioca Elza Gomes da Conceição, mulher, negra e quase miserável, transformou-se na cantora Elza Soares graças a uma teimosia desmedida. Claro, continuou mulher e negra e, mesmo depois de ganhar dinheiro e abandonar a condição de pobreza, entendeu que seu caminho seria o da persistência.

O musical Elza parte da personalidade da estrela dura na queda para retratar a trajetória de uma brasileira, quem sabe até da maioria do povo brasileiro, que, desde o nascimento, luta pelo dia seguinte sem se vangloriar disso.

Escrito por Vinicius Calderoni, o texto converte em teatro as viradas, superações e tragédias que formam a trajetória da artista. Em nenhum momento, porém, apela para o drama óbvio ou faz da protagonista uma vítima. Personagem atemporal, como as dos clássicos, Elza rende abordagens em torno do racismo, do feminismo, da violência contra a mulher, da política e até das tão comentadas fake news.

O espetáculo, dirigido por Duda Maia, entretanto, foge da onda panfletária ou discursiva que tanto se aproveita dessa atualidade. No palco estão múltiplas Elzas, vividas pelas atrizes e cantoras Larissa Luz, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte e Verônica Bonfim em diferentes fases.

As mesmas intérpretes também representam, com devidas sutilezas, outros personagens, como o pai e o primeiro marido da cantora, o compositor Ary Barroso e o jogador Mané Garrincha, seu grande amor. É inevitável, contudo, que Larissa Luz impressione mais porque cabe a ela dar vida à estrela nos dias atuais e também a maior parte da narração.

Canções como Volta por Cima, Malandro, Língua e Dindi ganham vozes, sob a direção musical de Pedro Luís, Larissa e Antônia Adnet, mas os dois momentos mais emblemáticos são aqueles em que as letras viram ferramenta dramatúrgica para um teatro de imagens.

Os versos de Cadeira Vazia, de Lupicínio Rodrigues, em um palco nu, revelam o sofrimento de Elza com a perda de Garrincha. O ápice, porém, se dá em Eu Vou Ficar Aqui, de Arnaldo Antunes, adaptada em uma cena memorável para o embate da artista de sete fôlegos diante da insistência do destino em tirá-la de cena (120min). 14 anos. Estreou em 18/10/2018.

+ Sesc Pinheiros — Teatro Paulo Autran. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros. Quinta a sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 50,00. Até 18 de novembro. 

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