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“As Crianças”: ótima peça traz embate ético sobre a terceira idade

Os atores Analu Prestes, Mario Borges e Andrea Dantas são dirigidos por Rodrigo Portella em drama da inglesa Lucy Kirkwood

Por Dirceu Alves Jr.
Atualizado em 31 out 2019, 15h15 - Publicado em 31 out 2019, 14h51

O diretor fluminense Rodrigo Portella, de 42 anos, é hoje um dos nomes expressivos da cena brasileira. Seu talento foi revelado na vigorosa peça Tom na Fazenda, ganhou embalo na controvertida Insetos, da Cia. dos Atores, e atinge a maturidade em As Crianças, drama da inglesa Lucy Kirkwood. Em comum, os espetáculos explicitam a preocupação de pôr na roda novas mensagens, além daquelas previamente divulgadas no texto.

Protagonizada por Analu Prestes, Mario Borges e Andrea Dantas, a atual montagem ultrapassa o retrato de três personagens, por volta dos 70 anos, com diferentes visões de vida e de como pretendem usufruir o tempo restante. Trata-se de um embate em torno de uma mentalidade vigente nas últimas décadas de que a eternidade estaria ao alcance de muitos.

Dayse (papel de Analu) e Robin (interpretado por Borges) são um casal aposentado de físicos nucleares que mora em uma região litorânea assolada por um acidente ocorrido na usina em que trabalharam. Os dois só comem alimentos orgânicos, produzem o próprio vinho e são adeptos das atividades esportivas.

A visita de Rose (representada por Andrea), uma colega que não viam fazia 38 anos, promove um confronto de valores, principalmente depois que ela oferece uma proposta profissional que vai testá-los, inclusive no que se refere ao posicionamento ético. Rose, desde a juventude, foi o oposto de Dayse, e para Robin essas diferenças se mostram atraentes.

+ Leia sobre “Jardim de Inverno”, em cartaz no Teatro Raul Cortez.

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A temática pesada é camuflada por uma sensibilidade da direção, que coloca os três personagens sempre no limite da imaturidade, seja pela ideias que pregam, seja pelo comportamento. A encenação despojada se reflete nas interpretações, principalmente nas de Analu e Andrea, que trazem à tona típicas rivalidades do universo feminino, em um flerte tragicômico.

O texto de Lucy Kirkwood, de grande relevância contemporânea, encontrou na visão de Portella uma oportunidade de ser um meio de reflexão dos modos também infantis e egoístas da terceira idade (100min). 14 anos. Estreou em 18/10/2019.

+ Teatro do Sesc 24 de Maio. Rua 24 de Maio, 109, República. Quinta a sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 40,00. Até o dia 17. Neste sábado (2), a sessão está prometida para as 18h.

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