Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Na Plateia Indicações do que assistir no teatro (musicais, comédia, dança etc.)

Ana Beatriz Nogueira retoma “Tudo Que Eu Queria te Dizer” com recursos próprios: “É bom para saber o tamanho do meu bolso se um dia eu não contar mais com a TV”

Ana Beatriz Nogueira, de 49 anos, demonstra uma lucidez rara de ser vista entre suas colegas. Em um papo por telefone de pouco mais de quarenta minutos, a atriz carioca falou do monólogo “Tudo Que Eu Queria te Dizer”, dirigido por Victor Garcia Peralta com base no livro homônimo de Martha Medeiros, que entra em […]

Por Dirceu Alves Jr. Atualizado em 26 fev 2017, 12h13 - Publicado em 28 abr 2016, 14h41
Ana Beatriz Nogueira: estreia na sexta (6) no Renaissance

Ana Beatriz Nogueira: estreia na sexta (6) no Teatro Renaissance

Ana Beatriz Nogueira, de 49 anos, demonstra uma lucidez rara de ser vista entre suas colegas. Em um papo por telefone de pouco mais de quarenta minutos, a atriz carioca falou do monólogo “Tudo Que Eu Queria te Dizer”, dirigido por Victor Garcia Peralta com base no livro homônimo de Martha Medeiros, que entra em cartaz em 6 de maio no Teatro Renaissance. Também recordou um pouco a consagração precoce no cinema com o filme “Vera” (1987), o reconhecimento tardio na televisão, fases com menos grana em três décadas de carreira e a importância de voltar a fazer teatro sem a garantia do patrocínio.

Essa temporada deve provar que é possível fazer teatro sem patrocínio?

Eu chego a São Paulo totalmente com os meus recursos. O espetáculo vai passar ainda por nove cidades do interior e estava precisando disso. Eu emendei uma novela na outra, podia estar na praia, mas eu gosto de tirar férias no palco. Quando encerro um trabalho na televisão, eu descanso o final de semana e, na segunda, já me envolvo com algum projeto de teatro, seja ensaio, estreia ou uma nova pesquisa.

+ Elias Andreato escreve sobre Umberto Magnani: “Meu adorável caipira”

Como “Tudo Que Eu Queria te Dizer” apareceu na sua vida?

Esse projeto, na verdade, começou pelas mãos de uma produtora carioca, e a sugestão do meu nome veio da própria Martha Medeiros. Foi primeiro monólogo por acidente porque nessa época, em 2010, já planejava montar “Um Pai (Puzzle)”. Só que levei cinco anos para conseguir os direitos do livro da Sibylle Lacan, filha do psicanalista francês Jacques Lacan, sobre o relacionamento dos dois. Foi duro. Ela devia pensar: “O que essa brasileira quer fazer com o meu livro no teatro?”. Então, esse trabalho ficou na gaveta e apareceu “Tudo Que Eu Queria te Dizer”. Eu indiquei o Victor e fomos cada um para seu canto com uma lição de casa. No dia seguinte, levar para nosso encontro quais as seis personagens entre tantas daquele livro de cartas que renderiam protagonistas de uma peça. Não é que chegamos lá com as mesmas sugestões? O espetáculo já começou nessa sintonia. Parei quatro anos e o retomo agora.

Ana Beatriz Nogueira: cinco personagens de Martha Medeiros (Fotos: Ana Carolina Fernandes)

Ana Beatriz Nogueira: cinco personagens de Martha Medeiros (Fotos: Ana Carolina Fernandes)

Fica mais difícil criar uma dramaturgia para personagens que, na verdade, não são teatrais, são narradores de cartas?

É fundamental uma licença poética para apresentar essas cartas. São cinco personagens no palco. A sexta sou eu, que apresento uma conversa e proponho um jogo. Sou eu com uma roupa neutra, uma cadeira, nada de mudar maquiagem, nada de perucas… E assim vou tentando colocar a alminha de cada uma dessas mulheres. Uma é mais ressentida, outra aparece mais despachada, tem uma velhinha. Na minha cabeça, eu vejo essas pessoas e, assim, acredito que o público embarca na minha viagem.

+ Leia mais sobre Martha Medeiros.

Um desafio desse tipo só é possível depois de muita bagagem, não?

Eu nunca tive muita noção do perigo. Enfrentei esse desafio depois de 20 e tantos anos de carreira, mas talvez eu me arriscasse antes se a oportunidade tivesse surgido. É assim que fico acesa, sabe? Eu me arrisco e, quando volto para a televisão, me sinto uma atriz melhor.

Continua após a publicidade

+ Lauro César Muniz fala de política, teatro e novelas.

A sua carreira na televisão é bem diferente em relação a outros nomes da sua geração. Você ganhou destaque em uma idade que muitas já estavam perdendo espaço…

Foi uma carreira de passo a passo. Acho que a maturidade e a experiência me ajudaram muito. Até “Celebridade”, em 2003, eu sempre fui bissexta na televisão, fazia contrato por obra. Nas décadas de 80 e 90, eu me sustentei basicamente com cinema e teatro. Sou controlada e mesmo com pouco, eu vivo bem, mas com a televisão eu conheci uma estabilidade financeira. Só respirei melhor em relação ao dinheiro aos 40 anos. Por isso, essa excursão por São Paulo me faz recapitular o quanto tiro em um mês como autônoma. É bom para saber o tamanho do meu bolso se um dia eu não contar mais com a TV.

"Tudo Que Eu Queria te Dizer": monólogo com Ana Beatriz Nogueira

“Tudo Que Eu Queria te Dizer”: monólogo com Ana Beatriz Nogueira

O fato de você ter sido consagrada pelo cinema muito cedo certamente apontou outros caminhos além da televisão, não é?

Eu conto o início de minha carreira como 1985, ano em que tirei registro profissional e recebi meu primeiro salário. A sua profissão é aquela que sustenta você e paga suas contas. Então, logo veio o filme “Vera”, dirigido pelo Sérgio Toledo. É raro você encontrar um filme de personagem e eu, com 18 anos, tive esse privilégio de ser premiada em muitos festivais. Quando recebi o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim de 1987, o ator italiano Gian Maria Volontè me disse uma coisa, em um daqueles jantares, que jamais esqueci: “Menina, você é boa, seu trabalho no filme é ótimo, mas agora esquece tudo isso aqui e volta ao seu país para continuar fazendo exatamente o que você sempre fez”. Eu nunca parei de trabalhar, por isso é que digo que tenho um forro grosso. Aprendi a lidar com a profissão, com os mais diversos tipos de gente que cruzam o nosso caminho e precisamos conviver. Eu acredito muito mais em vocação que em talento, me acho vocacionada. Já encontrei tantos atores brilhantes, talentosíssimos, mas que não conseguem segurar a onda e o trabalho seguinte não rola.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7h0r6kq9x50?feature=oembed&w=500&h=375%5D

E quando rola um pouco de vaidade?

Na final da apresentação de “Tudo Que Eu Queria Te Dizer” em São José dos Campos, um senhor de seus 80 anos me disse: “Você é minha atriz preferida”. Fiquei tão emocionada de ouvir aquilo. Conheço minhas colegas e sei que vivemos em um país de artistas espetaculares. Ele já deve ter visto tantas delas em cena e tem esse carinho por mim. É bonito. Então, essa peça me dá muita alegria de fazer, me possibilita esse tipo de prazer. A Martha Medeiros fala de coisas simples, atinge um público enorme e, para mim, tudo isso ela diz com muita qualidade e delicadeza.

+ Leia entrevista com a atriz Debora Bloch.

E “Um Pai (Puzzle)”? Terminou?

Não! Se tudo der certo, eu trago o espetáculo em setembro para São Paulo.

Ana Beatriz Nogueira: "Tudo que Eu Queria te Dizer" ocupará o Teatro Renaissance (Foto: Ana Carolina Fernandes)

Ana Beatriz Nogueira: “Tudo que Eu Queria te Dizer” ocupará o Teatro Renaissance até 10 de julho

Quer saber mais sobre teatro? Clique aqui.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Para entender e curtir o melhor de SP, Veja São Paulo. Assine e continue lendo.

Impressa + Digital

Plano completo da VejaSP! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

Receba semanalmente VejaSP impressa mais acesso imediato às edições digitais no App Veja, para celular e tablet.

a partir de R$ 19,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)