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“A vida inteira estive a serviço de outros diretores, mas dessa vez quis fazer do meu jeito”, diz Regina Duarte

Umas das mais populares atrizes brasileiras, Regina Duarte, de 65 anos, celebra cinco décadas de carreira com a comédia “Raimunda, Raimunda”, do piauiense Francisco Pereira da Silva. Além de protagonizar, ela estreia no papel de diretora com a montagem em cartaz no Teatro Raul Cortez. Por que a decisão de dirigir o próprio espetáculo? Eu […]

Por Dirceu Alves Jr. Atualizado em 27 fev 2017, 11h58 - Publicado em 23 out 2012, 12h10

Regina Duarte, na foto com Saulo Segreto, dirige e protagoniza a comédia “Raimunda, Raimunda” (Foto: Denise Ricardo)

Umas das mais populares atrizes brasileiras, Regina Duarte, de 65 anos, celebra cinco décadas de carreira com a comédia “Raimunda, Raimunda”, do piauiense Francisco Pereira da Silva. Além de protagonizar, ela estreia no papel de diretora com a montagem em cartaz no Teatro Raul Cortez.

Por que a decisão de dirigir o próprio espetáculo?

Eu decidi assumir a encenação do espetáculo porque não encontrei ninguém que tivesse uma visão parecida com a minha. A vida inteira estive a serviço de outros diretores, com quem aprendi muito, mas dessa vez quis fazer do meu jeito. Eu tinha a intuição de como esse trabalho deveria ser. Sou filha de um militar cearense e, para minha geração, esse universo circense mostrado ali na peça é muito forte. Foi no picadeiro que, aos oito anos, eu entrei em cena pela primeira vez, em um circo que acampou perto de casa, em Campinas. Lembro até hoje da cara de reprovação do meu pai, dizendo que aquilo não era lugar para moça de bem, que eu nunca mais voltaria lá.

O que de mais forte a televisão ensinou a você e que agora pode aplicar como diretora de teatro?

Sempre tive uma relação muito forte com os colegas, diretores e equipe técnica. Minha geração cresceu junto com a televisão e participava de todos os processos. Não era só decorar texto e gravar. O Walter Avancini, por exemplo, era um diretor que estimulava o ator a observar a preparação da luz, a montagem do cenário, como era captado o som. Se desse tempo, nós acompanhávamos até a edição do capítulo. Eu nunca tive uma visão unilateral.

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Ao interpretar uma prostituta na peça “Réveillon” (1975) você ganhou prestígio e teve seu talento consagrado. Foi graças ao teatro que você começou a deixar de ser vista como a “namoradinha do Brasil”?

O teatro sempre foi para mim um veículo de autoconhecimento. “Réveillon” foi, sem dúvida, a minha a grande virada. E a “namoradinha do Brasil” começou a ser enterrada porque os diretores e autores de TV me viram interpretando uma prostituta. Eu tinha uma imagem muito solidificada como a mocinha frágil e indefesa.  E não aguentava mais fazer aquela mesma mulher, até porque não tinha mais nada a ver comigo. Eu já era adulta, mãe, com outros tipos de conflitos. Essa imagem já me atingiu muito. Hoje eu já superei e estou acima desse rótulo. Demorei a entender que esse rótulo na verdade é uma grande demonstração de carinho do público.

Em novembro chega a São Paulo a exposição sobre seus 50 anos de carreira. O que o público poderá ver de surpreendente?

A exposição abre no dia 10 de novembro no Liceu de Artes e Ofícios, no Bom Retiro. Tem um cantinho mais familiar, mais pessoal, mostro minhas fotos por lá, mas o foco mesmo é a minha carreira. São mais de 3 mil fotos. Todos os trabalhos que fiz em video na Globo estão lá. Todos os filmes que fiz, inclusive um argentino chamado “El Hombre del Subsuelo”, de 1981, que nunca passou no Brasil. O curador foi até a Argentina e conseguiu uma cópia. Tem também cenas da  primeira versão de “Malu Mulher”.

Como assim “a primeira versão” de “Malu Mulher”?

Então, essa história pouca gente conhece. Gravamos em 1979 quatro episódios em que Malu não era uma socióloga. Ela era funcionária do departamento pessoal de uma empresa de periferia. Em uma das reuniões, o Daniel Filho, que dirigia o seriado, pensou que a personagem ganharia possibilidades maiores de vôos se tivesse uma outra situação social. Como socióloga, ela podia conviver com qualquer camada social e trazer os conflitos de diversos tipos de pessoas para o debate. Aumentaria a comunicação. Foi um acerto. Temos ainda algumas imagens da peça “Réveillon”. A Vivien, mulher do Sérgio Mamberti, fez um documentário na época e esse material agora ganha exbição.

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