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Masp exibe 76 esculturas de Degas

Disponível para visitação até o dia 1º de agosto, a mostra conecta o artista francês à Paris do século XIX, sua inspiração

Por Tatiane de Assis Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
18 jun 2021, 06h00

Com curadoria de Fernando Oliva e Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, a mostra Degas está em cartaz no museu cartão-postal da Avenida Paulista. São exibidas 76 esculturas do artista, que viveu entre 1834 e 1917. Há também quinze fotografias da paulista Sofia Borges, que foi uma das cocuradoras da 33ª edição da Bienal de Artes de São Paulo.

vista geral da exposição de degas, no masp, que reúne quadros, fotografias e esculturas
Vista geral da exposição no Masp: esculturas, fotografias e pinturas juntas no mesmo espaço (Eduardo Ortega/Divulgação)

Um dos trunfos da exposição é apresentar ao público esse conjunto de peças, parte do acervo da instituição. Vale reforçar que a última vez que os trabalhos estiveram em exibição foi há longínquos catorze anos. Outra questão é que, além da proposta estética, é abordado o contexto histórico e social em que se deu a produção do pintor, escultor e gravurista.

A discussão se faz fundamental para olhar com muita atenção para A Bailarina de 14 Anos (1880), obra em destaque e que o visitante encontra logo ao entrar no espaço expositivo. “Nota-se nessa escultura, feita em bronze, uma tentativa de reprodução realista. Degas reforça isso ao adicionar elementos, como o laço de fita e o tutu de tecido”, explica Oliva. A expressão da garota, de olhos fechados e maxilar tenso, pode ser associada à prática exaustiva dos ensaios de balé aos quais se submetia. Também parece indicar a resignação de uma adolescente que persiste em direção a um objetivo, mesmo numa possível avalanche de dificuldades.

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esculturas de bailarinas de degas
Degas era fascinado por dançarinas de balé, por isso, retratou-as em seu trabalho utilizando pinturas ou esculturas (Eduardo Ortega/Divulgação)

A jovem, que Degas retratou, se chamava Marie van Goethem. Como muitas outras que se colavam às sapatilhas, ela vinha de família pobre e via na dança clássica, na Paris do século XIX, uma forma de mobilidade social. Uma situação que se repete e nos lembra um pouco o que significa o futebol para garotos que vivem nas periferias do Brasil, não é mesmo?

> Masp. Avenida Paulista, 1578. Tel.: 3149-5959. Terça, 10h às 17h30; quarta a domingo, 12h às 17h30. R$ 45,00. Grátis às terças. Até 1º de agosto.

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Publicado em VEJA São Paulo de 23 de junho de 2021, edição nº 2743

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