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Sobrado “sanduíche”: ele resistiu à construção de um condomínio ao redor

Conheça a história do imóvel que funciona como o consultório de um dentista e foi alvo de embates na Justiça

Por Juliene Moretti Atualizado em 31 jan 2020, 14h51 - Publicado em 31 jan 2020, 06h00

O sobrado apontado na imagem é o consultório odontológico do cirurgião-dentista Eduardo Inada, 50, no bairro do Alto da Lapa. Morador da região desde a infância, ele transformou em 1994 a residência de 100 metros quadrados e dois andares onde vivia com os pais em seu espaço de trabalho. As mudanças na vizinhança se iniciaram em 2005, quando os imóveis do quarteirão começaram a ser comprados (e demolidos) para a construção do condomínio The Gold, de apartamentos entre 366 e 574 metros quadrados, atualmente com valores de venda estimados a partir de 4 milhões de reais.

“Eram 21 casas e só sobrou a minha”, conta Inada. Segundo ele, as investidas da construtora Gafisa, responsável pelo empreendimento, foram inúmeras e ocorreram das mais diversas formas. “Eu não sou apegado e sempre estive aberto a negociar”, garante. Ele relata ter negado o negócio, pois se incomodou com pontos do contrato e o valor oferecido pela compra — na faixa de 160 000 reais, na época, de acordo com o dono. “Os pacientes conhecem meu endereço, que é bem localizado”, afirma. “Sairia daqui para um lugar melhor. Com a proposta, não conseguiria encontrar um padrão similar.”

O período de subida do prédio se mostrou um tanto conturbado para Inada. Ele diz ter sofrido com barulho frequente, rachaduras e infiltrações que precisaram ser contidas — além do deboche da vizinhança, por ter mantido sua posição. O edifício de 29 andares acabou inaugurado em 2008, porém os problemas para o “herói da resistência” continuaram. Segundo o dentista, a proximidade da piscina a seu muro traz a possibilidade de infiltrações. Após uma longa batalha na Justiça, que teve mais um capítulo no fim do ano passado, a construtora deverá indenizar Inada por prejuízos. “Aqui, ficou como uma Ferrari com roda de Fusca”, diverte-se o profissional, ao se referir ao edifício com o seu consultório espremido no meio. “Ainda tenho a segurança do bairro e a comodidade para meus pacientes.” A Gafisa não quis se manifestar.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 5 de fevereiro de 2020, edição nº 2672.

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