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Sheherazade acusa Silvio Santos de assédio moral e cobra R$ 20 milhões do SBT

A defesa da jornalista diz que apresentador a humilhou em rede nacional e cita boicote e censura em caso Luciano Hang

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 19 abr 2021, 13h23 - Publicado em 19 abr 2021, 13h13

A jornalista Rachel Sheherazade entrou na Justiça para pedir uma indenização de aproximadamente R$ 20 milhões ao SBT. Ela afirma que não recebeu direitos trabalhistas, acusa Silvio Santos de assédio moral e humilhação em rede nacional e também diz que foi vítima de censura e boicote por seus superiores do setor de jornalismo da emissora. As informações são do site Notícias da TV. 

A ação foi protocolada na terceira Vara do Trabalho de Osasco, no dia 11 de março. Dentro das 522 páginas do documento, a defesa de Rachel detalha diversos momentos dos quase dez anos de serviços prestados ao SBT que motivam o pedido de indenização. Ela foi demitida em agosto de 2020 e hoje trabalha no site Metrópoles. 

Em março de 2011, Rachel Sheherazade começou a trabalhar na emissora de Silvio Santos como prestadora de serviços, ou seja, na condição de pessoa jurídica (PJ), sem ter a carteira de trabalho assinada. Sua defesa afirma que essa “pejotização” foi uma imposição da empresa com objetivo de fraudar as leis trabalhistas junto de outras motivações fiscais e previdenciárias.

A defesa então listou motivos para comprovar que, na verdade, ela não era uma PJ, mas sim uma funcionária plena. Entre eles estão o cumprimento de carga horária, serviços prestados de forma exclusiva para o SBT, crachá de funcionária, estar subordinada a diretores, uso de e-mail corporativo, direito a vale refeição e plano de saúde. 

Com a soma de itens suprimidos durante todo o período, em que os advogados entendem que ela deveria ter recebido como CLT e não pessoa jurídica, a indenização solicitada chegou ao valor de R$19.651.317,00, “para fins de fixação do rito em ordinário, registrando que o valor dado à causa não vincula o juízo e que não renuncia nenhum valor que o exceder”, como consta na ação.  

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Assédio moral e censura

Silvio Santos é acusado de promover assédio moral e humilhação contra Rachel Sheherazade em rede nacional. O episódio destacado no processo aconteceu durante a cerimônia do Troféu Imprensa de 2017, em que Rachel foi premiada com o Troféu Internet de melhor apresentadora de telejornal. 

A defesa destacou a frase em que ele diz que contratou a jornalista para “continuar com a sua beleza, com a sua voz, (e que) foi para ler as notícias, e não dar a sua opinião. Se quiser falar sobre política, compre uma estação de TV e faça por sua própria conta”. O apresentador é acusado de ter um comportamento depreciativo, preconceituoso, vexatório, humilhante, constrangedor, “assumindo uma atitude nitidamente machista”. É solicitado R$ 500 mil como indenização por danos morais. 

Rachel também afirma ter sido alvo de censura e boicote enquanto trabalhava na emissora. Ela alega que, em agosto de 2019, sofreu uma suspensão do SBT Brasil a pedido de Luciano Hang, empresário dono da Havan e um dos maiores patrocinadores do canal. O afastamento teria sido uma forma de represália pela forma que ela se comportava nas redes sociais, e assim foi impedida de comandar o telejornal nas edições de sexta-feira. 

Os advogados ainda afirmam que a diretoria de jornalismo da emissora esquecia propositalmente o nome de Rachel na distribuição de tarefas importantes e outros colegas eram privilegiados. 

A primeira audiência do caso ocorrerá no dia três de agosto, data marcada pela Justiça Trabalhista. As testemunhas de Rachel Sheherazade e do SBT devem ser ouvidas pelo juiz. O SBT diz que não comenta questões jurídicas. 

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