Conheça Romeu di Sessa, o roteirista que virou conselheiro

Todos os domingos, ele monta um "consultório a céu aberto" em lugares públicos e oferece seus palpites sobre os mais diversos assuntos

Há um ano e meio, o paulistano Romeu di Sessa, 58 anos, decidiu dedicar os domingos a uma atividade incomum: dar conselhos para desconhecidos. Munido de uma plaquinha onde se lê “Dou conselhos sobre (quase) tudo”, ele se senta por algumas horas perto do portão 7 do Parque do Ibirapuera ou então, na Avenida Paulista.

Para ouvir uma palavra amiga, basta se achegar ao banquinho e abrir o coração.

Seu consultório a céu aberto recebe os tipos mais variados. “De adolescentes a distintas senhoras que passaram dos 70 anos”, brinca. Os papos mais bacanas são publicados em sua página no Facebook.

A maioria das pessoas o procura para desabafar sobre trabalho, família, dinheiro e, é claro, amor. “Mais de 80% das perguntas são sobre isso.” Casado por quatro vezes — sua última união durou 18 anos —, ele lembra as próprias experiências para iluminar o aconselhado com dois dedinhos de prosa. “Acho que me deram um boa bagagem para falar de relacionamentos.”

Em um desses encontros, um rapaz que se estranhava com um colega de trabalho voltou para casa com uma orientação inesperada: agradecer ao rival que tentava queimar sua imagem. “Expliquei que o grande papel do vilão é fazer o herói evoluir, vi que ele saiu convencido”. Os mais impressionados chegam a adicioná-lo no Facebook para manter contato.

Outro encontro marcante foi com um jovem gay que enfrentava uma fase difícil no relacionamento. Depois de ouvir uma segunda opinião, conseguiu enxergar a situação com mais serenidade. O conselheiro também aprende muito com esse contato humano: “Percebi que as relações homossexuais têm os mesmos altos e baixos de qualquer outra.”

Di Sessa não é vidente, nem psicólogo. Roteirista experiente, assinou dezenas de produções para cinema, TV ou teatro. Por conta disso, muita gente pergunta se a nova carreira não seria um jeito de encontrar histórias para seus próximos trabalhos. “Não é isso, de jeito nenhum”, explica. “Sou um cara muito egocêntrico, é preciso fazer algo pelos outros de vez em quando”, brinca.

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