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Protestos pró e anti-Lula repercutem condenação do ex-presidente

Há atos na Praça da República e na Avenida Paulista

Por Mariana Rosario, Juliene Moretti Atualizado em 24 jan 2018, 20h35 - Publicado em 24 jan 2018, 18h37

Duas manifestações repercutem a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que manteve a condenação de Lula nesta quarta (24). No final da tarde, de um lado, manifestantes favoráveis ao ex-presidente se reúnem na Praça da República. Do outro, cerca de trezentos ativistas festejam a notícia na Avenida Paulista.

O ato contrário à decisão acontece desde as 17 horas no centro. Os organizadores estimam um público 50 000 pessoas. Lula discursou a partir das oito da noite e reafirmou a candidatura ao Planalto. Ele também ironizou a acusações da Lava Jato. “Me apresentem esse crime. Se me apresentarem o crime eu desisto de candidatura. Desisto até de vir em praça pública”, disse. 

O ex-presidente também se comparou a Nelson Mandela, preso por 27 anos durante o apartheid na África do Sul. “Parem de pensar no Lula, que é insignificante. O que é grande no país é a consciência do povo brasileiro, que não aceita mais subserviência.”

Apesar da negativa do poder público, os organizadores – Central Única dos Trabalhadores (CUT), MTST e outros movimentos sociais e sindicais – devem marchar até a Paulista. “Eles fazem protesto com camisa amarela, para lutar com nossa camisa vermelha. Ai chega segunda feira, eles vão fazer compra em Miami, coisas que ele poderia comprar no Brasil pra gerar emprego”, disse Lula ao fim do discurso, pouco antes de convocar os manifestantes a seguir até a via. 

Marginal Pinheiros, Via Dutra e a Rodovia Régis Bittencourt também foram fechadas por manifestantes favoráveis ao ex-presidente.

 

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Marcado pelos grupos pró-impeachment, como o MBL e o Nas Ruas e o Revoltados On Line, o protesto anti-Lula fechou até o momento três quarteirões da Paulista no sentido Consolação (na altura da Rua Pamplona). Ambulantes vendem bonecos infláveis do ‘pixuleco’ por 10 reais. Há também figuras de Dilma Rousseff e do juiz Sérgio Moro trajado de super-herói.

Um trio elétrico do grupo Revoltados On-Line puxou um Pai Nosso terminado com “livrai-nos do mal e do comunismo/morte ao comunismo e a todos os comunistas“. Outro bloco de manifestantes trazia faixas com pedidos de intervenção militar.

A dispersão começou por volta das 8 da noite. As lideranças recomendaram que o público saísse pelo sentido Paraíso para não cruzar com manifestantes do lado contrário.

O desembargador Victor Laus acompanhou os outros dois magistrados, Leandro Paulsen e Gebran Neto, decidindo pela condenação por unanimidade. A pena de nove anos e meio estipulada pelo juiz Sérgio Moro foi aumentada para doze anos e um mês. Essa confirmação dificulta a candidatura de Lula ao Planalto, com base na Lei da Ficha Limpa.

Cabem recursos por parte da defesa.

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