Prefeitura quer vacinar 2,5 milhões contra febre amarela

Segundo Ricardo Barros, ministro da Saúde, as mortes de macacos podem indicar um novo ciclo da doença. Filas de espera nos postos chegam a duas horas

A prefeitura pretende vacinar 2,5 milhões de pessoas contra o vírus da febre amarela. A intensificação da imunização ocorrerá na Zona Norte, onde fica o Horto Florestal. Na segunda-feira (23), o governo do Estado confirmou que mais quatro macacos foram encontrados mortos no parque, área na qual um animal já havia sido diagnosticado com o tipo silvestre da doença na sexta-feira passada, levando ao fechamento do local. As autoridades ainda apuram se os macacos foram mortos pela febre.

A corrida aos postos de saúde foi iniciada no sábado (21), quando começou a vacinação focada em moradores do interior do parque. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Horto e do Jardim Peri, 4 100 pessoas foram vacinadas no primeiro dia. Na segunda (23), a fila era de cerca de duas horas na UBS do Horto, com expectativa de imunização de 6 000 pessoas. A dose única está disponível na rede privada, ao preço médio de 162 reais.

O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, disse que a situação representa um alerta. “Inicialmente, vamos fazer essa vacinação em círculos do local em que foi encontrado o animal. Serão vacinadas 500 000 pessoas dos primeiros 500 metros ao redor do local e, em seguida, vamos ampliar esse círculo até completar toda a região Norte, que seriam 2,5 milhões de pessoas.”

O governo do Estado, por sua vez, anunciou apenas a meta de vacinar 1 milhão e não informou sobre a previsão de uma terceira fase de imunização. Há quatro postos oferecendo a vacina – número que deve passar para 57.

Ricardo Barros, ministro da Saúde, disse que as mortes de macacos por febre amarela em São Paulo indicam que um novo ciclo da doença está por vir.

Para atender à demanda da vacinação, a pasta deverá enviar mais 1,5 milhão de doses para a cidade. Há uma expectativa de que possa ocorrer fenômeno semelhante ao que ocorreu no Rio, quando houve uma corrida para vacinação mesmo em locais onde não era recomendada a vacina.

Dos quatro macacos mortos, dois foram enviados para análises. Os outros dois, em avançado estado de decomposição, não poderão ser avaliados.

“Não temos ciclo urbano da doença desde 1942. Há ocorrências do ciclo silvestre sempre precedidas por casos em macacos. Esse animal é uma importante sentinela para que se faça a sinalização de risco de uma região porque há um medo da reurbanização da doença”, explica Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. Ele diz que, em casos de confirmação de morte pelo vírus, a imunização da população do entorno é suficiente para evitar surto entre humanos. “Os mosquitos não têm autonomia de voo grande”.

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