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Pandemia afetou renda de 8 em cada 10 trabalhadores de confecção em SP

Estudo diz que grande maioria é mulher imigrante da Bolívia; solução para muitos foi fabricar máscaras por cincos centavos a unidade

Por Redação VEJA São Paulo 3 dez 2020, 15h06

O estudo inédito Mascarando a Miséria, publicado nesta quinta-feira (3) pela Agência Bori, revela que a pandemia afetou a renda de 8 em cada 10 trabalhadores de oficinas de costura na capital e região metropolitana de São Paulo. A pesquisa foi realizada entre julho e setembro deste ano pela organização não-governamental britânica Business and Human Rights Resource Centre.

Foram entrevistadas 146 pessoas, em sua grande maioria mulheres imigrantes bolivianas, que moram no mesmo prédio onde trabalham e não têm contratos formais de trabalho. “São espaços pequenos, precários, onde o trabalho é o mais importante. O espaço para a família é o de menos. O principal é produzir mais e ganhar mais”, explica Marina Novaes, pesquisadora e representante do Human Rights Resource Center no Brasil. Esses trabalhadores viram sua renda cair drasticamente após queda nos pedidos de clientes e redução do valor pago por seu trabalho.

Entre os entrevistados, 73% atestam que os preços dos produtos costurados reduziu, 61% encontram dificuldades para comprar comida e, para 84%, a solução foi começar a costurar máscaras. “Como a maioria ficou sem trabalho no início da pandemia, alguns disseram que produziram por cinco centavos máscaras que seriam vendidas depois por cinco ou dez reais”, diz Novaes.

A média de renda mensal desses trabalhadores é 1.045 reais, mas 42% do entrevistados relataram ter ficado totalmente sem renda e 45% viram a renda diminuir consideravelmente.

O relatório faz recomendações ao poder público como mapear populações migrantes e incluí-los na rede pública de proteção social. Também pede a definição de políticas de combate à exploração do trabalho e intensificação da fiscalização. Para as empresas, a recomendação é mapear cadeia de suprimentos, realizar devida diligência para identificar, prevenir e mitigar riscos e impactos negativos em suas cadeias produtivas, assim como garantir aos trabalhadores a liberdade de se organizar e se fazer representar em acordos de negociação.

Oficialmente, são 75 mil bolivianos vivendo em São Paulo, segundo a Polícia Federal. O número, no entanto, pode chegar a 300 mil, segundo organizações não governamentais.

Com informações da Agência Bori 

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