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Motorista, pedreiro e doméstica são os que mais morreram por Covid

Análise do Instituto Pólis indica que áreas da capital menos afetadas pela doença são as de maior poder aquisitivo

Por Clayton Freitas Atualizado em 11 fev 2022, 16h18 - Publicado em 10 fev 2022, 16h26

Entre as atividades ocupacionais que mais registraram mortes por Covid-19 na cidade de São Paulo nos primeiros dois anos da pandemia (2020-2021) estão pessoas empregadas em setores de transportes e tráfego, construção civil e empregadas domésticas, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Polis.

As atividades citadas acima foram consideradas essenciais mesmo nos períodos de maior restrição de atividades econômicas no estado de São Paulo.

Tabela pesquisa
Fonte: Instituto Polis Instituto Polis/Reprodução

Para fazer a análise, os pesquisadores tabularam os dados a partir do cruzamento de informações de diversas fontes, tais como Secretaria Municipal de Saúde, DataSus/Tabnet (base de dados do Ministério da Saúde) e ainda obtiveram dados via Lei de Acesso à Informação.

Individualmente, os aposentados representam a maior quantidade de pessoas mortas no período relacionado no estudo, somando 34,1% do total. As donas de casa respondem por outros 17%. Os pesquisadores avaliam que apesar de serem grupos distintos, os dois têm uma coisa em comum: 90% das vítimas eram pessoas idosas, conhecidamente um grupo de risco, com suscetibilidade a manifestações graves da doença.

Foram analisadas um total de 977 ocupações remuneradas, divididas por grupos. Quando se analisa dessa forma, constata-se que 31,8% das mortes foram de pessoas que trabalhavam no setor de serviços, seguido por aqueles que atuavam na indústria (9%), comércio (6,2%).

Para poder saber como as mortes impactaram em determinados grupos de trabalhadores, os pesquisadores dividiram a quantidade de pessoas empregadas em determinada área pelos óbitos registrados neste grupo.

Quando são analisadas as mortes de trabalhadores em transportes e trânsito, por exemplo, percebe-se que o perfil predominante de vítima é homem (94%), sem educação básica completa (88%), negro (37%) e a maior parte atuava como motorista de aplicativo.

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Já entre as domésticas, 92% eram mulheres (92%), negras (54%), tinham pouca escolaridade (90%) e eram jovens (42%). Em relação aos trabalhadores na indústria da construção civil, 99% das mortes foram de homens, negros (45%), e idosos (71%). E a maioria composta por pedreiros.

Periferia concentrou mais mortes
Periferia concentrou mais mortes Instituto Polis/Reprodução

Desigualdades

O amplo estudo também analisou as mortes de uma forma geral –assalariados ou não. É possível perceber que a mortalidade de pessoas negras (ambos os sexos) foi 60% maior do que a média da capital. Quando a comparação é feita com homens brancos, a morte de negros é 30% maior. No caso das negras, elas foram 40% mais afetadas do que as brancas. Esse cálculo é feito sempre levando-se em consideração quantas pessoas (brancas, negras, homem ou mulher), morreram por grupo de 100 mil.

E esse cálculo também indica que a alta mortalidade de Covid tem endereço. E não fica nas regiões nobres, mas sim nas periferias.

Segundo os pesquisadores, isso se explica pelo maior padrão de renda, que possibilita maior acesso a serviços de saúde, melhores condições de moradia e maior possibilidade de isolamento.

“Neste caso, as análises estatísticas demonstram que existe uma forte correlação inversa entre a variável renda e mortes: quanto maior o poder aquisitivo, menores as taxas de mortalidade pela pandemia”, escrevem os autores.

Eles chegaram a conclusão de que as possibilidades de isolamento/distanciamento social, além de adoção de outras medidas não farmacológicas de proteção, são desiguais entre os moradores da metrópole, já que muitas famílias não podem deixar de trabalhar presencialmente durante a pandemia, o que pressupõe uma maior exposição à infecção ao circular pela cidade. “Os deslocamentos em função do trabalho são um fator preponderante ao grau de disseminação do vírus”, escrevem.

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